A sustentabilidade e seu potencial para gerar resultados financeiros estiveram em discussão no CQCS Inovação 2026, realizado nos dias 4 e 5 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). No painel “Sustentabilidade Rentabilizando o Seguro”, Adiel Avelar, CEO da Copart Brasil; Fabio Leme, Diretor Executivo de Linhas Pessoais e Marketing da Zurich Seguros; e Marco Iriate, Líder Global de Sustentabilidade da Solera, discutiram como o reaproveitamento de veículos e peças, a gestão de salvados e as práticas sustentáveis contribuem para a eficiência das operações e a rentabilidade do mercado de seguros.
Adiel Avelar destacou a importância da avaliação correta dos veículos sinistrados para os resultados das carteiras de seguro auto. Segundo o executivo, a chegada de modelos elétricos e híbridos, a valorização das baterias e a falta de histórico de preços de alguns veículos novos aumentam a complexidade dessa análise. “Uma fatia importante do resultado da carteira de automóveis vem da venda do carro batido. Se o salvado vale mais, maior é o impacto no resultado do seguro. Por isso, avaliar corretamente é ainda mais importante. Errar o preço ficou caro”, afirmou.
Avelar também ressaltou que a recuperação e o reaproveitamento dos veículos contribuem para a redução da pegada de carbono, destacando que cerca de cinco milhões de carros por ano voltam a circular ou têm suas peças reaproveitadas.
Fabio Leme ressaltou que a sustentabilidade deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade que influencia as estratégias das empresas. O executivo chamou a atenção para o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil e para a necessidade de adaptação das empresas diante dos riscos ambientais, sociais e econômicos. “A sustentabilidade já chegou e é fato. O tema veio para ficar e não vai sair da agenda. Ele estará presente em todos os tipos de negócios e indústrias”, afirmou.
Leme também destacou três premissas que orientam essa jornada: convicção, conveniência e constrangimento, reforçando que a sustentabilidade precisa fazer parte da própria maneira como as empresas conduzem seus negócios.
Marco Iriate abordou a relação entre sustentabilidade e rentabilidade a partir do reaproveitamento de peças automotivas. Segundo o executivo, a utilização de componentes recuperados pode reduzir custos e, simultaneamente, diminuir a pegada de carbono das operações.
Ele também apontou três desafios para ampliar essa prática: o alinhamento de interesses entre seguradoras e redes de oficinas, as dificuldades logísticas para desmontagem e reaproveitamento de veículos e a percepção de que peças usadas oferecem menos segurança. “Felizmente, nessa indústria, o que é mais rentável também está associado a uma menor pegada de carbono. Existe um efeito multiplicador na redução das emissões, mas ainda precisamos superar algumas barreiras para que o uso dessas peças sustentáveis seja adotado em maior escala”, explicou.

