A CNseg promoveu neste sábado (12), em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, a feira “Seguro para Todos os Bolsos”, iniciativa voltada à disseminação de informações sobre proteção financeira, seguros inclusivos, educação securitária e oportunidades de geração de renda. O evento reuniu quase 400 pessoas e contou com a participação de seguradoras, entidades do mercado e organizações que atuam diretamente no território.
A proposta foi além da oferta de produtos. Durante a feira, representantes do setor apresentaram diferentes iniciativas voltadas a públicos de menor renda e pequenos negócios, além de ações relacionadas à formação profissional e à educação financeira. A intenção é aproximar o seguro da realidade das comunidades e mostrar como a proteção pode contribuir para evitar que imprevistos interrompam a trajetória de crescimento financeiro das famílias e empreendedores.
Para Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a iniciativa representa uma mudança na forma de enxergar a relação entre o mercado de seguros e as comunidades. Segundo ele, o objetivo não é simplesmente levar produtos para serem vendidos, mas inserir o seguro em um ecossistema capaz de contribuir também para a geração de renda e para a estabilidade financeira.
“A ideia é integrar essas comunidades dentro de uma estratégia onde o seguro faz parte, inclusive, da geração de renda. Ou seja, não se trata de vender seguros, trata-se de incluir o seguro dentro de um ecossistema, dentro de um ciclo de vida dessas pessoas”, afirmou.
Durante sua participação, Dyogo destacou que um dos principais obstáculos enfrentados por famílias de menor renda é a dificuldade de recuperação após acontecimentos inesperados. Para ele, um acidente, um incêndio ou outro evento de grande impacto pode consumir rapidamente o patrimônio construído ao longo de anos e obrigar o indivíduo a começar novamente.
Nesse contexto, o seguro passa a ser apresentado como uma ferramenta de continuidade financeira. A proposta defendida pela CNseg envolve também a formação de profissionais dentro das próprias comunidades, incluindo jovens interessados em tecnologia, atuária e atividades relacionadas ao mercado segurador, além da educação securitária e financeira e da formação de corretores.
“Essas interrupções são uma das grandes dificuldades para quebrar esse ciclo de renda, esse ciclo negativo que aprisiona as pessoas dentro de uma classe de baixa renda. A gente está tentando trazer para a comunidade essa percepção de que o seguro é uma maneira de obter renda e trazer continuidade ao longo da vida”, explicou.
A iniciativa também busca estimular uma aproximação mais permanente entre o setor e diferentes regiões do país. De acordo com o presidente da CNseg, a feira realizada em Paraisópolis deve ser o início de uma agenda que será levada a outras comunidades.
“É uma iniciativa que terá continuidade em muitas outras regiões do país. Então, a gente está só começando um longo trabalho que precisa ser feito para ter uma contribuição efetiva do setor de seguros na melhoria da vida dessas pessoas”, acrescentou.
A presença das seguradoras no território também foi destacada por Fênix, presidente da CUFA Paraisópolis. Para ele, a aproximação é importante principalmente porque ainda existe desconhecimento sobre a finalidade dos seguros e sobre como utilizar os produtos disponíveis.
“Tem muita gente do território, da favela, que não entende para que serve o seguro, como utiliza o seguro, e a CNseg está trazendo várias companhias de seguros para dentro do território, para estar apresentando seu trabalho, para estar apresentando seus produtos. Isso é de suma importância”, afirmou.
Entre as empresas participantes esteve o Grupo Bradesco Seguros. Para Ivani Benazzi, superintendente de Sustentabilidade da companhia, a presença em Paraisópolis permitiu não apenas apresentar informações sobre seguros, mas também compreender melhor as necessidades dos moradores.
A empresa utilizou uma dinâmica de interação com o público para explicar, de forma simples, conceitos relacionados à proteção. A proposta foi mostrar que produtos com valores acessíveis podem ajudar na proteção da família, da residência e do patrimônio.
“A gente pode passar um pouquinho do conhecimento do que é seguro, com uma dinâmica simples que aproximou as pessoas, mas levando a seriedade e a importância do que é o seguro. Com pequenos valores, elas podem criar essa resiliência e proteger o futuro delas”, disse Ivani.
