A inteligência artificial precisa ir além da automação de processos: deve oferecer contexto, informações qualificadas e condições para que os profissionais tomem decisões mais assertivas. Essa foi uma das principais mensagens de Leonardo Lourenço, vice-presidente do Grupo MAG, durante a plenária de abertura do CQCS Inovação 2026, realizada nesta quinta-feira (5), no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
No painel “AI Made in Brasil”, o executivo compartilhou experiências da trajetória de transformação tecnológica da MAG, destacando como a companhia vem se preparando para incorporar a inteligência artificial à sua operação. Com mais de 20 anos de atuação no grupo, ele também abordou as mudanças vivenciadas pela empresa ao longo desse período e os caminhos que estão sendo construídos para o futuro.
Um dos pontos centrais de sua apresentação foi a importância de desenvolver soluções de inteligência artificial que compreendam o contexto de cada operação. Para ilustrar essa necessidade, Leonardo apresentou o caso de uma cliente chamada Marina, que contrata um seguro residencial após receber três opções de seguradoras.
Três meses depois, ela enfrenta um problema hidráulico em seu apartamento e descobre que o rompimento de um engate flexível não está coberto pelo seguro contratado. Segundo o executivo, uma das companhias analisadas tinha uma exclusão expressa para essa situação, enquanto outra oferecia cobertura específica por apenas R$ 10 a mais.
A situação evidencia um desafio para os corretores que trabalham com diversos produtos e seguradoras. Afinal, como conhecer todas as condições gerais, coberturas e exclusões de dezenas de produtos?
“Não adianta colocar inteligência artificial nos processos, para responder aos clientes mais rápido ou fazer outras coisas, se ela não tiver acesso ao contexto correto daquela informação. Na nossa companhia, toda vez que você interage com a Helena, que é a nossa inteligência artificial, ela entende exatamente quais informações estão sendo discutidas, qual é o contexto apropriado para aquela conversa e reúne todas essas informações”, afirmou.
Na MAG, essa proposta está presente na Helena, inteligência artificial da companhia, que reúne as informações necessárias para compreender o contexto de cada interação. A ferramenta permite que o corretor tenha acesso mais rápido ao conteúdo dos produtos e consiga oferecer uma orientação verdadeiramente consultiva aos clientes.
Na prática, a tecnologia pode ajudar a identificar diferenças entre as coberturas disponíveis e apontar questões que merecem ser verificadas antes da contratação. Para Leonardo, esse tipo de aplicação contribui para decisões mais qualificadas e para uma experiência melhor do consumidor.
O executivo também ressaltou que a evolução tecnológica não elimina a importância das relações humanas no negócio. Segundo ele, esse é um dos diferenciais da companhia e precisa caminhar junto com os investimentos em inovação.
Ao apresentar os resultados da empresa, Leonardo destacou que, neste ano, a seguradora de Vida e Previdência deve atingir R$ 4 bilhões em [trecho incompreensível] e pagar R$ 800 milhões em benefícios. Ele também mencionou os reconhecimentos recebidos pela MAG como melhor empresa de grande porte para se trabalhar no Brasil, entre as 50 melhores da América Latina e, pela segunda vez, a melhor do Rio de Janeiro.
“Mas não é só a eficiência operacional e a tecnologia que nos diferenciam. Acreditamos que o lado humano do negócio, como o Eduardo já mencionou, é o que nos diferencia. Quem se relaciona com a MAG sabe que isso é genuíno”, declarou.
Preparação para o futuro da inteligência artificial
Ao abordar a evolução tecnológica da companhia, Leonardo explicou que a MAG optou por construir uma base sólida antes de ampliar o uso da inteligência artificial. O processo começou com a estruturação dos dados, a migração de toda a operação para a nuvem e a criação de protocolos de segurança.
Atualmente, segundo o executivo, a MAG está 100% na nuvem. A companhia também investe na capacitação de líderes e colaboradores para que possam utilizar os dados e desenvolver novas soluções. Ele ressaltou que esse é um trabalho contínuo, com novidades implementadas semanalmente.
Essa estratégia está concentrada no programa MAGIA, que reúne as iniciativas de inteligência artificial da empresa. A plataforma organiza e disponibiliza soluções de inteligência de mercado, além de acompanhar resultados e indicar se a companhia está preparada para avançar em suas iniciativas.
Leonardo destacou que a proposta também é ampliar a autonomia dos profissionais, permitindo que diferentes áreas participem da construção de soluções.
“Essa autonomia vai fazer com que a MAG não oprima nosso corpo de colaboradores em relação ao tema, mas potencialize a independência deles. Hoje, qualquer colaborador da companhia pode utilizar a plataforma MAGIA”, explicou.
Para o executivo, a adoção da inteligência artificial exige uma mudança de mentalidade dentro das organizações. Mais do que disponibilizar ferramentas, é necessário estimular a responsabilidade de quem desenvolve e utiliza as soluções.
“Não é uma questão de tecnologia, é uma questão de responsabilidade. Cada um vai ser dono e gestor daquilo que desenvolver”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, Leonardo antecipou que a estratégia de inteligência artificial da MAG seria aprofundada em um painel com o CEO da companhia, Helder Molina. O executivo também apresentou um vídeo produzido com inteligência artificial para demonstrar parte das iniciativas e conquistas da empresa.

