Notícias | 31 de julho de 2026 | Fonte: CQCS l Ana Mello

Além da indenização: como o seguro pode ajudar a prevenir acidentes e salvar vidas

Quando se fala em gerenciamento de riscos no mercado de seguros, é comum que o debate esteja voltado para grandes desafios, como mudanças climáticas, enchentes, eventos extremos e seus impactos sobre pessoas, empresas e cidades. No entanto, para o consultor da Rating de Seguros Consultoria, Francisco Galiza, o setor também precisa olhar para riscos cotidianos, capazes de provocar tragédias dentro de residências, condomínios e áreas de lazer.

Um exemplo é o afogamento. Segundo dados da Insurance Information Institute, os Estados Unidos registram, em média, mais de 4 mil mortes acidentais por afogamento todos os anos. Entre crianças de 1 a 4 anos, essa é a principal causa de morte por lesão não intencional. No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante: cerca de 5.500 pessoas morrem afogadas anualmente.

Para Francisco Galiza, Consultor na Rating de Seguros Consultoria, esse tipo de situação mostra que a gestão de riscos não deve se limitar aos grandes eventos que afetam toda a sociedade.

“O setor de seguros não tem apenas o objetivo de ganhar dinheiro. Claro que, evitando acidentes, você diminui os sinistros, mas também existe uma função social muito grande. O setor de seguros tem a obrigação de contribuir para diminuir os riscos e ajudar a construir uma sociedade mais saudável”, afirma.

Na avaliação do especialista, iniciativas de prevenção como campanhas educativas e orientações práticas podem fazer parte da atuação do mercado segurador, fortalecendo uma cultura de proteção antes mesmo da ocorrência do sinistro.

O estudo divulgado pelo Insurance Information Institute reúne uma série de recomendações para reduzir o risco de acidentes em piscinas, que podem ser adaptadas à realidade brasileira. Entre elas estão nunca deixar crianças sem supervisão, evitar que pessoas utilizem a piscina sozinhas, manter crianças afastadas dos filtros e equipamentos mecânicos, retirar brinquedos e boias quando a piscina não estiver em uso, acompanhar a previsão do tempo e jamais entrar na água durante tempestades com raios.

O documento também recomenda cuidados no entorno da piscina, como substituir recipientes de vidro por utensílios plásticos, manter o ambiente livre de objetos que possam provocar quedas e limitar o consumo de bebidas alcoólicas próximo à água. Segundo estudos citados pela entidade, o álcool está presente em até metade das mortes de adolescentes e adultos relacionadas a atividades recreativas aquáticas.

Para Galiza, esse é um exemplo claro de como pequenas atitudes podem evitar grandes tragédias.

“As dicas apresentadas no estudo são muito úteis. Muitas vezes, um detalhe ou uma atitude simples pode evitar uma tragédia enorme. O exemplo dos afogamentos mostra justamente a importância da gestão de riscos no cotidiano das pessoas”, destaca.

Nesse processo, o corretor de seguros assume um papel estratégico. Segundo o consultor, a prevenção não deve ser responsabilidade apenas das seguradoras, mas de todo o ecossistema do seguro.

“Quando falo em segurador, estou falando de seguradora e corretor. O corretor é quem interage diretamente com o segurado, sempre com o apoio da seguradora. É uma atuação conjunta”, explica.

Na prática, isso significa que o corretor pode ampliar sua atuação consultiva, orientando clientes sobre medidas preventivas em residências, condomínios e empresas, contribuindo para reduzir a exposição aos riscos antes que eles resultem em prejuízos financeiros ou perdas humanas.

Além de preservar vidas, essa cultura preventiva também tende a beneficiar o próprio mercado de seguros.

“Essa cultura pode, sim, contribuir para reduzir a frequência dos sinistros e tornar o mercado mais sustentável. É uma iniciativa que pode parecer pequena, mas que produz consequências enormes”, conclui Francisco Galiza.

Para o especialista, incorporar a prevenção à estratégia das seguradoras e dos corretores representa uma evolução natural do setor, que deixa de atuar apenas na reparação dos danos para assumir um papel mais ativo na construção de uma sociedade mais segura.

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