As mudanças trazidas pela nova regulamentação e seus impactos na gestão e na contratação de grandes riscos estão entre os temas em destaque no CQCS Inovação 2026, realizado nos dias 4 e 5 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). O assunto foi tema do painel “Grandes Riscos à luz da Nova Regulamentação”, com a participação de Thiago Molena, Superintendente Jurídico e de Sinistro da Wiz Corporate; Thais Monteiro, Sócia da prática de Seguros, Resseguros e Previdência Privada do Mattos Filho; e Felipe Aragão, fundador e executivo chairman da Latin Re.
Thais Monteiro, Sócia da prática de Seguros, Resseguros e Previdência Privada do Mattos Filho, destacou que as mudanças nas relações contratuais exigem maior atenção das seguradoras à definição de responsabilidades e à gestão de riscos. Ao abordar os impactos dessas transformações, resumiu a questão: “Menos prazo, mais ônus”. Segundo a executiva, a precificação e a comprovação das condições contratuais são pontos centrais para as companhias. “Para a seguradora, o tema é preço e prova: o que deixa de ser negociado vira risco de sinistro”, ressaltou.
Thiago Molena, Superintendente Jurídico e de Sinistro da Wiz Corporate, destacou os desafios de conciliar legislação e inovação no mercado de seguros. “Quando tratamos desses dois temas, é complicado colocar legislação e inovação na mesma frase de forma otimista”, afirmou.
O executivo ressaltou que, enquanto o setor avança em discussões sobre inteligência artificial, ainda existem questões regulatórias importantes a serem enfrentadas. Ao abordar a liberdade contratual, defendeu a necessidade de previsibilidade jurídica para estimular investimentos. “Precisamos ter um ambiente de previsibilidade para que os empresários possam investir cada vez mais e acompanhar as transformações do mercado”, pontuou.
Molena também destacou a importância da clareza das cláusulas, das condições personalizadas, da hierarquia contratual e do registro das negociações, além de questionar a aplicação das mesmas diretrizes aos diferentes ramos de seguros. “Temos legislações para todos os seguros, todos estão sob as mesmas rédeas”, concluiu.
Felipe Aragão, fundador e executivo chairman da Latin Re, destacou os desafios de trabalhar com grandes riscos em um cenário de incerteza jurídica. “Trabalhar com grandes riscos em meio à incerteza jurídica é quase um paradoxo. As regras mudam, mas as operações complexas continuam exigindo compromissos de longo prazo”, afirmou.
Segundo ele, esse mercado trabalha com horizontes de três, cinco ou até dez anos, o que torna a previsibilidade ainda mais importante. Aragão ressaltou que a confiança é construída na rotina, por meio da transparência, do comprometimento de pessoas e processos e da consistência no cumprimento dos acordos. “A consistência no cumprimento dos compromissos sustenta parcerias duradouras”, pontuou.
O executivo também destacou o valor do histórico e do conhecimento acumulado sobre cada operação, fatores que fazem a diferença nos processos de renovação. “Quanto maior a incerteza sobre as regras, mais importante se torna a previsibilidade”, concluiu.
O debate reforçou a importância de acompanhar as transformações regulatórias e compreender seus reflexos nas operações, nas estratégias de gestão e nas relações entre os diferentes agentes envolvidos no segmento de grandes riscos. A discussão contribuiu para ampliar o conhecimento sobre os desafios e as oportunidades que surgem com o novo cenário normativo e seus efeitos no mercado de seguros.
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