Nos últimos anos, o mercado de seguros avançou de forma consistente na adoção de
novas tecnologias. Plataformas digitais, ferramentas de cotação, CRMs especializados, soluções de automação e aplicações baseadas em inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina de corretores em todo o país.
Esse movimento trouxe ganhos importantes. Hoje é possível analisar melhor os dados, responder mais rápido e ampliar o relacionamento com o cliente. Ainda assim, no dia a dia, o cenário é outro: a operação ficou mais complexa.
Para executar uma única venda, o corretor costuma transitar por vários ambientes. A cotação está em um sistema, o cliente em outro, a conversa acontece em um terceiro canal e o controle da carteira segue em paralelo. Essa alternância constante não só consome tempo, como também quebra o raciocínio, aumenta o risco de erro e dificulta manter o foco.
A tecnologia foi pensada para simplificar, mas nem sempre é assim que ela chega na prática. O que se vê em muitos casos é uma rotina fragmentada, em que o volume de recursos disponíveis não necessariamente facilita o trabalho. Em vez disso, exige mais organização individual para dar conta de tudo.
Segundo Renato José Ferreira, esse é um ponto que o mercado ainda está aprendendo a lidar. “O corretor hoje tem acesso a diversas ferramentas, mas isso não significa necessariamente mais eficiência. Quando a operação depende de múltiplos ambientes, o ganho se perde e o processo se torna mais complexo do que deveria.”
A chegada da inteligência artificial acelerou ainda mais esse movimento. Novas soluções surgem o tempo todo, ampliando possibilidades, mas também exigindo mais do profissional para decidir o que usar, quando usar e como organizar tudo isso.
O corretor hoje não sofre por falta de tecnologia. Sofre pelo excesso dela. Para fazer o básico, precisa atravessar vários sistemas, repetir informações e manter tudo sob controle quase manualmente. É um desgaste operacional, e também mental.
No fim, o esforço não está na venda, mas em conseguir operar. Isso expõe um ponto que o mercado segurador ainda evita encarar: a tecnologia evoluiu, mas a forma de trabalhar com ela não. As partes continuam desconectadas, e a responsabilidade de juntar tudo ficou com o corretor.
O problema é estrutural. Por isso, abre espaço para mudança.
Excesso de ferramentas e falta de fluidez operacional desafiam corretores de seguros
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