O seguro rural foi tema de um dos painéis do World Climate Summit São Paulo, realizado nesta quinta-feira (6), com debates sobre os impactos das mudanças climáticas na produção agropecuária brasileira e a necessidade de aprimorar mecanismos de proteção, crédito e gestão de riscos.
Com o tema “Seguro Rural, Crédito e Gestão de Riscos frente às Mudanças Climáticas”, o encontro reuniu representantes da Comissão Rural da FenSeg, IRB Re, Itaú BBA e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que discutiram como dados, práticas sustentáveis e novas soluções podem contribuir para ampliar a cobertura do seguro rural no país.
Durante o painel, os participantes destacaram que o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos exige uma evolução do modelo atual, com produtos mais personalizados, maior integração entre setores e melhor aproveitamento das informações disponíveis para avaliação de riscos.
O presidente da Comissão Rural da FenSeg e gerente executivo de Seguros Rurais da BrasilSeg, Daniel Nascimento, ressaltou que práticas de manejo sustentável podem contribuir para uma melhor avaliação dos riscos pelas seguradoras e para a oferta de condições mais adequadas aos produtores.
“Hoje, a seguradora precisa se apropriar das informações coletadas, por meio de análise de solo e sensoriamento, para dar melhores condições ao produtor. É preciso tratar diferente e não igual todo mundo, não pela média, mas precificar o risco que ela está aceitando”, afirmou.
Daniel também destacou que um dos principais desafios do mercado é avançar na estruturação de dados para desenvolver novos produtos e ampliar a diversificação dos riscos.
O diretor de Soluções Agro do IRB Re, Gláucio Toyama, destacou que o resseguro tem papel fundamental na oferta de capacidade financeira e no desenvolvimento do mercado, mas reforçou a necessidade de revisar modelos de proteção existentes.
“O mercado de seguros agrícolas vai ter que virar a forma como vem trabalhando até então. Os produtos terão que ser revitalizados, com condições específicas para o produtor, novas segmentações e soluções mais aderentes à realidade do campo”, afirmou.
Toyama ressaltou ainda que a ampliação do seguro rural passa pela diversificação de culturas e perfis de produtores, indo além dos segmentos tradicionalmente mais protegidos.
O head de ESG Agro do Itaú BBA, João Adrien, afirmou que a integração entre sustentabilidade e redução de risco climático pode criar novos incentivos para produtores adotarem práticas mais resilientes.
“Quando a gente entra na discussão de redução de risco e atrela sustentabilidade, conseguimos trazer algo muito palpável, que é reduzir o risco climático, justamente em um momento em que o clima tem trazido grandes desafios para a agricultura brasileira”, afirmou.
João Adrien destacou que a construção de uma base de dados integrada será fundamental para entender a relação entre práticas agrícolas, produtividade e exposição a riscos climáticos.
Já o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), João Prieto, defendeu uma atuação coordenada entre todos os agentes envolvidos no agronegócio para transformar o seguro rural em uma prioridade nacional.
“Se perguntarmos para qualquer player do setor agropecuário se o futuro rural é uma prioridade, todos vão responder que sim. O que está faltando é colocar efetivamente o seguro rural como uma prioridade na agenda e fazer todos remarem na mesma direção”, afirmou.
Prieto ressaltou que o avanço depende de uma agenda conjunta entre produtores, cooperativas, seguradoras, instituições financeiras, resseguradoras e governo, com foco em políticas públicas, dados e soluções adaptadas às diferentes necessidades do campo.
Ao longo do debate, os participantes reforçaram que o futuro do seguro rural depende da combinação entre inovação tecnológica, sustentabilidade, ampliação da base de dados e desenvolvimento de produtos capazes de acompanhar a nova realidade climática do agronegócio brasileiro.

