A evolução do seguro de vida depende da capacidade do mercado de acompanhar as transformações da sociedade, ampliar o acesso à proteção e desenvolver soluções adequadas às diferentes fases da vida. A longevidade, as mudanças nas configurações familiares, as novas relações de trabalho e o avanço da tecnologia foram alguns dos pontos discutidos na palestra “Seguro de Vida em Evolução Constante”, realizada na sala 7 do segundo dia do CQCS Inovação 2026, nesta quinta-feira (5), no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Na abertura, Jefferson Silva, superintendente executivo de Varejo da CAIXA, destacou que o seguro é uma resposta às necessidades da sociedade e, por isso, precisa acompanhar suas mudanças. Para ele, a evolução do setor está diretamente relacionada à capacidade de identificar novas demandas e oferecer proteção adequada.
Ao apresentar um panorama histórico da atividade, o executivo ressaltou que o princípio do seguro está relacionado à contribuição coletiva para reduzir os impactos de perdas individuais. Ele também chamou atenção para quatro questões que devem orientar o desenvolvimento do mercado: acesso ao seguro, proteção de renda, longevidade e proteção do futuro.
Ao abordar a realidade brasileira, Jefferson apresentou dados sobre a distância entre o reconhecimento da importância da proteção e a efetiva contratação de seguros. Segundo ele, 70% dos pesquisados apontam a necessidade de se proteger diante da morte de algum familiar, mas apenas 22% afirmam ter tomado alguma medida nesse sentido.
O executivo também destacou o potencial de democratização do seguro de vida, especialmente por meio de produtos acessíveis. Como exemplo, mencionou uma solução com assistência funeral e outras proteções pelo valor de R$ 4 por ano.
“Mas, efetivamente, quanto custa proteger? Esse é um dos atributos do nosso mercado. O seguro pode ser acessível. Temos produtos que custam proporcionalmente muito pouco para oferecer proteção. Aqui procuramos atender à necessidade de democratizar a proteção para toda a sociedade brasileira.”
Outro ponto levantado por Jefferson foi a vulnerabilidade financeira relacionada à perda de renda. De acordo com o executivo, 84 milhões de brasileiros estão sujeitos a perder seus rendimentos, o que evidencia uma necessidade de proteção ainda não plenamente atendida pelo mercado.
Na sequência, Carice Weber, diretora Comercial Corporate da MAG, ressaltou que a evolução do seguro de vida também precisa considerar as mudanças na forma como as pessoas organizam suas vidas, constituem famílias e planejam o futuro. Para ela, viver mais exige pensar não apenas na longevidade, mas também na manutenção da saúde, da autonomia e da segurança financeira.
A executiva chamou atenção para as transformações nas relações de trabalho. Segundo os dados apresentados por ela, o Brasil reúne cerca de 38 milhões de pessoas que trabalham sem vínculo formal e 1,7 milhão de trabalhadores de plataformas que não contribuem para a previdência. Esse cenário evidencia grupos que precisam de alternativas de proteção.
Carice também compartilhou experiências profissionais que reforçaram sua percepção sobre o propósito do seguro de vida. Ao recordar o pagamento dos primeiros benefícios que acompanhou na MAG, destacou o impacto concreto da proteção na vida das famílias.
“Então, quando falam em evolução do seguro de vida, penso que é isso: falar sobre seguro de vida com a simplicidade que ele merece e mostrar a importância que oferece. Proteger esses desejos e esses sonhos é o nosso papel. Falo um pouco apaixonada sobre isso porque acredito profundamente nessa missão.”
A executiva também destacou a importância dos pagamentos em vida, especialmente diante do aumento da longevidade e da maior exposição a doenças e dificuldades financeiras. Segundo ela, o mercado precisa desenvolver soluções que acompanhem as pessoas durante toda a trajetória, e não apenas ofereçam amparo aos familiares após a morte do segurado.
Nesse contexto, apresentou três pilares para a proteção: proteger a vida, proteger quem fica e acompanhar a jornada. A proposta envolve produtos customizados, coberturas para doenças graves, diárias por incapacidade temporária e assistências que atendam às necessidades de cada momento.
Carice também ressaltou que a tecnologia precisa contribuir para aproximar o mercado das pessoas, sem substituir a escuta e o relacionamento humano. Para ela, compreender as necessidades dos consumidores continua sendo essencial para desenvolver soluções relevantes.
“Sou entusiasta das inteligências artificiais, mas precisamos conversar, ouvir e entender quais são as necessidades das pessoas. Se a tecnologia não nos permitir ser cada vez mais humanos e ouvir melhor essas necessidades, não adianta termos tecnologia.”
Tecnologia e novas jornadas de proteção
Encerrando a discussão, Amaury Pugliese, Chief Revenue Officer da Provider IT, abordou o papel da tecnologia na transformação da experiência de contratação e relacionamento com os consumidores. Ele destacou que as necessidades de proteção mudam ao longo da vida e que o mercado precisa desenvolver jornadas capazes de acompanhar essas transformações.
Para o executivo, a digitalização ainda não atingiu todo o seu potencial no setor de seguros. Embora as ferramentas tradicionais tenham evoluído e permitido acelerar processos, ele defendeu uma mudança mais profunda na maneira como os produtos são desenvolvidos e disponibilizados ao consumidor.
Amaury apresentou os agentes de inteligência artificial como uma possibilidade para redesenhar essas jornadas. A partir da orquestração de diferentes agentes, seria possível reunir informações de diversas fontes, organizar dados sobre a trajetória dos consumidores e oferecer soluções mais direcionadas.
Ele explicou que acontecimentos como a contratação de crédito, a compra de um automóvel ou a aquisição de um imóvel geram informações que ajudam a compreender as necessidades de cada pessoa. O desafio, segundo ele, é utilizar esses dados para identificar oportunidades de proteção e chegar ao consumidor nos canais em que já está presente.
“O que vai mudar não é apenas a tecnologia, o prêmio, o pagamento ou a contratação. O que vai mudar é conseguir chegar, pelo Instagram e pelo TikTok, às pessoas que precisam de educação. Falou-se muito sobre educação.”
A discussão reforçou que a evolução do seguro de vida passa pela combinação entre produtos acessíveis, proteção financeira ao longo da vida, compreensão das novas configurações sociais e uso estratégico da tecnologia. O desafio do mercado é transformar essas possibilidades em soluções capazes de acompanhar as necessidades reais das pessoas.

