O mercado de seguros brasileiro segue demonstrando resiliência e eficiência operacional em 2026. Levantamento do consultor Francisco Galiza, mestre em Economia pela FGV e catedrático da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência), mostra que, nos cinco primeiros meses do ano, o setor manteve crescimento real na arrecadação de prêmios e deve alcançar uma margem de rentabilidade de 30% até o fim do exercício.
Segundo a análise, o desempenho positivo é sustentado por três fatores principais: taxas de juros elevadas, ausência de grandes eventos catastróficos e redução contínua dos custos administrativos, resultado de ganhos de escala e maior eficiência das operações.
Os números reforçam um cenário favorável para as seguradoras. Até maio, o volume de prêmios avançou 6,5% no consolidado do mercado em relação ao mesmo período de 2025. O segmento de seguros de Pessoas (sem VGBL) liderou a expansão, com crescimento próximo de 11%, seguido pelos ramos de Automóvel (5,8%), Demais Ramos (5,1%) e Patrimonial (3,5%). O único segmento que apresentou retração foi o Rural, com queda de aproximadamente 5%.
Para Francisco Galiza, o comportamento dos principais ramos confirma que o mercado permanece em trajetória de expansão, mesmo diante de um ambiente econômico ainda desafiador.
Além do crescimento da receita, outro indicador chama a atenção: a evolução da rentabilidade. O estudo aponta que a margem de lucro líquido sobre patrimônio líquido deve atingir 30% em 2026, acima dos 29% registrados em 2025. O resultado consolida uma recuperação iniciada após 2021, quando a rentabilidade havia recuado para 12%. Desde então, o indicador avançou para 20% em 2022, 28% em 2023 e 2024, chegando a 29% em 2025.
Outro dado relevante é a queda consistente das despesas administrativas. O índice, que girava em torno de 15% a 16% entre 2017 e 2020, deve encerrar 2026 próximo de 12%, refletindo a digitalização dos processos, maior produtividade e ganhos de escala obtidos pelas companhias.
Na avaliação de Galiza, esse movimento explica boa parte da melhora dos resultados das seguradoras. Com estruturas mais eficientes, custos menores e um ambiente financeiro favorável, o setor conseguiu ampliar sua capacidade de geração de lucro sem depender exclusivamente do crescimento da arrecadação.
O consultor destaca que o cenário atual reúne condições que favorecem a continuidade do desempenho positivo das seguradoras: juros em níveis elevados, baixa ocorrência de grandes catástrofes e disciplina na gestão de despesas. A combinação desses fatores fortalece a rentabilidade das empresas e evidencia a maturidade operacional do mercado de seguros brasileiro.
Se mantidas essas condições ao longo do segundo semestre, a expectativa é de que 2026 seja mais um ano de resultados robustos para o setor, consolidando um ciclo de crescimento acompanhado por maior eficiência e rentabilidade.

