A classe C já representa 41% dos segurados de automóveis no Brasil, segundo levantamento inédito da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O dado reforça uma mudança no perfil do consumidor do seguro auto, que passa a reunir diferentes níveis de renda, necessidades e expectativas em relação à proteção do veículo.
O estudo aponta ainda que 29% dos segurados têm entre 36 e 45 anos, enquanto outros 26% estão na faixa de 46 a 55 anos. Em relação ao valor dos veículos, 46% dos automóveis segurados valem até R$ 70 mil e outros 27% estão entre R$ 71 mil e R$ 100 mil, indicando forte presença de modelos de entrada e intermediários na carteira.
A transformação no perfil do consumidor também é percebida pelo Grupo HDI e vem influenciando a evolução da estratégia de produtos e serviços da companhia. Carla Oliveira, diretora de Produto Auto do Grupo HDI, avalia que a diversificação da base exige alternativas capazes de atender diferentes necessidades, formas de utilização do veículo e capacidades de investimento.
“Esse cenário reforça a importância de oferecer diferentes combinações de coberturas, serviços e faixas de preço, ampliando as possibilidades de acesso ao seguro auto. A estratégia multimarcas do Grupo HDI está alinhada a esse movimento, com propostas de valor complementares que permitem atender diferentes perfis de consumidores.”
A executiva destaca que a estratégia multimarcas reúne Yelum, HDI e Aliro em propostas distintas. A Aliro, por exemplo, trabalha com uma oferta mais enxuta, contratação simplificada e foco em custo-benefício, enquanto Yelum e HDI possuem portfólios mais amplos de coberturas, serviços e possibilidades de personalização.
A composição da carteira também evidencia a diversidade desse público. De acordo com Carla, há predominância de condutores entre 36 e 55 anos, além de participação relevante de motoristas acima de 61 anos. A distribuição por gênero é relativamente equilibrada, com aproximadamente 43% de mulheres e 56% de homens.
Para a diretora de Produto Auto do Grupo HDI, os números reforçam que diferentes consumidores podem ter expectativas bastante distintas mesmo quando pertencem à mesma faixa etária ou possuem veículos de valores semelhantes.
“Esses dados mostram que não existe um único perfil de segurado ou uma única expectativa em relação ao seguro. Há consumidores que priorizam uma proteção mais ampla, com maior variedade de serviços e possibilidades de personalização, enquanto outros buscam uma solução mais objetiva, adequada às suas necessidades e ao orçamento disponível.”
Essa segmentação também influencia a experiência oferecida ao cliente. Contratação, atendimento, comunicação, regulação de sinistros, renovação e pós-venda passaram a ter peso maior na percepção de valor do segurado, ampliando o desafio das empresas para além da simples oferta de coberturas.
O consumidor também está mais informado e exigente, aumentando a demanda por praticidade, agilidade e clareza na relação com as seguradoras. Carla Oliveira aponta que a simplificação da jornada deve acompanhar a diversificação dos produtos, especialmente em processos que tradicionalmente envolvem linguagem técnica e diferentes etapas.
“Processos excessivamente complexos, linguagem técnica e etapas pouco intuitivas podem dificultar a compreensão do produto e comprometer a experiência do cliente. Por isso, a evolução do setor passa não apenas pela ampliação do portfólio, mas também pela capacidade de tornar a jornada mais simples, eficiente e transparente.”
Nesse cenário, o corretor de seguros mantém uma função relevante na orientação do consumidor. Em um mercado mais segmentado, a atuação consultiva pode ajudar o cliente a compreender as alternativas disponíveis e identificar a proteção mais adequada ao seu perfil.
A tecnologia também tende a contribuir para essa personalização. Inteligência artificial, automação e análise de dados aparecem entre as ferramentas que podem apoiar as seguradoras na identificação de diferentes padrões de consumo, hábitos de mobilidade e necessidades de proteção.
Para o Grupo HDI, essa transformação reforça a importância de combinar tecnologia, diversidade de produtos e proximidade com o mercado. No último ano, a companhia superou R$ 15 bilhões em prêmios emitidos e ultrapassou R$ 10 bilhões no segmento Auto.
A perspectiva é de que o consumidor continue buscando soluções cada vez mais alinhadas ao próprio momento de vida e aos hábitos de mobilidade. Para Carla, a evolução do mercado estará relacionada à capacidade de oferecer diferentes alternativas de proteção sem perder de vista a experiência ao longo de toda a jornada.
“Em vez de buscar apenas um produto padronizado, o segurado tende a valorizar soluções que considerem seu momento de vida, seus hábitos de mobilidade e o nível de proteção que deseja contratar. A relação com a seguradora não termina na contratação: atendimento, comunicação, regulação de sinistros, renovação e pós-venda são elementos fundamentais para a percepção de valor e para a construção de relacionamentos de longo prazo.”

