O avanço acelerado da inteligência artificial tem ampliado as oportunidades para empresas, mas também colocado a governança no centro das discussões sobre segurança, riscos e implementação da tecnologia. Esse foi um dos principais pontos debatidos durante o Congresso Brasileiro de IA Responsável, realizado na sede da Sompo, em São Paulo, reunindo executivos da companhia e especialistas para discutir os caminhos da adoção responsável da IA nos negócios.
Diretor Executivo, CIO/COO da Sompo, Daniel de Rosa destacou que o ritmo de implementação da inteligência artificial exige atenção aos mecanismos de governança. Segundo ele, existe atualmente uma “ansiedade de implementação” diante das possibilidades oferecidas pela tecnologia, enquanto a discussão sobre os controles necessários nem sempre recebe a mesma atenção. “A inovação está aí, com a IA, tudo muito acelerado, muita ansiedade de implementação, trazendo os resultados, trazendo as coisas boas, mas no final a gente pouco fala de governança”, afirmou.
Para Daniel, a discussão passa pela criação de indicadores e mecanismos capazes de acompanhar a utilização da tecnologia sem impedir o avanço da inovação. O executivo ressaltou a importância de estabelecer uma governança que permita às empresas identificar o que precisa ser monitorado e cuidado durante a implementação da IA.
Luis Fernando Prado, membro do Conselho e líder do Comitê de IA Responsável da Abria e sócio do Prado Vidigal Advogados, também apontou a governança como um elemento fundamental para o desenvolvimento da inteligência artificial. Durante o evento, ele destacou que a sociedade já enfrentou outros momentos de transformação tecnológica nos quais as oportunidades vieram acompanhadas de dúvidas sobre riscos e consequências.
Na avaliação de Prado, a governança pode criar condições para que a IA avance de forma segura, permitindo que empresas e sociedade aproveitem os ganhos proporcionados pela tecnologia sem ignorar seus riscos. Ele também ressaltou a importância da participação das organizações nesse debate e destacou o apoio da Sompo à realização do congresso.
Igor Zaborize, Head de Dados, Estratégia e Governança de IA na Sompo, destacou que a discussão sobre inteligência artificial responsável tende a ganhar cada vez mais espaço no ambiente corporativo. Para ele, o avanço significativo no uso da tecnologia fará com que temas relacionados à governança e à responsabilidade sejam tratados com maior frequência pelas empresas, principalmente diante da necessidade de gerar valor para clientes e negócios.
“Governança de IA e IA responsável são temas que as empresas vão começar a tratar com uma maior frequência dentro do ambiente corporativo”, afirmou Igor, ao destacar que a adoção estruturada da tecnologia será importante para que as organizações consigam capturar seus benefícios de maneira responsável.
A Head de Riscos, Compliance e Atuarial da Sompo, Juliana Oliveira Nascimento, reforçou a importância de uma governança que acompanhe a evolução da IA sem impedir o avanço dos negócios. Ao abordar o tema durante um dos painéis, ela destacou que “a governança deve ser uma protetora, mas não impedir o contexto de avanço dos negócios”, defendendo a necessidade de estabelecer controles mínimos e clareza sobre a inteligência artificial adotada.
Juliana também ressaltou que é necessário encontrar um equilíbrio na estrutura de controles, já que, segundo ela, “muito controle também pode impedir os avanços necessários”. A executiva destacou ainda a importância de conhecer profundamente os resultados gerados pela tecnologia e dos controles e indicadores que podem ser implementados. Para ela, a inteligência artificial já faz parte da atual e da próxima jornada da sociedade e do mercado, tornando cada vez mais relevante a discussão sobre sua adoção responsável.

