Depois de anos investindo na digitalização de processos, na criação de portais e na automação de cotações, o mercado de seguros entra em uma nova etapa: incorporar inteligência artificial à infraestrutura que conecta seguradoras, assessorias, corretores e canais de distribuição.
Para Renato José Ferreira, CEO da SUTHUB, essa evolução representa a passagem do seguro embutido à inteligência embarcada. O conceito reúne dois movimentos complementares: levar a proteção até as jornadas de consumo e incorporar inteligência à estrutura tecnológica que torna essa distribuição possível.
“Durante muitos anos, digitalizamos processos e automatizamos operações. Foram avanços importantes, mas o corretor ainda precisa acessar diferentes sistemas, transferir informações e acompanhar manualmente muitas etapas do trabalho. A inteligência artificial abre a possibilidade de inverter essa lógica, fazendo com que a tecnologia trabalhe cada vez mais a favor de quem está na ponta”, afirma Renato.
Da integração à inteligência embarcada
O seguro embutido vem ampliando as possibilidades de distribuição ao integrar a proteção à jornada de consumo, seja na compra de um veículo, na contratação de um serviço ou em uma experiência digital.
Por trás dessa experiência, entretanto, existe uma infraestrutura que precisa conectar produtos, seguradoras, regras de negócio e diferentes canais de distribuição.
É nessa estrutura que Renato identifica uma das principais oportunidades da inteligência artificial.
“O seguro embutido aproxima a proteção de onde o cliente está. Já a inteligência embarcada permite incorporar capacidade de análise e automação à infraestrutura que viabiliza essa distribuição. Não se trata simplesmente de criar mais uma ferramenta, mas de fazer com que os sistemas trabalhem de forma mais integrada e inteligente”, explica.
Segundo o executivo, essa combinação pode beneficiar todo o ecossistema. Para as seguradoras, representa a possibilidade de ampliar o alcance dos produtos. Para as assessorias, pode facilitar a atuação junto às suas redes. E, para os corretores, significa reduzir a complexidade operacional e criar novas oportunidades comerciais.
Oportunidades que já estão na carteira
Na avaliação de Renato, um dos impactos mais relevantes dessa evolução estará na capacidade de aproveitar melhor as informações que as corretoras já possuem.
Cotações que não se transformaram em contratos, renovações próximas, histórico de relacionamento e oportunidades de oferecer novas coberturas são exemplos de informações que frequentemente permanecem dispersas em sistemas, planilhas e mensagens.
“Muitas corretoras têm um potencial comercial maior do que conseguem enxergar. Uma cotação que não virou contrato, por exemplo, pode trazer informações importantes sobre o cliente e abrir espaço para uma nova abordagem. Com dados organizados e inteligência artificial, podemos identificar oportunidades que hoje acabam passando despercebidas”, observa.
Essa visão também orienta o desenvolvimento da Multico.ai, plataforma da SUTHUB que busca ir além da multicotação tradicional, reunindo recursos para apoiar a gestão comercial, o acompanhamento de oportunidades e o relacionamento com clientes.
“A multicotação trouxe um ganho importante de produtividade, mas a jornada comercial não termina quando o corretor apresenta uma proposta. O desafio agora é aproveitar melhor as informações e transformar esse conhecimento em novas possibilidades de negócio”, acrescenta Renato.
A tecnologia não substitui o papel do corretor
Apesar do avanço da inteligência artificial e dos agentes capazes de executar atividades com maior autonomia, Renato considera fundamental preservar a responsabilidade humana nas decisões relacionadas à proteção dos clientes.
“Uma coisa é automatizar processos; outra é transferir a responsabilidade pelas decisões. O corretor continua sendo imprescindível para compreender as necessidades do cliente, orientar sobre coberturas e ajudar na escolha da proteção mais adequada”, destaca.
Para o executivo, a inteligência artificial deve contribuir para reduzir atividades repetitivas, organizar prioridades e permitir que o corretor dedique mais tempo ao relacionamento e à consultoria.
“Se o corretor precisar se tornar um especialista em inteligência artificial para conseguir utilizá-la, não teremos resolvido o problema. A tecnologia precisa simplificar o trabalho, e não criar uma nova camada de complexidade”, ressalta.
Essa transformação também pode favorecer as pequenas corretoras, permitindo que tenham acesso a recursos tecnológicos e capacidades de gestão antes mais comuns em operações de maior porte.
Uma nova etapa para o mercado de seguros
Prestes a completar dez anos de atuação, em 2027, a SUTHUB vê a incorporação de inteligência artificial à infraestrutura como uma evolução natural de seu trabalho de integração do mercado.
“Quando começamos a SUTHUB, nosso desafio era conectar seguradoras, assistências e canais de distribuição. Ao longo desses anos, construímos uma infraestrutura que muitas vezes não aparece para o consumidor, mas que é essencial para que os negócios aconteçam”, lembra Renato.
Na visão do executivo, o Brasil ainda tem muito espaço para ampliar o acesso aos seguros, e a combinação entre integração, tecnologia e inteligência artificial pode contribuir para tornar a distribuição mais simples e eficiente.
“Agora temos a oportunidade de acrescentar inteligência a essa infraestrutura, simplificando o trabalho de quem está na ponta e criando novas possibilidades de distribuição. Olhando para esses quase dez anos de SUTHUB, vejo que nosso propósito continua o mesmo: ajudar o mercado de seguros a crescer. O que muda é a capacidade que temos hoje de fazer isso acontecer”, conclui.

