A inteligência artificial já está presente em diferentes operações do mercado de seguros, mas sua adoção, por si só, não garante uma transformação nas companhias. Para aproveitar o potencial da tecnologia, as seguradoras precisam organizar dados, integrar sistemas e rever processos de tomada de decisão. O tema foi discutido no painel “IA no Seguro”, realizado nesta quinta-feira (5), segundo dia do CQCS Inovação 2026.
Marcello Accioly, diretor executivo da Nova IT, questionou se as empresas estão realmente transformando suas operações ou apenas incorporando inteligência artificial a processos que já existem. Segundo ele, a falta de dados estruturados e a fragmentação dos sistemas são desafios para que a tecnologia consiga atuar de forma integrada.
“O nosso desafio é estruturar tudo isso, criar dados estruturados e integrar esses sistemas para de fato trabalhar com a tecnologia fazendo a camada de orquestração”, explicou. Para Accioly, a transformação depende da maneira como as companhias utilizam a ferramenta. “A IA não vai transformar a seguradora. A seguradora que souber trabalhar com IA é que será transformada”.
Jonathas Mendes, head de AI, D&A e Salesforce da Pottencial Seguradora, apresentou uma aplicação desenvolvida pela companhia para facilitar o acesso às informações internas. Ele explicou que a empresa enfrentava dificuldades para reunir dados de diferentes portais, processos regulatórios e contratos, que apresentavam contextos e formatos distintos.
Como resposta, a seguradora desenvolveu a Patti, uma assistente virtual com acesso aos dados da companhia. “Estamos disponibilizando a Patti, como se fosse uma assistente virtual que tem acesso aos dados da companhia como se fosse o ChatGPT da Pottencial. Inclusive que conversa e responde com gráficos e informações”, afirmou.
Aldo Pires, CEO da add, destacou que a tomada de decisão é um dos pontos mais sensíveis da operação de seguros e que a inteligência artificial pode contribuir para tornar esse processo mais eficiente. Ele alertou, porém, que a adoção da tecnologia sem uma estratégia adequada pode trazer resultados negativos, especialmente na precificação.
“A IA ajuda no processo de decisão, entra agregando esse valor no processo inteiro, por exemplo, no processo de sinistro, ajudando a calcular precificação também”, explicou.

