O painel “A tecnologia apoiando a jornada de crescimento focada no corretor” reuniu Edson Franco, CEO da Zurich Seguros; Erika Medici, CEO da AXA no Brasil; e João Geo Neto, CEO da Pottencial Seguradora. O debate foi realizado na Sala Paulo Botti, durante o primeiro dia do CQCS Inovação 2026. O encontro dos executivos fez parte do Painel de Líderes, que reúne CEOs e presidentes das principais companhias seguradoras do setor para debater desafios, tendências e novas perspectivas para o mercado de seguros.
Edson Franco destacou que a Zurich Seguros tem como foco a jornada do corretor e, há anos, investe na capacitação tecnológica e humana para o desenvolvimento desse canal de distribuição. No entanto, para o executivo, a tecnologia precisa estar a serviço do negócio e de um propósito. “Só faz sentido quando facilita a vida das pessoas, sejam estas clientes ou corretores”, disse.
O CEO da Zurich também apresentou uma pesquisa realizada pela companhia sobre empatia. O levantamento aponta que 86% dos participantes valorizam empresas empáticas e genuinamente preocupadas com suas necessidades; 72% acreditam que a empatia diminui logo após a contratação; e 62% reconhecem que a inteligência artificial não é empática, mas pode ser útil quando acompanhada do cuidado humano. “Os dados mostram a importância de utilizar a tecnologia de forma alinhada aos negócios, aos objetivos e aos valores que as empresas desejam transmitir”, ressaltou.
Para Franco, a tecnologia transforma eficiência em experiência positiva. Na Zurich, com a aplicação de ferramentas, houve uma redução de 80% nos chamados de vistoria prévia; 50% das análises de sinistro sem atuação. aprovado em poucos minutos; o tempo médio para regulação de sinistro diminuiu de 9 para 1 dia; e a abertura de sinistro em quatro minutos pelo App Zurich One.
Participante do painel, Erika Medici destacou que a AXA no Brasil vem investindo em tecnologia, sem deixar a humanização de lado. “O corretor brasileiro é, quando a gente olha para os riscos corporativos, muito consultivo. Ele trabalha junto e conhece o risco”, disse. “Acho que a tecnologia traz muito mais que isso: dá capacidade do corretor crescer”, completou ela.
Para a executiva, a tecnologia garante que o corretor tenha mais tempo para se dedicar a construir relacionamento e pensar caminhos junto ao cliente. “A gente vai sempre buscar a tecnologia como primeira opção, mas, quando a gente percebe que um atendimento requer mais tempo e cuidado, a gente traz a Célula do Guardião, onde a pessoa vai interagir com um time especializado”, pontuou.
Representando a Pottencial Seguradora, João Geo Neto apresentou iniciativas tecnológicas já em operação na companhia, como a agente Patti e o Pottencialize, plataforma digital desenvolvida para identificar riscos e oportunidades de negócios, com destaque para os segmentos de seguro garantia e judicial.
Segundo o executivo, o uso de inteligência artificial na classificação de chamados já apresenta resultados significativos. Neste ano, 88% das demandas foram classificadas automaticamente, enquanto o SLA foi reduzido em cerca de 60%, tornando o atendimento 2,5 vezes mais rápido. O volume de casos que necessitam de classificação humana também caiu de 16,6%, em janeiro, para 9,8%, em setembro.
Para João Geo Neto, o objetivo é tornar os processos mais simples para a companhia e para os parceiros. “Não quero gerar trabalho para o nosso corretor ou nosso parceiro. Quero gerar facilidade”, pontuou. “Tecnologia por tecnologia não é nada: é um meio. Acredito muito no relacionamento, no estar mais próximo, ser ouvinte e tentar entender para atender de uma forma melhor”, concluiu.

