No primeiro dia do CQCS Inovação 2026, realizado nesta quarta-feira (4), Bob Pick, CITO do Grupo Tokio Marine Holdings, apresentou reflexões sobre como humanizar a inteligência artificial e os impactos que a tecnologia pode gerar nos negócios e na sociedade. Com o tema “Transformando o Seguro”, o evento acontece no Transamerica Expo Center, em São Paulo, e reúne profissionais do setor para debater tendências, desafios e caminhos para a inovação.
Durante o painel “Humanizando a IA”, o executivo destacou que a tecnologia representa uma oportunidade para ampliar o alcance do mercado de seguros, especialmente em países como o Brasil, onde ainda existe um grande espaço para crescimento. “Se a gente pensa no mercado brasileiro, 17% das casas estão cobertas pelo seguro. É uma penetração pequena”, afirmou.
Para Pick, a inteligência artificial precisa ser utilizada como um instrumento para ampliar a proteção e fortalecer o papel das seguradoras na sociedade. Ele ressaltou que o propósito do seguro vai além da comercialização de produtos e está diretamente relacionado à capacidade de oferecer suporte diante de situações de risco.
“O propósito do seguro é transferir e gerir riscos. A gente quer fornecer suporte para empresas e pessoas na hora da dificuldade. Então, use a IA para chegar em volume. Precisamos pensar na IA para falar do risco. Se a gente focar apenas em vender soluções de IA, não iremos a lugar nenhum”, pontuou.
O CITO também apresentou dados que demonstram o avanço da inteligência artificial no setor. Segundo os números mencionados durante a apresentação, em 2025, 64% dos investimentos em insurtechs no segmento de seguros foram direcionados por iniciativas relacionadas à IA. Em 2026, esse percentual chegou a 99%. “Isso prova que a IA no seguro é real”, destacou.
Apesar da rápida expansão, Pick alertou que a adoção da tecnologia em larga escala ainda é um desafio para as companhias. Segundo ele, apenas entre 7% e 10% das seguradoras utilizam inteligência artificial de maneira escalável. “Esse é um processo de evolução que precisamos passar como indústria”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a modernização dos sistemas das empresas. O executivo citou um levantamento com 117 companhias da América Latina que declararam possuir sistemas de apólices modernizados. Entretanto, ponderou que a atualização tecnológica não significa, necessariamente, maior diversidade de soluções. “Essa modernidade não significa que tenhamos muitas opções de variedades. Essa tecnologia ainda está complexa e ainda está mudando”, observou.
A segurança e a governança também foram apontadas como questões fundamentais para a incorporação da inteligência artificial. Pick ressaltou que esses temas ganharam relevância recentemente e precisam acompanhar a transformação tecnológica. Segundo ele, a IA modifica os fluxos de trabalho, reorganiza etapas e exige que os profissionais desenvolvam novas habilidades para lidar com os sistemas.
Ao abordar a relação entre pessoas e tecnologia, o executivo defendeu que a inteligência artificial deve permanecer sob controle humano. “A IA não é um asteroide que está vindo para a Terra. Ela é uma invenção humana. A gente controla o que fazemos, como fazemos. Então, nós temos que controlar a IA, e não ela nos controlar”, declarou.
Para ilustrar a necessidade de supervisão, Pick comparou a inteligência artificial a um adolescente cheio de energia, mas que ainda precisa de orientação. “A IA é um adolescente cheio de energia, mas, assim como um adolescente, pode ser preguiçoso, usar suas informações e mentir na sua cara. Então, precisamos ser os professores da IA”, afirmou.
Nesse contexto, o executivo destacou a importância do conhecimento humano na atividade de subscrição. Para ele, os profissionais precisam estar preparados para orientar, avaliar e corrigir as respostas produzidas pela tecnologia. “O subscritor precisa ter a habilidade de um professor de escola”, exemplificou.
Pick também chamou a atenção para um novo desafio provocado pela presença cada vez maior da inteligência artificial nas rotinas corporativas: o esforço contínuo de acompanhar e supervisionar as ferramentas. “O novo tipo de fadiga é gerenciar a IA o tempo todo”, concluiu.

