Notícias | 14 de agosto de 2026 | Fonte: CQCS | Livia Alves

Salesforce aposta em IA e integração para apoiar seguradoras na adequação ao SRO v3

A entrada em vigor da terceira versão do Sistema de Registro de Operações (SRO v3), da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), marca uma nova etapa para o mercado de seguros. Embora não tenha instituído uma obrigação regulatória inteiramente nova, a atualização passou a exigir a adequação das seguradoras a um novo layout, com reorganização dos campos e ampliação do escopo técnico das informações reportadas. Na prática, essa evolução reforça a necessidade de dados mais consistentes, sistemas integrados e processos automatizados para assegurar eficiência operacional e conformidade regulatória.

Nesse cenário, a tecnologia passou a ocupar um papel estratégico. Além de apoiar o cumprimento das exigências do regulador, plataformas especializadas ajudam as seguradoras a organizar seus dados, reduzir retrabalho e aumentar a eficiência operacional. Entre as empresas que atuam nesse segmento, a Salesforce aposta em uma plataforma integrada para conectar sistemas, automatizar fluxos e transformar uma obrigação regulatória em uma oportunidade de evolução dos negócios.

Leonardo Boaventura, vice-presidente regional da Salesforce, avalia que o maior desafio enfrentado pelo mercado atualmente é justamente a organização das informações. “A adequação à terceira versão (V3) do Sistema de Registro de Operações (SRO) da SUSEP é, antes de tudo, um desafio de dados: a seguradora precisa reunir informações granulares e padronizadas de sistemas frequentemente fragmentados, como: emissão, sinistros, cobranças, previdência e entregá-las no novo padrão, dentro dos prazos e das regras de validação, sem risco de rejeição.”

Segundo Boaventura, a Salesforce atua conectando sistemas legados, integrando informações e organizando os dados das seguradoras, para que o envio à SUSEP seja realizado pelas entidades registradoras credenciadas de forma padronizada e auditável.

“É nessa cadeia que a Salesforce atua como plataforma tecnológica de suporte. Por meio de capacidades de integração e gestão de APIs, podemos conectar sistemas legados e o core das seguradoras, apoiando a orquestração dos fluxos de dados de forma padronizada, segura e rastreável, para que seja enviado pelas registradoras à Susep. Com a nossa camada de unificação e harmonização de dados, colocamos os dados dispersos em um modelo único e confiável, tratando a qualidade e a granularidade que a V3 passou a exigir.”

Segundo a Susep, a atualização do SRO foi desenvolvida para elevar a qualidade dos registros e simplificar a troca de informações entre o mercado e as entidades registradoras.

“A versão 3 (v3) do Sistema de Registro de Operações (SRO) teve vários objetivos, dentre os quais destacamos: aumentar a qualidade dos registros efetuados, a partir da definição de diversas regras que devem ser validadas no momento do registro das operações; otimização do processo de envio das operações, por meio da agregação das informações, da redução da periodicidade e da revisão de todos os blocos de dados do leiaute.”

“Padronização no envio de dados entre diferentes entidades registradoras, facilitando o diálogo e a resolução de dúvidas com o mercado supervisionado, independentemente da entidade registradora utilizada”, destaca a Susep.

A autarquia destaca que, ao contrário do que muitos imaginam, a nova versão não ampliou as exigências para as seguradoras, mas promoveu ajustes que simplificam parte do processo de envio das informações.

“A versão 3 não introduziu novas exigências para as seguradoras. Pelo contrário, flexibilizou o envio de determinadas informações, como as relativas às provisões técnicas, para as quais houve significativa redução do conjunto de dados exigidos, e às movimentações financeiras e de sinistros, que deixam de ser enviadas individualmente e passam a ser solicitadas de forma agregada, com periodicidade mensal.”

Ao mesmo tempo, o órgão regulador reforça que o funcionamento do sistema depende diretamente da qualidade da infraestrutura tecnológica utilizada pelas companhias.

