O uso de dados e de novas tecnologias para aprimorar processos, combater fraudes e qualificar a assistência à saúde esteve no centro do terceiro painel da Sala 4 do CQCS Inovação 2026, realizado nesta quarta-feira (4), no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Com o tema “Dados & Tech refinando a Saúde Privada no Brasil”, o debate reuniu Katia Galvane, diretora executiva de Insurance – Health da NTT DATA; Flavio Bitter, diretor-geral da Bradesco Saúde; e Eduardo Kolmar, diretor executivo e líder de People Solutions da Lockton Brasil.
Durante a discussão, os participantes destacaram que, embora os avanços tecnológicos já contribuam para tornar as operações mais eficientes, ainda existem desafios relacionados à integração das informações, ao alinhamento entre os diferentes agentes do setor e à necessidade de combinar análises tecnológicas e humanas para melhorar os resultados da saúde privada.
Flavio Bitter ressaltou que a inteligência artificial tem contribuído para acelerar processos e tornar a jornada dos beneficiários mais fluida. Segundo ele, a tecnologia também representa uma oportunidade de reduzir o tempo dedicado a atividades operacionais e ampliar a eficiência das empresas.
“O uso da inteligência artificial tem nos apoiado muito na aceleração dos processos e na construção de jornadas cada vez mais fluidas. Também temos avançado no enfrentamento de fraudes e na melhoria das questões operacionais, o que permite otimizar o tempo das empresas”, afirmou.
O executivo também chamou atenção para a importância da padronização na troca de informações entre prestadores de serviços e operadoras. Para ele, a integração dos dados precisa considerar critérios e códigos comuns, que permitam organizar as informações utilizadas nas etapas operacionais e de faturamento.
Na avaliação de Katia Galvane, a fragmentação das informações ainda representa um obstáculo para a evolução do setor. A executiva destacou os avanços na circulação de dados entre prestadores de serviços e empresas, mas ponderou que o aumento do volume de informações, por si só, não garante melhorias efetivas na assistência.
“Há anos discutimos a fragmentação do setor de saúde. Até o ano passado, cerca de 46% das informações circulavam entre prestadores de serviços e operadoras. Agora, já chegamos a 90%. No entanto, não vejo necessariamente um impacto positivo quando essas informações circulam em uma velocidade tão grande, sem que isso se traduza em melhores resultados”, avaliou.
Katia também abordou a necessidade de transformar a lógica de remuneração e superar um modelo que, segundo ela, mantém o setor em um ciclo de desafios. Para a executiva, a análise dos desfechos clínicos é fundamental para avançar nesse processo.
“A mudança no modelo de remuneração não é uma discussão recente, mas ainda não conseguimos sair desse ciclo vicioso. Sabemos que não vamos conseguir superá-lo se não houver uma análise dos desfechos, que permita compreender efetivamente os resultados gerados pelos cuidados com a saúde”, destacou.
Já Eduardo Kolmar chamou atenção para a necessidade de maior integração e conscientização entre os diferentes participantes do ecossistema de saúde. Segundo ele, operadoras, hospitais, empresas e demais agentes ainda enfrentam dificuldades para alinhar interesses e compreender as necessidades uns dos outros.
“Precisamos entender que, muitas vezes, os agentes desse ecossistema trabalham em direções opostas. Existe uma necessidade de maior engajamento e conscientização entre todos os envolvidos. A tecnologia, sem dúvida, ajuda a tomar decisões mais rápidas dentro desse ambiente”, afirmou.
O executivo também destacou que a fraude e os processos operacionais estão entre os principais desafios observados no cotidiano das empresas. Apesar das contribuições da tecnologia para identificar inconsistências e otimizar procedimentos, Kolmar ressaltou que as decisões relacionadas à saúde não podem prescindir da avaliação humana.
“Uma das questões que mais temos observado no dia a dia é a fraude, além dos desafios da parte operacional. A tecnologia ajuda as empresas a lidar com essas questões, mas não podemos ter uma análise clínica sem também considerar a análise humana”, pontuou.
O debate evidenciou que a transformação digital da saúde privada vai além da ampliação do uso de ferramentas tecnológicas. A integração de dados, a revisão dos modelos de remuneração, o combate às fraudes e a colaboração entre os diferentes agentes foram apontados como caminhos importantes para tornar o setor mais eficiente e, principalmente, melhorar os resultados entregues aos beneficiários.

