A nova lesão muscular sofrida por Raphinha durante a partida da Seleção Brasileira no último dia 19, em plena disputa da Copa do Mundo, voltou a colocar em evidência um tema que ultrapassa o desempenho dentro de campo. A ausência de um dos principais jogadores do elenco também representa impactos financeiros para clubes, patrocinadores e demais envolvidos na cadeia esportiva, reforçando a importância da gestão de riscos e abrindo espaço para soluções cada vez mais estratégicas do mercado de seguros.
Muito além da recuperação física do atleta, uma lesão pode alterar o planejamento de uma temporada, comprometer contratos milionários e afetar investimentos realizados por clubes e patrocinadores. Nesse contexto, o seguro ganha protagonismo como ferramenta de proteção patrimonial e financeira, reduzindo os impactos provocados por afastamentos temporários ou permanentes.
Fundadora e CEO da Atleta Seguro, Liciane da Luz explica que as contusões fazem parte da realidade do esporte de alto rendimento, mas seus reflexos extrapolam a esfera esportiva.
“As lesões fazem parte da realidade do esporte de alto rendimento e representam riscos que vão muito além da questão médica”, afirma. Segundo ela, uma contusão pode impactar diretamente o desempenho esportivo, a saúde financeira do atleta, o planejamento do clube, contratos de patrocínio e até a competitividade de uma temporada.
A especialista lembra que a legislação brasileira determina que clubes mantenham seguro de vida e de acidentes pessoais para atletas profissionais, garantindo indenização em caso de morte ou invalidez permanente decorrente de acidente relacionado à atividade esportiva. No entanto, ressalta que existem coberturas complementares capazes de ampliar significativamente a proteção patrimonial e financeira.
“O papel do corretor especializado é identificar os riscos específicos de cada operação esportiva e estruturar um programa de seguros adequado, proporcionando segurança jurídica, proteção financeira e maior previsibilidade para atletas, clubes e demais participantes do setor”, destaca.
Entre as principais soluções disponíveis está o seguro de Diária por Incapacidade Temporária (DIT), que pode complementar a remuneração do atleta durante o período em que ele permanece impossibilitado de exercer sua atividade profissional. Para os clubes, há coberturas para Despesas Extras, destinadas a minimizar os impactos financeiros decorrentes do afastamento de um jogador, auxiliando na reorganização da equipe, contratação de substitutos e demais despesas extraordinárias.
Outra proteção relevante é a cobertura de Despesas Médicas, Hospitalares e Odontológicas (DMHO), que pode reembolsar custos relacionados ao tratamento e à reabilitação do atleta após um acidente coberto, contribuindo para um retorno mais seguro às atividades.
Nos casos mais graves, quando a lesão impede definitivamente o atleta de voltar a competir em alto rendimento, ganha destaque a cobertura para Invalidez Laborativa Permanente.
Segundo Liciane, essa garantia assegura indenização quando, mesmo após todo o tratamento e processo de reabilitação, o profissional perde definitivamente sua capacidade de exercer a atividade esportiva. “Essa cobertura pode ser contratada tanto em benefício do próprio atleta quanto em benefício do clube”, explica. Nessa segunda modalidade, acrescenta, o seguro funciona como instrumento de proteção dos ativos investidos na contratação de atletas, reduzindo os prejuízos decorrentes da perda de profissionais de alto valor técnico e econômico.
Para a executiva, o crescimento da indústria esportiva também amplia as oportunidades para os corretores de seguros. Ela avalia que o profissional precisa assumir uma atuação cada vez mais consultiva, dominando não apenas os produtos disponíveis, mas também a dinâmica do esporte, a legislação e os riscos envolvidos em cada modalidade.
“Hoje, não basta apenas comercializar uma apólice. É necessário compreender a dinâmica do setor, a legislação esportiva, os contratos dos atletas e os riscos envolvidos em cada modalidade”, afirma.
Ela observa que existe espaço para atuação junto a clubes, federações, confederações, organizadores de eventos, academias, centros de treinamento, patrocinadores e diversas empresas ligadas ao esporte. Além da proteção obrigatória para atletas profissionais, há oportunidades na estruturação de programas completos de gerenciamento de riscos, envolvendo seguros patrimoniais, responsabilidade civil, benefícios corporativos, proteção para gestores e cobertura para eventos esportivos.
“O corretor que desenvolve conhecimento técnico nesse segmento deixa de ser apenas um intermediário e passa a atuar como um parceiro estratégico, contribuindo para a sustentabilidade financeira e a segurança jurídica das organizações esportivas”, conclui.
A lesão de Raphinha, em um momento decisivo da Copa do Mundo, evidencia que uma única contusão pode movimentar milhões de reais e alterar o planejamento de diversas organizações. Para os corretores de seguros, o episódio também reforça que o esporte de alto rendimento representa um segmento em expansão, com demanda crescente por soluções especializadas e consultoria em gestão de riscos.

