Notícias | 15 de setembro de 2026 | Fonte: CNseg

Paraisópolis lança desafio para se tornar a primeira favela 100% segurada do Brasil

Transformar Paraisópolis na primeira favela 100% segurada do Brasil. Esse foi o desafio lançado neste sábado, 12 de setembro, pelo fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, durante a Feira Seguros para Todos os Bolsos. Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com o G10 Favelas, o evento reuniu quase 400 pessoas na comunidade da Zona Sul de São Paulo.

Com cerca de 21 mil domicílios, Paraisópolis foi apresentada como um território com potencial para funcionar como laboratório para o desenvolvimento de produtos, linguagens e formas de atendimento mais adequadas à realidade das populações de favelas e periferias.

“Quero propor que Paraisópolis se transforme nesse grande laboratório para entender a linguagem, as formas e o jeito de ser de quem vive na favela. Temos uma oportunidade de construir uma iniciativa que possa gerar resultados para todo o Brasil”, provocou Gilson.

Ao aceitar o desafio, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ressaltou que a proposta está alinhada ao objetivo de ampliar o acesso da população à proteção financeira. “Vamos trabalhar para buscar atender a esse desejo, que também é nosso”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa realizada em Paraisópolis integra um trabalho de longo prazo, que deverá alcançar outras regiões do país.

A diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Julia Normande, também participou da abertura e defendeu o desenvolvimento de soluções que considerem as características de cada território e sejam compreendidas pela população.

“A gente quer que o seguro chegue para todos, mas que chegue entendendo as comunidades, as pessoas e as situações em que aquele produto pode ser útil”, declarou. Julia também orientou os consumidores a buscar informações claras sobre coberturas, exclusões e condições dos produtos antes da contratação.

Além de defender a ampliação do acesso ao seguro, Gilson chamou a atenção para o patrimônio construído pelos moradores das comunidades, representado por residências, motocicletas utilizadas como instrumentos de trabalho, salões de beleza, restaurantes e outros pequenos negócios.

 Segundo ele, mais de 20 milhões de brasileiros vivem em favelas e movimentam aproximadamente R$ 300 bilhões. Para o fundador do G10 Favelas, a realização da feira no centro de Paraisópolis contribui para aproximar o setor segurador de uma parcela da população que nem sempre se percebe incluída nesse mercado.

Dyogo destacou que a proteção oferecida pelo seguro pode evitar que famílias e pequenos empreendedores precisem recomeçar depois de incêndios, acidentes, roubos e outros imprevistos.

“Uma das grandes dificuldades enfrentadas pela população de menor renda são as interrupções no seu ciclo de crescimento. A pessoa consegue montar um restaurante ou comprar um veículo para trabalhar, mas um único evento pode levá-la novamente à estaca zero. 

O seguro pode contribuir para dar continuidade a essa trajetória”, explicou.

O presidente da CNseg também reconheceu que a linguagem utilizada pelo setor ainda representa uma barreira, pois dificulta a compreensão sobre o funcionamento e a utilidade dos produtos. 

“Precisamos quebrar os muros invisíveis que fazem o seguro parecer algo destinado apenas a quem tem mais dinheiro. Também precisamos falar uma língua que as pessoas entendam”, acrescentou.

Empresas apresentam iniciativas em Paraisópolis

A programação reuniu atividades sobre educação financeira, inclusão, emprego e renda, inteligência artificial e proteção patrimonial, com a participação de representantes da Bradesco Seguros, CNP Assurances, Favela Seguros, Azul Seguros e MAPFRE.

O diretor de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da CNP Assurances Latam, Gregoire Saint Gal De Pons, destacou a atuação da companhia no mercado de seguros inclusivos e a importância de associar a oferta dos produtos a ações de educação financeira. A empresa comercializa microsseguros no Brasil desde 2012 e atualmente mantém mais de um milhão de pessoas protegidas por produtos inclusivos.

“Não adianta oferecer o produto sem que a população compreenda a importância de reservar uma parte da renda para contratar a proteção de que precisa”, afirmou.

Para Gê Coelho, doutor em Bioética e líder de Relações Institucionais da Favela Seguros, a feira ajudou a ampliar o diálogo entre o mercado segurador e os territórios periféricos.

“A favela não é apenas um lugar de carências e necessidades. É um território que produz economia, conhecimento e soluções. Se existem casas, carros, motos, negócios e vidas construídas aqui, esse patrimônio também precisa ter acesso à proteção”, disse.

A superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, Ivani Benazzi de Andrade, ressaltou que a presença das empresas na comunidade permitiu compreender mais de perto as necessidades dos moradores.

“A aproximação ajuda a entender o cotidiano das pessoas e o que realmente é importante para elas. Também permite mostrar, de maneira simples, como valores acessíveis podem contribuir para proteger famílias, residências e pequenos patrimônios”, afirmou.

Presente em Paraisópolis, a MAPFRE reforçou a importância de ouvir as demandas das comunidades para transformá-las em soluções de proteção. O superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil, Ivo Kanashiro, destacou que a presença da seguradora na região faz parte de um trabalho de mais de quatro anos para compreender as demandas das comunidades e transformá-las em soluções de proteção. “Estar próximo das pessoas é fundamental para tornar o seguro mais acessível e cuidar do que realmente importa para elas”, afirmou.

A Azul Seguros participou do evento com a atividade “Seguro sem complicação: como a inteligência artificial ajuda a escolher o melhor para sua família e o seu bolso”. Em linguagem acessível, a companhia abordou como a tecnologia pode facilitar a compreensão dos produtos e apoiar a escolha de soluções de proteção adequadas às necessidades e à realidade financeira de cada família.

A programação contou ainda com um bate-papo sobre emprego e renda, conduzido pelo superintendente regional de São Paulo da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Rodrigo Matos, além de atração musical e atividades interativas.

Para Dyogo Oliveira, a realização da feira representa o início de uma agenda permanente de aproximação entre o setor segurador e as periferias. “Estamos começando um trabalho de longo prazo. Queremos contribuir para que o seguro faça parte da vida dessas pessoas como instrumento de proteção, estabilidade, emprego, renda e prosperidade”, concluiu.

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