“A tecnologia é essencial para o atendimento às exigências do SRO, tanto sob a perspectiva dos sistemas internos das seguradoras quanto dos sistemas de registro. O volume de dados processado pelo SRO é muito alto. Desde março de 2026, quando iniciou a obrigatoriedade da V3, já tivemos cerca de 1.3 bilhão de operações registradas, com picos de aproximadamente 400 milhões de registros em um único mês.”

Além do elevado volume de informações, a experiência da implantação já demonstra ganhos para as próprias seguradoras.

“Há relatos de diversas seguradoras, atestando que a obrigação do registro fez com que elas revissem procedimentos operacionais, contratos com fornecedores e controles internos, aumentando seu nível de governança de dados e sua eficiência operacional.”

Desafio envolve processos, pessoas e tecnologia

Para a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a adequação ao SRO v3 representa uma transformação que vai muito além da atualização dos sistemas. Alexandre Leal, diretor técnico de Estudos e de Relações Regulatórias da CNseg, explica que as mudanças envolvem praticamente toda a operação das companhias.

“A adequação ao SRO v3 vai muito além de uma simples alteração de leiaute. Trata-se de uma transformação transversal, que envolve sistemas, processos operacionais, governança de dados, interpretação regulatória e a interação com as registradoras, que passaram a exercer um papel relevante no fluxo de informações entre as entidades supervisionadas e a Susep.”

Segundo Leal, as seguradoras também precisaram rever processos internos e automatizar etapas para garantir qualidade e eficiência na transmissão das informações. “As seguradoras têm buscado conciliar a conformidade regulatória, eficiência operacional e qualidade das informações por meio da revisão de processos, do aprimoramento dos controles internos e da automação das etapas de extração, tratamento, validação e transmissão dos dados ao SRO.”

Na avaliação da entidade, a integração entre todos os participantes do ecossistema será determinante para o sucesso da nova estrutura. “O principal avanço necessário não está, necessariamente, na criação de uma nova plataforma de apoio às companhias, mas no aprimoramento da integração entre os sistemas das seguradoras, as registradoras e a Plataforma Integrada da Susep.”

Como a Salesforce apoia a adequação ao SRO v3

Além da integração entre sistemas, a Salesforce destaca recursos voltados à gestão, qualidade e segurança dos dados, incluindo um modelo específico para o setor de seguros, criptografia, trilhas de auditoria e monitoramento de eventos para apoiar a conformidade regulatória e a LGPD.

A empresa explica que sua plataforma reúne capacidades voltadas à integração dos sistemas internos das seguradoras, à unificação das informações e à governança dos dados, criando uma base única para atender às exigências do SRO v3 e apoiar outras operações do negócio.

Leonardo Boaventura, vice-presidente regional da Salesforce, afirma que o diferencial da companhia está em oferecer essas funcionalidades de forma integrada.

“O principal diferencial é a plataforma única e integrada. Em vez de somar ferramentas pontuais de integração, dados, automação e analytics de fornecedores distintos, a seguradora encontra essas capacidades nativamente conectadas, o que reduz a complexidade de arquitetura, custo de manutenção e pontos de falha.”

Segundo o executivo, essa estrutura também fortalece a governança das informações e reduz a necessidade de múltiplas soluções para atender às exigências regulatórias.

“Quatro capacidades da Salesforce vão ao encontro dos temas citados: integração, gestão e qualidade, modelo de negócio e governança e segurança. Consolida dados de múltiplas fontes em um único modelo harmonizado, funcionando como fonte única de verdade, além de aplicar regras de qualidade, deduplicação e enriquecimento, essencial diante da exigência de dados granulares e consistentes da V3.”

Na avaliação da empresa, a integração dos sistemas, aliada à padronização das informações e aos mecanismos de segurança, contribui para reduzir a complexidade operacional das seguradoras e tornar o processo de adequação ao SRO v3 mais eficiente.

Com essa abordagem, a Salesforce busca apoiar as seguradoras não apenas no atendimento às exigências regulatórias atuais, mas também na construção de uma arquitetura tecnológica preparada para acompanhar futuras evoluções do mercado de seguros.

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