Segundo a executiva, a experiência também proporcionou aprendizados para o próprio mercado, especialmente sobre as características e o potencial de consumo das populações de menor renda.
A CNP Assurances também participou da feira. De acordo com Gregoire Saint Gal de Pons, diretor de Relações Institucionais da CNP Assurances LATAM, a inclusão faz parte da estratégia da companhia há anos. Ele destacou que a empresa começou a comercializar microsseguros no Brasil em 2012 e atualmente possui mais de um milhão de pessoas asseguradas com produtos inclusivos.
Para o executivo, ampliar o acesso exige combinar a oferta de produtos com iniciativas de educação financeira, para que o consumidor compreenda a importância de reservar recursos para sua proteção.
“Não adianta oferecer esse tipo de produto para a população que não entende o quanto é importante separar um dinheirinho no final do mês para comprar essa proteção que ela merece. A gente ficou muito feliz de ter participado desse evento da CNseg e, nos próximos, a gente vai continuar juntos”, afirmou.
A MAPFRE também apresentou em Paraisópolis sua estratégia de segmentação “Ao Teu Lado”. Segundo Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da companhia, o projeto busca ampliar a acessibilidade ao seguro na América Latina e é desenvolvido a partir da compreensão das demandas das comunidades.
A seguradora atua há mais de quatro anos com o projeto “MAPFRE na Favela”, voltado à identificação das necessidades sociais desses territórios e à transformação dessas informações em soluções de seguros.
“O nosso objetivo principal aqui é mostrar que a MAPFRE está aqui ao lado do pessoal da comunidade, das favelas, cuidando de fato do que é importante para essas pessoas, que é dar acessibilidade ao seguro”, destacou.
A formação profissional também esteve entre os temas da feira. A Escola de Negócios e Seguros (ENS) participou do painel “Trabalho e Renda”, abordando as oportunidades relacionadas à atividade de corretor de seguros e os caminhos para obter a habilitação profissional.
Rodrigo Matos, superintendente Regional de São Paulo da ENS, ressaltou que ampliar o acesso ao seguro também passa pela formação de profissionais capazes de orientar os consumidores.
“Seguro sem corretor de seguros não é seguro. A participação da ENS foi muito boa. Falamos sobre como vender seguros e como ir atrás da habilitação do corretor de seguros. Parabéns aos moradores de Paraisópolis e estou aguardando o convite para a segunda edição”, afirmou.
Para a Favela Seguros, a realização da feira também representa uma oportunidade de mudar a percepção sobre as comunidades. Geraldo Coelho, o Gê Coelho, líder de Relações Institucionais da empresa, destacou que a presença de diferentes seguradoras no território demonstra o potencial econômico das favelas.
Segundo ele, a Favela Seguros já atua nesse ambiente a partir da parceria entre MAG, CUFA e Favela Holding. A proposta, agora, é ampliar o diálogo entre o setor de seguros e as comunidades, reconhecendo esses territórios não apenas pelas necessidades, mas também pela capacidade de geração de negócios e de desenvolvimento.
“A favela é um local de muita potência, produz economia, produz saber, produz muita coisa boa. E, principalmente, a gente precisa olhar: esse espaço tem casa, tem carro, tem moto. Por que um CEP proíbe a segurança tão importante desse país?”, questionou.
Gê Coelho também defendeu que a expansão do acesso ao seguro deve considerar as particularidades desses territórios e o direito dos moradores à proteção de seus patrimônios e de suas famílias.
“O seguro é uma tecnologia social para poder garantir que as pessoas passem pelos riscos da vida com mais segurança. Então, todo favelado tem esse direito. O evento precisa acontecer mais vezes”, concluiu.
A realização em Paraisópolis reforça, assim, uma agenda de aproximação entre o mercado de seguros e públicos que ainda possuem baixa penetração de seguros. A proposta apresentada durante o evento combina acesso à proteção, educação financeira, formação profissional e desenvolvimento de soluções voltadas às características das comunidades.

