O primeiro painel do dia 29 do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado na ExpoRio, no Rio de Janeiro, colocou em debate os principais caminhos para o desenvolvimento da corretagem de seguros no Brasil. Com o tema “Autorregulação e PDMIS – A ponte para o futuro do Corretor de Seguros”, o encontro abordou qualificação profissional, diversificação de receitas, transformação digital e o avanço da autorregulação.
Mediado por Augusto Cardoso Coelho, consultor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), o painel teve apresentação do economista Claudio Contador, MA e PhD em Economia, e debate com Marcilio Otavio Nascimento Filho e Júlia Normande Lins, diretores da Susep, e Maria Filomena Magalhães Branquinho, presidente do IBRACOR.
Ao apresentar o Plano Diretor do Mercado de Intermediação de Seguros (PDMIS), Claudio Contador destacou a dimensão da atividade no País e apontou a necessidade de preparar o corretor para um mercado mais diversificado. Segundo ele, o Brasil reúne quase 150 mil corretores e movimenta entre R$ 52 bilhões e R$ 55 bilhões por ano em receitas de corretagem.
“Estamos falando de quase 150 mil corretores. Esse é o tamanho do nosso mercado. A receita anual de corretagem está entre R$ 52 bilhões e R$ 55 bilhões por ano, com 44% de pessoas jurídicas e 56% de autônomos”, afirmou.
Com horizonte até 2035, o plano propõe ampliar a atuação dos intermediários para além da venda tradicional de seguros, com maior participação de atividades como consultoria, gestão de riscos e outros serviços. A qualificação aparece como um dos pilares para essa mudança.
“O papel de consultor exige uma qualificação que não seja apenas para vender. O corretor tem condições de atuar no atendimento, na consultoria, na auditoria e em uma série de outras atividades dentro das empresas e das famílias”, explicou Contador.
O economista também ressaltou que as metas do plano deverão ser acompanhadas continuamente. A proposta inclui expansão geográfica, uso mais intenso de tecnologia, defesa do consumidor, eficiência institucional e novas formas de geração de receita.
“O plano diretor tem um ponto crucial: haverá monitoramento. A todo momento estaremos acompanhando aquilo que foi previsto e proposto e verificando o que está sendo alcançado”, acrescentou.
No debate sobre o ambiente regulatório, Marcilio Otavio Nascimento Filho destacou a Resolução CNSP 4.993 e explicou que a autorregulação deverá atuar como complemento à supervisão exercida pela Susep.
“A autorregulação não substitui a regulação. Ela vai ser auxiliar e complementar à regulação que a Susep hoje desempenha. Será um parceiro importante para dar maior dinamismo e eficácia ao trabalho que realizamos”, afirmou.
Segundo o diretor, a norma também representa uma simplificação do arcabouço regulatório ao reunir regras anteriormente dispersas e estabelecer parâmetros mais claros para a atuação das entidades autorreguladoras.
“A 4.993 é uma consolidação. Ela reuniu 13 normas e trouxe para uma única regra aquilo que estava fragmentado, além de atualizar e modernizar o mercado diante das novas demandas do consumidor e do setor”, explicou.
Júlia Normande Lins destacou que, mesmo com o avanço da digitalização, o corretor continua exercendo um papel central na relação entre seguradoras e consumidores, sobretudo pela confiança construída no atendimento.
“A figura do corretor é justamente o elo de confiança entre o consumidor e a seguradora. Essa relação com o intermediário é muito importante, especialmente nos momentos em que o consumidor precisa recorrer a alguém para entender uma situação mais complexa”, afirmou.
A diretora também defendeu maior participação da categoria nas discussões sobre transformação digital e novas infraestruturas do mercado, como o Sistema de Registro de Operações (SRO) e o Open Insurance.
“O SRO tem sido fundamental para a supervisão e para termos uma visão mais ampla do mercado. E temos também o Open Insurance, que precisa ser discutido com a participação dos corretores. Não tem como essa categoria ficar fora desse debate”, destacou.
Para Júlia, o uso de dados e a integração tecnológica devem ter como objetivo melhorar a experiência dos consumidores e permitir a oferta de produtos mais adequados às suas necessidades.
Ao tratar da autorregulação, Maria Filomena Magalhães Branquinho ressaltou que o avanço desse modelo reflete o amadurecimento profissional da categoria e aumenta também a responsabilidade dos corretores na construção do futuro da atividade.
“A história do IBRACOR representa um despertar da maturidade da categoria. Foi o reconhecimento de que os profissionais da corretagem tinham maturidade, consciência e profissionalização necessárias para se autorregular”, afirmou.
A presidente do IBRACOR também defendeu maior união da categoria diante das mudanças regulatórias e tecnológicas.
“Precisamos não só dos nossos associados com o IBRACOR, mas de toda a categoria de corretores de seguros juntos. Somos muito mais fortes quando atuamos de forma integrada”, disse.
Para Filomena, tecnologias como inteligência artificial e o surgimento de novos produtos deverão transformar a forma de atuação dos profissionais, mas não reduzir a importância da intermediação.
“O IBRACOR assume a responsabilidade de exercer um novo tempo, em um momento de tecnologia, novos produtos e inteligência artificial. Mas o corretor de seguros não vai sair de onde está. Cada vez mais o nosso papel é importante neste mundo dos seguros”, concluiu.

