A repercussão de informações sobre uma suposta exigência de seguro-viagem para turistas que entram na Colômbia reacendeu o debate sobre a importância dessa proteção em viagens internacionais. Embora autoridades colombianas tenham esclarecido que, até o momento, não há uma exigência oficial de apresentação da apólice como condição de entrada no país, o episódio chamou atenção para os riscos financeiros e assistenciais enfrentados por quem viaja sem cobertura. Para Luciana Volante, Diretora da Business Unit de Viagem da Hero Seguros, a discussão reforça que o seguro deve ser considerado parte do planejamento da viagem, independentemente de uma exigência do destino.
“O seguro não deveria entrar no planejamento apenas porque determinado destino exige. Ele é uma proteção para o próprio viajante”, afirma Luciana.
Uma emergência médica fora do país pode gerar despesas elevadas e ainda colocar o turista diante de dificuldades para encontrar atendimento ou saber como agir em uma situação inesperada. Nesse cenário, a assistência oferecida pelo seguro pode fazer diferença, especialmente quando o viajante está longe de sua residência e não conhece o sistema de saúde local.
Na Hero Seguros, segundo Luciana, a operação própria funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, além de contar com uma rede global de hospitais e clínicas credenciadas para atendimentos de urgência e emergência.
A executiva defende que a contratação seja tratada como parte do planejamento básico de uma viagem internacional. “O seguro-viagem precisa fazer parte do checklist da viagem junto com passagem, hospedagem e documentação”, destaca.
Exigências podem aumentar conscientização
A repercussão de notícias envolvendo países que adotam ou discutem a obrigatoriedade do seguro-viagem também pode contribuir para ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre o produto. Para Luciana, esse tipo de movimento coloca a proteção no centro da conversa e pode estimular novos consumidores a conhecerem o seguro.
“Uma exigência como a adotada pela Colômbia coloca o seguro-viagem no centro da conversa e tende a aumentar a atenção do brasileiro para esse tipo de proteção”, avalia.
Ao mesmo tempo, a executiva alerta que a contratação motivada exclusivamente por uma regra de entrada pode levar o consumidor a priorizar apenas preço ou a cobertura mínima necessária. Para ela, é importante considerar as características de cada viagem, destino e perfil do viajante.
Nesse cenário, surge uma oportunidade para os corretores ampliarem sua atuação consultiva. Em vez de apenas oferecer uma apólice para cumprir uma exigência, o profissional pode ajudar o cliente a identificar quais riscos estão relacionados ao roteiro e qual nível de proteção é mais adequado.
“A obrigatoriedade pode levar o consumidor até o seguro pela primeira vez; uma boa experiência com o produto pode ajudá-lo a perceber por que essa proteção faz sentido também nos destinos em que ela não é exigida”, afirma Luciana.
América Latina pode ampliar discussão
A movimentação da Colômbia também pode estimular outros países da América Latina a discutirem mecanismos de proteção para turistas. No entanto, a executiva ressalta que cada mercado possui regras e características próprias, o que impede antecipar se outros países adotarão medidas semelhantes.
Para o setor segurador, entretanto, o movimento reforça a necessidade de preparação para um consumidor mais atento aos riscos durante viagens internacionais. Isso envolve produtos mais simples de compreender e contratar, assistência eficiente e comunicação clara sobre as coberturas.
Os corretores também podem ganhar espaço nesse processo. A orientação profissional se torna ainda mais relevante para diferenciar o cumprimento de uma eventual exigência de entrada da contratação de uma proteção realmente adequada.
“Cumprir uma exigência de entrada é diferente de estar adequadamente protegido”, ressalta Luciana.
Para o viajante, a tendência pode contribuir para uma mudança de comportamento. Em vez de enxergar o seguro-viagem como uma formalidade burocrática exigida por alguns destinos, a proteção pode passar a ser incorporada naturalmente ao planejamento de qualquer viagem internacional.
Quanto maior a percepção sobre os custos e dificuldades que podem surgir diante de uma emergência longe de casa, maior tende a ser a relevância do seguro como instrumento de proteção financeira e assistência ao turista.


