Traduzir o universo dos seguros para uma linguagem simples, acessível e próxima da realidade dos consumidores é um dos principais desafios do mercado. Esse foi o tema da palestra “Tornando o Seguro Melhor Compreendido através da Comunicação”, realizada durante CQCS Inovação 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O encontro reuniu Rodrigo Cicutti, head de Comunicação e Marketing da CNP Seguradora; Ana Paula Rodrigues, diretora de Marketing da Suhai; e Inessa Agda, analista de Marketing Sênior da Pottencial Seguradora, para discutir como tornar o seguro mais fácil de entender e demonstrar, na prática, sua importância para a população.
A proposta do painel foi desmistificar o mercado de seguros e apresentar, por meio de exemplos práticos, o funcionamento e a utilidade dos produtos, aproximando a comunicação das necessidades do consumidor.
Durante sua participação, Ana Paula Rodrigues apresentou dados de uma pesquisa que evidenciam a dificuldade de compreensão do público. Segundo ela, apenas 15% das pessoas sabem que prêmio é o valor pago pelo seguro, enquanto 67% afirmam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o setor. Além disso, 77% dizem confiar no seguro, mas consideram o produto complexo e se sentem inseguras na hora de tomar decisões.
Para a executiva, esses números reforçam a responsabilidade das seguradoras e dos profissionais de comunicação na construção de uma linguagem mais acessível. Ela também destacou que a Lei 15.040, em vigor desde 2025, reforça a importância da clareza nas informações sobre os produtos.
“Traduzir o seguro deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação”, ressaltou.
Ana Paula também apresentou iniciativas da Suhai para aproximar a marca dos consumidores, destacando que a simplicidade precisa estar presente desde o desenvolvimento dos produtos até a escolha das palavras, imagens e formatos utilizados nas campanhas. A executiva defendeu ainda o uso de criadores de conteúdo especializados e a participação dos corretores como agentes fundamentais para transmitir confiança e explicar os benefícios do seguro.
Já Inessa Agda abordou os desafios de comunicar produtos que possuem características mais complexas, como o seguro garantia e o seguro fiança locatícia, que fazem parte do portfólio da Pottencial Seguradora. Segundo ela, a dificuldade de compreensão não aparece apenas na contratação, mas também durante a interpretação das coberturas e no momento de acionar o sinistro.
A executiva destacou que, embora as informações estejam disponíveis nas condições gerais dos produtos, muitas vezes o consumidor precisa recorrer ao corretor para compreender o que está contratando e quais são seus direitos.
“A compreensão do seguro nasce da conexão. Precisamos destacar o que importa, utilizar a tecnologia para organizar as informações e manter a orientação humana. O corretor não pode ficar de fora”, afirmou.
Inessa também apresentou ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela Pottencial para facilitar processos e melhorar a experiência dos parceiros. Entre os exemplos, citou uma solução de automação na contratação do seguro garantia, que reduz em 80% o tempo e o esforço do corretor. Para ela, a tecnologia deve liberar os profissionais de tarefas operacionais, permitindo que dediquem mais tempo ao relacionamento e à orientação dos clientes.
Encerrando as apresentações, Rodrigo Cicutti destacou que a comunicação precisa ir além da divulgação de produtos, novidades e condições comerciais. Para o executivo, o principal desafio é fazer com que as pessoas compreendam para que serve o seguro e em quais situações podem contar com essa proteção.
“Comunicar seguro é traduzir valor, não vender apólice”, afirmou.
Cicutti explicou que a estratégia de comunicação da CNP Seguradora considera as particularidades de cada público, produto e canal de distribuição. Como a companhia trabalha com diferentes parceiros, entre eles corretores, instituições financeiras e redes varejistas, a mensagem precisa ser adaptada à realidade de cada consumidor.
Como exemplo, mencionou a comercialização do seguro prestamista. Enquanto um assessor financeiro pode explicar a proteção a um investidor que contrata crédito para alavancar um negócio, um vendedor de uma loja precisa apresentar a mesma cobertura de maneira muito mais simples para alguém que está contratando um pequeno empréstimo.
Segundo ele, independentemente do canal, o consumidor precisa entender a utilidade daquela proteção em sua própria realidade.
O executivo também ressaltou que a compreensão do produto está diretamente relacionada à valorização do seguro. Quando o consumidor não entende a proteção contratada, tem mais dificuldade para reconhecer seus benefícios e pode deixar de utilizá-la.
As apresentações reforçaram que tornar o seguro mais compreendido exige uma atuação conjunta entre seguradoras, corretores e profissionais de comunicação. A combinação de linguagem acessível, tecnologia, informação e orientação humana foi apontada como fundamental para aproximar o setor da população e fortalecer a confiança dos consumidores.

