O papel das Managing General Agents (MGAs) na diversificação dos canais de distribuição e na ampliação do acesso ao seguro esteve em discussão no CQCS Inovação 2026, realizado nos dias 4 e 5 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). No painel “MGAs Ampliando a Penetração do Seguro”, Camila Calais, Sócia do Mattos Filho; Julia Lins, Diretora de Infraestrutura de Mercado e Supervisão de Conduta da Susep; e Marcelo Assumpção, Chairman do ASAS Group, discutiram as características desse modelo de atuação, seus aspectos regulatórios e as oportunidades para o mercado brasileiro.
Camila Calais destacou que a presença de novos intermediários no setor de seguros pode gerar dúvidas inicialmente, especialmente quando os modelos de negócio não se enquadram nas estruturas tradicionais já conhecidas pelo mercado. Para a executiva, essa diversidade contribui para ampliar as possibilidades de distribuição. “Sempre que surge uma nova realidade no setor, é natural que existam dúvidas e que as pessoas tentem colocar essas instituições em categorias que já conhecem. No entanto, a possibilidade de termos intermediários diversos torna o mercado mais rico, porque permite que diferentes canais atuem com os produtos de seguros”, afirmou.
Julia Lins ressaltou que o tema das MGAs está em evidência na Susep e esclareceu que a atuação desses modelos precisa ser compreendida dentro das particularidades da regulamentação brasileira. Segundo ela, o mercado nacional possui características diferentes das observadas em outros países, especialmente em relação ao nível de liberalização. “Nenhuma etapa que compõe o ciclo de vida de um produto está fora da regulação da Susep. Qualquer atividade que interaja com o consumidor, mesmo que não seja exclusiva da seguradora, está sujeita à regulamentação da autarquia”, explicou.
Marcelo Assumpção destacou que as MGAs representam uma forma especializada de atuação, baseada em conhecimento técnico, estruturação de soluções e conexão entre diferentes participantes do mercado. “A MGA não é seguradora, corretora, assessoria ou resseguradora. É uma forma de atuação especializada, fundamentada no conhecimento técnico e na estruturação de soluções para riscos diferentes e complexos, respeitando os contratos e as normas brasileiras”, afirmou. O executivo acrescentou que essa especialização permite identificar necessidades pouco atendidas, desenvolver produtos para novos nichos e aproximar conhecimento técnico, distribuição e capacidade seguradora, contribuindo para ampliar o acesso ao seguro.

