Notícias | 4 de novembro de 2026 | Fonte: CQCS | Livia Alves

IA e dados podem tornar operações mais eficientes e ampliar atuação consultiva dos corretores

A inteligência artificial e o uso estratégico de dados podem contribuir para simplificar processos, aprimorar a experiência dos clientes e ampliar as oportunidades de atuação dos corretores de seguros. No entanto, para que esses recursos gerem resultados efetivos, é necessário combinar eficiência tecnológica, qualidade das informações, controle de custos e atenção às necessidades das pessoas. Esses foram alguns dos pontos abordados durante a discussão sobre o tema “IA e Dados na Transformação do Seguros”, no CQCS Inovação 2026, realizado nesta quarta-feira (4), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

A Diretora de Tecnologia da Informação (CIO) da Zurich Seguros, Zilea Barrilari ressaltou que a transformação digital precisa considerar o fator humano. Segundo ela, a tecnologia deve reduzir o tempo que os corretores dedicam a atividades operacionais, permitindo que concentrem esforços no relacionamento com os clientes e em uma atuação mais consultiva.

A executiva observou que parte significativa da rotina desses profissionais ainda é consumida pela resolução de problemas e pela correção de falhas em processos de diferentes parceiros. Nesse contexto, a automação e a inteligência artificial podem contribuir para tornar as etapas da operação, da subscrição ao sinistro, mais ágeis e eficientes.

“Quanto mais inteligentes forem as plataformas e os processos, da subscrição ao sinistro, mais condições os corretores terão de atender seus clientes e desenvolver melhor sua atuação profissional”, afirmou Zilea.

Ela também destacou que a transformação depende de uma mudança cultural e da preparação das equipes que mantêm contato com corretores e clientes. Para a executiva, as soluções precisam considerar os diferentes níveis de maturidade digital dos profissionais e oferecer jornadas adequadas a cada público, com governança e simplicidade.

Zilea acrescentou que a melhoria da qualidade dos dados e a adoção de plataformas mais acessíveis podem apoiar também a atuação comercial dos corretores, ajudando a identificar oportunidades e o momento mais adequado para apresentar uma solução. A decisão sobre quando abordar o cliente, porém, deve continuar nas mãos do profissional, que conhece suas necessidades e seu histórico.

“A tecnologia não deve substituir esse relacionamento. Pelo contrário, deve ajudar o profissional naquilo que ele não precisa necessariamente conhecer ou aprofundar tecnicamente, oferecendo as informações necessárias para que possa tomar decisões e orientar melhor seus clientes”, ressaltou.

A executiva adiantou ainda que a Zurich prepara um case para demonstrar como a inteligência e a qualidade dos dados podem ser aplicadas à rotina dos corretores. A proposta é liberar mais tempo para o atendimento consultivo, com foco em oferecer a proteção mais adequada a cada cliente, e não simplesmente ampliar a oferta de produtos.

Outro aspecto da transformação digital abordado durante a discussão foi a necessidade de acompanhar os custos e avaliar o retorno dos investimentos em inteligência artificial. Especialista em FinOps da Union IT, Fabiana Costa chamou atenção para o crescimento da adoção dessas soluções e para a importância de entender se a otimização proporcionada por elas compensa os recursos aplicados.

Fabiana explicou que FinOps é uma cultura de colaboração que reúne as áreas de engenharia, finanças e negócios para analisar dados e custos de tecnologia. A metodologia apresentada pela especialista é organizada em três etapas: informar, otimizar e operar. O objetivo é dar visibilidade ao consumo, identificar oportunidades de economia e estabelecer processos de governança.

Ao abordar os gastos com inteligência artificial, ela destacou o aumento do monitoramento pelas empresas. Segundo os dados apresentados, há dois anos cerca de 30% das organizações acompanhavam os custos relacionados à tecnologia. Atualmente, esse percentual chega a 98%.

A mudança está relacionada, entre outros fatores, ao modelo de cobrança de diversos serviços de inteligência artificial, que varia conforme o volume de utilização. Além disso, os preços podem mudar ao longo do tempo, tornando necessário acompanhar o consumo e entender como os recursos estão sendo distribuídos entre as equipes.

“Existe um custo variável, já que muitos serviços de inteligência artificial cobram de acordo com o uso. Além disso, os modelos de precificação podem mudar ao longo do tempo. Por isso, é fundamental ter visibilidade sobre esses gastos”, explicou Fabiana.

Para a especialista, a adoção em larga escala dessas ferramentas precisa vir acompanhada de uma avaliação consistente dos resultados. Mais do que implementar soluções, as empresas precisam compreender quanto cada área consome, como os investimentos são alocados e qual valor efetivo a tecnologia entrega ao negócio.

A qualidade e a segurança das informações também foram apontadas como condições fundamentais para a transformação digital. CFO da Clicksign, Alexandre Manhe destacou que processos digitais, especialmente aqueles que envolvem assinaturas e transações, exigem mecanismos capazes de verificar a autenticidade dos dados e garantir a confiabilidade das operações.

Ele explicou que informações como o equipamento utilizado e a localização de uma pessoa podem contribuir para a validação de uma operação, mas precisam ser verificadas para evitar fraudes e irregularidades. A segurança depende da análise de diferentes etapas, desde a captura e associação dos dados até a conclusão da venda e a entrega do serviço contratado.

“É necessário garantir que todo o processo tenha sido realizado corretamente, desde a associação dos dados até a concretização de uma venda. Todas essas camadas de verificação são importantes para assegurar que a entrega final do serviço corresponda ao que foi contratado”, afirmou Alexandre.

O executivo também chamou atenção para a necessidade de proteger as informações sem comprometer a experiência do usuário. Na avaliação dele, o desafio está em garantir a integridade dos dados em todas as fases da operação, mantendo a jornada simples e evitando etapas que gerem atrito desnecessário.

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