Você já avaliou sua viagem, percebeu que faz sentido não depender só do seguro do cartão e decidiu contratar um seguro adicional. Agora, o próximo passo é fazer o processo da forma certa mas, para isso, é preciso saber onde a maioria das pessoas escorrega e acaba ficando sem cobertura.
Na prática, muitas negativas das seguradoras surgem justamente aí: em escolhas mal ajustadas ao perfil da viagem, regras que passam despercebidas ou detalhes que parecem pequenos na contratação, mas fazem diferença quando o seguro-viagem precisa ser acionado.
Para entender onde costumam estar as falhas, o InfoMoney conversou com Paulo Correa, sócio-diretor da Papin Corretora de Seguros em Porto Alegre (RS), que deu dicas sobre como evitá-las. Veja a seguir as situações mais comuns.
Omitir informações da seguradora
Esse é um dos pontos mais sensíveis, e também um dos mais ignorados na contratação do seguro-viagem. Ao preencher o questionário da seguradora, muita gente não dá a devida importância às perguntas, e acaba criando um problema potencial, alerta Paulo Correa.
“Algumas perguntas podem parecer sem sentido ou repetitivas, mas é importante respondê-las com atenção. Em hipótese alguma se pode minimizar o questionário ou omitir informações”, alerta o especialista.
Isso vale especialmente para quem pensa em praticar alguma atividade lá fora como mergulho, esqui, trilhas em altitude ou outras que envolvam certo risco. “O próprio questionário já traz essas perguntas, se vai praticar esporte, se envolve moto, esse tipo de coisa”, explica Correa. Se o acidente acontecer nesse contexto e ele não estiver especificado na apólice, a seguradora não vai dar cobertura.
Acionar por conta própria e não seguir a central de atendimento
Na pressa ou no susto, muita gente vai ao hospital mais próximo e resolve depois. O problema é que, em muitos casos, o seguro exige contato prévio com a central para autorizar e direcionar o atendimento. Sem esse passo, o reembolso pode ser negado ou limitado.
“No caso de mal-estar, tem que contatar a central de atendimento. É ela que vai encaminhar para o especialista, indicar o hospital adequado e dar todo o suporte”, explica Correa.
Ele chama atenção para um detalhe prático que costuma passar despercebido: nem sempre o próprio viajante consegue fazer esse contato. “É sempre bom alguém que esteja com você ter uma cópia da apólice. Na hora, a pessoa pode não conseguir acionar a central ou nem lembrar disso”, diz. Mesmo com tudo no celular, uma versão impressa pode facilitar, especialmente se um terceiro precisar ajudar.
Outro ponto pouco conhecido é que algumas seguradoras permitem indicar um beneficiário na apólice, com cobertura para passagem e hospedagem caso essa pessoa precise ir até você durante a viagem. É um tipo de suporte que faz diferença justamente quando o imprevisto foge do controle.
Olhar o preço do seguro-viagem e não as coberturas
Nos Estados Unidos, por exemplo, uma fratura com cirurgia pode passar de US$ 30 mil, enquanto quadros como apendicite chegam facilmente à faixa de US$ 25 mil a US$ 60 mil, dependendo da internação. E mesmo situações mais simples, como uma ida ao pronto-socorro, costumam gerar contas entre US$ 1.500 e US$ 5.000.
Isso significa que uma cobertura mais baixa pode ser suficiente para atendimentos pontuais, mas se esgota rápido em qualquer situação que exija exames, procedimentos ou alguns dias de hospital. É aí que o erro aparece e a escolha se torna mais cara, pois foi feita olhando o preço do seguro, e não o custo do destino.
Pensar no seguro-viagem só para destinos internacionais
Para fechar, Paulo Correa destaca um ponto que costuma ser subestimado, especialmente em viagens mais curtas ou dentro do próprio país.
“Mesmo para viagens perto, dentro do país e mais baratas, eu sempre digo: o seguro viagem é fundamental”, afirma.
E não só pelo atendimento em si. “Se precisar usar, ele te dá coberturas que você nem imagina, desde assessoria legal no local (se precisou de advogado) até hospedagem após alta hospitalar e orientação em caso de perda ou roubo de documentos. Ele te dá todo esse suporte”, diz.
Ou seja, é um tipo de proteção que vai além do imprevisto mais óbvio, e que só aparece com clareza quando o seguro é bem contratado desde o início.

