O Instituto Clima e Sociedade (iCS) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) promoveram nesta quinta-feira (6), no âmbito do World Climate Summit São Paulo, um encontro dedicado a discutir como o setor de seguros pode contribuir para ampliar a resiliência climática do Brasil.
Diante do avanço da frequência e da intensidade dos eventos extremos e dos impactos econômicos e sociais provocados pelas mudanças climáticas, o encontro reuniu representantes do governo, setor produtivo, seguradoras e instituições financeiras para debater caminhos que conectem ciência, políticas públicas e mercado na construção de soluções de prevenção, proteção financeira e adaptação.
A programação foi dividida em três painéis temáticos: “El Niño, riscos climáticos e proteção financeira: fortalecendo a cultura da proteção e mitigando perdas”; “Infraestrutura resiliente, gestão de riscos climáticos e seguros em concessões públicas”; e “Seguro Rural, Crédito e Gestão de Riscos frente às Mudanças Climáticas”.
Os debates abordaram a necessidade de ampliar a cultura da proteção, desenvolver produtos e soluções alinhados aos novos riscos e fortalecer a participação do mercado de seguros em agendas como infraestrutura, agronegócio, cidades resilientes e transição climática.
A diretora de Sustentabilidade da CNseg, Cláudia Prates, destacou que o encontro buscou aproximar o setor segurador de diferentes segmentos da economia, reforçando sua atuação na prevenção de riscos. “Trouxemos discussões com infraestrutura, agro, bancos e cidades resilientes, mostrando as soluções que o setor segurador pode oferecer na prevenção, muito mais do que só a indenização”, afirmou.
Segundo a executiva, a atuação conjunta com outros setores é fundamental para melhorar a gestão de riscos e fortalecer a agenda de adaptação climática. “O setor segurador pode apoiar essa agenda trazendo conhecimento, olhando como contribuir para prevenção e indenização no futuro, com uma divisão melhor dos riscos na sociedade e como um pilar fundamental para a transição climática”, disse.
Durante o painel sobre El Niño, riscos climáticos e proteção financeira, a presidente do SindSegSP e CEO da Porto, Patrícia Chacon, ressaltou que o avanço da resiliência climática depende de compromissos, dados e colaboração entre diferentes agentes.
“Evoluir a resiliência climática tem três componentes fundamentais: compromissos, uso de dados e ecossistema. Resolver um desafio tão complexo depende de parcerias público-privadas e de uma atuação conjunta para conseguir soluções efetivas”, afirmou.
A diretora de Sustentabilidade da MAPFRE, Fátima Lima, que moderou o painel, destacou o crescimento do protagonismo do setor de seguros nas discussões relacionadas às mudanças climáticas.
“Cada vez mais, dentro da Semana do Clima, o protagonismo do setor de seguros vem à tona. O setor precisa entender os riscos que estão se transformando continuamente para precificar melhor e contribuir para a agenda climática”, explica.
No painel dedicado à infraestrutura resiliente, os participantes discutiram como os seguros podem apoiar projetos de concessões públicas e investimentos de longo prazo diante dos desafios climáticos.
A CEO da AXA no Brasil, Erika Medici, ressaltou a transformação do papel do mercado, que passou de uma atuação focada na indenização para uma posição mais preventiva. “O mercado de seguros tem evoluído junto às discussões de infraestrutura e impacto climático. Deixamos de ser apenas um mercado de indenização para ter um papel fundamental na prevenção e mitigação dos riscos”.
Já o diretor de Infraestrutura da Marsh, André Dabus, destacou a importância de aprimorar produtos e contratos para acompanhar as novas demandas do mercado. “O mercado de seguros é um ator fundamental para garantir que ativos sejam construídos e entregues dentro dos preços, prazos e qualidade esperados. Temos muito a fazer para melhorar serviços, produtos e contratos em benefício da população”, disse.
O seguro rural também esteve entre os temas centrais do encontro, com debates sobre os impactos das mudanças climáticas na produção agropecuária e a necessidade de ampliar mecanismos de proteção para produtores.
O gerente técnico econômico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), João José Prieto Flávio, reforçou a importância de integrar seguro rural, crédito e políticas públicas para enfrentar os novos desafios. “O Brasil sofre cada vez mais com desastres climáticos, e a alteração do clima tem impactado diretamente a produção rural. Precisamos unir setor privado e iniciativa pública para garantir segurança alimentar e desenvolvimento agropecuário”, afirmou.
O diretor de Soluções Agro do IRB Re, Gláucio Toyama, destacou que o cenário atual exige uma revisão do modelo de proteção do agronegócio diante do aumento da frequência e severidade dos eventos climáticos.
“O painel traduz para o setor de seguros uma necessidade de repensar o modelo de negócio. Precisamos de uma nova coordenação e soluções mais próximas da realidade da agricultura, pecuária e dos riscos ambientais no Brasil”, afirmou.
Ao final do encontro, os participantes reforçaram que o mercado de seguros tem papel estratégico na adaptação climática, atuando não apenas na transferência de riscos, mas também no desenvolvimento de soluções preventivas e no apoio à construção de uma economia mais resiliente.

