Os recentes episódios envolvendo retenções, interrogatórios e negativas de entrada de profissionais ligados à Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos trouxeram uma nova preocupação para turistas e viajantes internacionais. Em meio às discussões sobre as políticas migratórias norte-americanas, cresce também o interesse por entender quais proteções o seguro viagem pode oferecer quando problemas burocráticos comprometem uma viagem.
Embora muitas pessoas associem o produto exclusivamente à assistência médica, especialistas destacam que o seguro viagem possui coberturas voltadas para diversas situações que podem surgir antes ou durante o embarque, incluindo perda de documentos, atrasos, retenções por autoridades locais e até cancelamentos de viagem.
Segundo Luciana Volante, diretora da vertical de Seguro Viagem da Hero Seguros, é importante esclarecer os limites da proteção. “É importante frisar que seguro-viagem não garante a entrada de um passageiro em um país. Quem decide isso é a autoridade de fronteira e nenhuma seguradora passa por cima disso. O que o seguro faz é cuidar do que vem depois”, afirma.
A executiva explica que determinadas coberturas podem minimizar os prejuízos financeiros decorrentes de imprevistos relacionados à viagem. Entre elas, estão Fiança e Despesas Legais, que pode ser acionada caso o viajante seja detido indevidamente por autoridades estrangeiras, além da cobertura de Permanência Forçada, voltada para despesas extras de hospedagem e alimentação quando o retorno precisa ser adiado por fatores inesperados.
Outro destaque é a cobertura Plus Reason, um diferencial da Hero que amplia significativamente as possibilidades de cancelamento de viagem. Diferentemente das modalidades tradicionais, que costumam limitar o reembolso a situações específicas como doença grave ou falecimento de familiares, o Plus Reason contempla dezenas de motivos que podem impedir o embarque.
A cobertura pode garantir o reembolso de despesas não recuperáveis com passagens, hospedagens e pacotes turísticos em situações como demissão involuntária, roubo de documentos essenciais para a viagem, convocação judicial, cancelamento de casamento, reprovação em exames acadêmicos ou danos graves à residência do segurado, entre outros eventos previstos nas condições contratuais.
“Quando o visto é negado num destino que emite na entrada, o Cancelamento Plus Reason devolve o que ele já tinha gastado. Agora, a negativa de entrada pura e simples, com retorno pra casa, não é um evento que gere indenização automática — e a gente prefere dizer isso na contratação, não no sinistro”, ressalta Luciana.
A repercussão dos casos registrados durante a Copa também vem alterando o comportamento dos consumidores.
De acordo com a executiva, os viajantes estão mais atentos aos riscos que vão além das emergências médicas. “O viajante de hoje é muito mais atento do que era há cinco anos. Ele não pergunta só sobre emergência médica — ele quer saber o que acontece se o voo cair, se a bagagem sumir, se houver problema com autoridade na chegada”, comenta.
Segundo ela, a visibilidade dos problemas migratórios enfrentados por profissionais ligados ao torneio apenas acelerou uma tendência já observada pelo setor. “Com a escala que a Hero opera, mais de um milhão e meio de seguros viagem por ano e cerca de 10% do mercado brasileiro, esse movimento fica nítido pra gente. E um evento como a Copa, com casos de profissionais retidos e vistos negados ganhando repercussão, só acelera essa conversa.”
Além das questões migratórias, a documentação passou a ocupar posição central no planejamento das viagens internacionais. Para Luciana, muitos embarques acabam sendo frustrados não por problemas de saúde, mas por falhas relacionadas a vistos e documentos obrigatórios.
“O maior risco hoje é a documentação. Visto negado ou demora na emissão tira mais gente da viagem do que qualquer outra coisa”, destaca.
Ela lembra ainda que os consumidores precisam conhecer as limitações contratuais das apólices, especialmente em cenários de instabilidade internacional.
“Guerra, motim, perturbação da ordem pública e ato terrorista são riscos excluídos do contrato. Num cenário de tensão, isso muda o jogo, e quem vende seguro tem a obrigação de explicar isso antes — não depois.”
Diante desse cenário, o papel dos corretores se torna ainda mais relevante. A recomendação é orientar os clientes sobre a necessidade de documentação regular, contratação de coberturas adequadas e compreensão clara das garantias oferecidas.
“Documentação impecável e antecipada — visto, ESTA, validade de passaporte. O seguro não substitui isso; ele protege quem fez o dever de casa”, afirma Luciana. Ela também recomenda a contratação de planos que contemplem coberturas como Cancelamento Plus Reason, Fiança e Despesas Legais e Atraso de Voo.
Com grandes eventos internacionais cada vez mais sujeitos a fatores geopolíticos, restrições migratórias e exigências regulatórias, o seguro viagem amplia seu papel como ferramenta de proteção financeira e suporte ao viajante. Como resume a executiva da Hero Seguros, “seguro bom não é o que promete o impossível. É o que te acompanha quando o imprevisto acontece.”

