A integração do seguro a diferentes negócios e serviços pode abrir novas oportunidades de crescimento e ampliar o acesso à proteção no Brasil. O tema foi discutido nesta quarta-feira (4), durante o CQCS Inovação 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Na sala 7, Claudia Papa, vice-presidente para a América Latina e Head Regional de Distribuição (LatAm) da Starr; Rafael Mazaro, CEO da Noorden; e Renato José Ferreira, CEO e fundador da Suthub, participaram da palestra “Embutindo o Seguro e Crescendo o Mercado”, abordando os desafios para incorporar a proteção à jornada de compra e atender necessidades ainda pouco exploradas.
Claudia Papa destacou a existência de uma grande lacuna de proteção no Brasil, utilizando o seguro de celulares como exemplo. Segundo ela, embora cerca de 90% das pessoas com mais de 10 anos tenham um smartphone e 70% das vendas desses aparelhos sejam financiadas, apenas 4% dos celulares estão segurados.
“É o bem mais roubado. É a nossa vida, a gente está conectado o dia inteiro, mas é o bem mais roubado. Por que só 4% dos celulares hoje são segurados?”, questionou.
Para a executiva, ampliar os canais de distribuição não é suficiente. É preciso mudar a abordagem e considerar as atividades e os riscos específicos de cada consumidor ou empresa, em vez de oferecer soluções padronizadas. Ela citou as mudanças climáticas, os perigos elétricos e a inteligência artificial como fatores que ampliam as exposições e exigem novas formas de proteção.
Claudia também ressaltou que famílias que vivem na mesma região ou pequenas empresas do mesmo segmento podem apresentar necessidades muito diferentes. Por isso, defendeu o uso da tecnologia para desenvolver ofertas mais adequadas a cada realidade.
“Como é que nós, nesses canais, conseguimos levar uma proteção diferente para cada uma dessas pessoas? Temos que olhar para a atividade e entender onde estão os riscos. Se mudarmos essa lógica e utilizarmos a tecnologia, podemos encontrar soluções para necessidades que ainda não são atendidas pelo mercado”, destacou.
A executiva ainda lembrou o surgimento do primeiro seguro massificado do Brasil, há 28 anos, a partir de uma iniciativa no interior de São Paulo, chamada Amparia Paulista de Torcedores, que reuniu corretores, seguradoras e empresas para levar proteção a uma população que não tinha acesso a esse tipo de produto. Para ela, a criação de novos mercados depende da construção de ecossistemas e de decisões estratégicas das empresas.
Tecnologia e distribuição precisam caminhar juntas
Rafael Mazaro destacou as oportunidades do seguro integrado para ampliar o alcance das soluções, especialmente no segmento de middle market. Para o CEO da Noorden, empresa de tecnologia com mais de 15 anos de atuação, é necessário desenvolver estratégias que considerem os diferentes canais de relacionamento e as necessidades dos públicos atendidos.
“Quando falamos de embedded insurance para esse público, não estamos tratando apenas de um produto ou de uma estratégia comercial. Estamos falando de como entregar diferentes canais e possibilidades para que esse segmento possa produzir cada vez mais e melhor”, afirmou.
O executivo também chamou a atenção para o desafio de acesso ao cliente, especialmente em um cenário no qual as pessoas estão conectadas por canais como o WhatsApp. Segundo ele, é importante desenvolver soluções que atendam não apenas às grandes corretoras e aos novos negócios, mas também a segmentos que ainda têm menor acesso a essas oportunidades.
Oferta precisa fazer sentido para o consumidor
Renato José Ferreira apontou que, apesar de a tecnologia para incorporar seguros a diferentes negócios já estar disponível, ainda existe dificuldade em apresentar a proteção de maneira relevante durante a jornada de compra.
“A pergunta é: por que, então, é tão difícil fazer alguém perceber a necessidade de encontrar esse produto ou serviço? A tecnologia já permite que praticamente qualquer negócio ofereça esse tipo de solução, mas precisamos entender o contexto e identificar quando a proteção realmente pode ser importante para o consumidor”, questionou.
Para exemplificar, o CEO da Suthub relatou uma experiência pessoal ao comprar um celular. Mesmo conhecendo a importância do seguro, não recebeu uma oferta durante a compra e, ao perguntar sobre a possibilidade de contratação, foi informado de que aquele produto não tinha cobertura.
Na avaliação de Renato, a disponibilidade tecnológica não garante uma oferta adequada. É necessário compreender as necessidades individuais e apresentar produtos que tenham relevância para cada consumidor.
“O que realmente importa é oferecer algo que faça sentido para cada pessoa, considerando suas necessidades e circunstâncias reais. Aquilo que é importante para mim pode não ser importante para outra pessoa, e esse é um desafio que precisamos enfrentar”, destacou.
As contribuições dos executivos apontaram para um desafio comum: transformar a capacidade tecnológica e os diferentes canais de distribuição em oportunidades concretas de proteção. Mais do que disponibilizar produtos em novos canais, o crescimento do seguro integrado depende de compreender os riscos e oferecer soluções que façam sentido para cada consumidor.

