Corretores de seguros que atuam como empresas optantes pelo Simples Nacional também precisarão tomar uma decisão importante entre 1º e 30 de setembro de 2026 após a nova etapa da Reforma Tributária. Nesse período, será necessário definir como será o recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, escolha que poderá influenciar a carga tributária, o fluxo de caixa e a competitividade da corretora.
Para Affonso D’Anzicourt, administrador e consultor contábil e tributário do Grupo AUDICENT, o momento exige cautela. Segundo ele, ainda há indefinições importantes sobre as alíquotas que serão aplicadas, o que torna o planejamento tributário indispensável antes da escolha.
“A maior preocupação hoje é justamente essa opção que será feita em setembro. Ainda não sabemos quais serão as alíquotas definitivas, porque essa definição depende de decisões que ainda serão tomadas. Por isso, a orientação é que o empresário faça um planejamento antes de escolher.”
De acordo com o especialista, a análise não deve considerar apenas a tributação, mas também os reflexos da decisão sobre toda a estrutura da empresa.
Danzicourt explica que optar por um regime sem uma análise prévia pode gerar impactos financeiros relevantes nos próximos anos. “A empresa precisa projetar sua receita para 2027 e avaliar qual será o cenário mais vantajoso. Não basta olhar apenas para o imposto. É preciso analisar benefícios trabalhistas, custos operacionais e todos os efeitos da escolha.”
Segundo ele, ferramentas de planejamento tributário permitem simular diferentes cenários futuros e identificar qual modelo tende a oferecer melhores resultados ao longo dos próximos anos.
Além disso, a reforma traz novas obrigações acessórias para as empresas do Simples Nacional. “Todas as empresas terão que emitir nota fiscal. E também será preciso muito cuidado com os créditos tributários. Nem toda despesa gera crédito. As despesas precisam estar diretamente relacionadas à atividade da empresa.”
Na avaliação do consultor, um dos principais erros é analisar apenas o valor do imposto. “Não adianta pensar apenas que um regime pode pagar menos tributo. Hoje ninguém sabe exatamente como ficará a carga tributária. É preciso comparar também os encargos trabalhistas, a estrutura da empresa, a quantidade de funcionários e todos os custos envolvidos para preservar o fluxo de caixa.”
Segundo ele, a decisão deve considerar a sustentabilidade financeira do negócio no médio e longo prazo. “O planejamento é essencial para manter a gestão financeira organizada e evitar surpresas quando a nova sistemática entrar em vigor.”
Embora a mudança atinja empresas de diversos segmentos, D’Anzicourt acredita que os corretores de seguros também devem aproveitar esse momento para fortalecer a gestão de seus negócios.
Segundo ele, a reforma não deve ser encarada como uma ameaça, mas como um incentivo à organização financeira e administrativa. “Eu não vejo a reforma como um prejuízo para o corretor. Vejo uma oportunidade para quem faz gestão. Quem conhece suas despesas, sua receita, seu resultado financeiro e acompanha seus números consegue tomar decisões muito melhores.”
O especialista destaca que o corretor deve acompanhar indicadores como fluxo de caixa, despesas mensais e rentabilidade para escolher o regime mais adequado e manter a saúde financeira da corretora. “Hoje, gestão é a palavra-chave. Quem conhece o próprio negócio consegue enfrentar qualquer mudança tributária com muito mais segurança.”
Para D’Anzicourt, a definição que será feita em setembro deve ser precedida por uma análise técnica, considerando não apenas os novos tributos, mas todos os impactos que a decisão poderá gerar para o crescimento e a competitividade das empresas nos próximos anos.

