Erling Haaland voltou a dominar as manchetes após a eliminação do Brasil na Copa, no último domingo. Mas, desta vez, o destaque não veio apenas pelo desempenho dentro de campo. Fora dos gramados, o atacante da Noruega e do Manchester City também chama atenção por um patrimônio que ultrapassa o universo do futebol: uma coleção de bolsas Hermès estimada em mais de R$ 1,6 milhão. Em um cenário em que determinadas peças se valorizam ao longo do tempo e passam a ser tratadas como ativos de investimento, cresce também a necessidade de protegê-las contra perdas que podem representar prejuízos milionários.
É justamente nesse contexto que ganha força um segmento cada vez mais sofisticado do mercado de seguros. Voltado à proteção de bens de alto valor, esse tipo de apólice atende desde bolsas de luxo e relógios de alta relojoaria até joias, obras de arte e coleções exclusivas, oferecendo coberturas que vão muito além das previstas em seguros convencionais.
Para o presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, o tema está diretamente ligado à evolução da atuação do corretor de seguros. Segundo ele, a proteção patrimonial sofisticada tornou-se uma oportunidade relevante para aproximar o setor de seguros de clientes que buscam preservar patrimônios exclusivos. Na avaliação do executivo, o corretor assume o papel de um verdadeiro “Super Herói da Proteção”, ao oferecer soluções personalizadas para riscos cada vez mais complexos.
Bentes explica que, quando se trata de coleções milionárias, “o gerenciamento de riscos vai muito além do básico”. Segundo ele, “os principais riscos considerados pelas seguradoras e cobertos por essas apólices especiais incluem alguns pontos de atenção”, sendo que “o roubo e o furto qualificado são a preocupação central”, já que artigos de luxo possuem elevada liquidez no mercado paralelo e despertam o interesse de criminosos. Por isso, as coberturas contemplam tanto os bens armazenados na residência quanto aqueles que acompanham seus proprietários em deslocamentos.
Segundo o presidente do Sincor-MG, esse cuidado torna-se ainda mais importante para atletas, empresários e outras personalidades que viajam frequentemente levando consigo objetos de alto valor. Nesses casos, “a cobertura de extensão territorial ou ‘All Risks’ internacional é indispensável para cobrir perdas ou danos durante deslocamentos, hotéis, agendas sociais e voos”, garantindo proteção mesmo quando os bens circulam fora do país.
As coberturas também podem incluir danos acidentais. Uma bolsa rara danificada durante um deslocamento ou um relógio cujo mecanismo seja comprometido após uma queda estão entre as situações que podem ser indenizadas, conforme as condições contratadas.
Outro ponto essencial é a comprovação do valor dos bens. Conforme explica o presidente do Sincor-MG, as seguradoras exigem notas fiscais, certificados de autenticidade e laudos especializados para confirmar a procedência e atualizar o valor de mercado dos objetos segurados. Isso porque, como destaca Bentes, “muitos desses itens, como determinadas bolsas Hermès, se valorizam com o tempo, funcionando como investimentos”, tornando indispensável que a avaliação acompanhe essa valorização.
O crescimento do consumo de artigos de luxo no Brasil também impulsionou a procura por esse tipo de proteção. De acordo com Gustavo Bentes, o amadurecimento do público de alta renda fez com que a preocupação deixasse de ser apenas a aquisição do bem. “O consumidor percebeu que não basta apenas adquirir o bem; é preciso garantir a continuidade do patrimônio e a tranquilidade no seu uso diário”, afirma.
Na prática, essa modalidade difere significativamente do seguro residencial tradicional. Segundo o executivo, esse tipo de apólice costuma estabelecer limites reduzidos para bolsas de grife, joias e relógios. Assim, mesmo diante de um roubo que resulte na perda de uma coleção avaliada em milhões de reais, “o seguro residencial comum costuma pagar apenas uma fração pequena do risco específico”, motivo pelo qual “cabe uma análise personalizada e o enquadramento correto dessa demanda por parte dos corretores de seguros para que não haja surpresas no momento do sinistro”.
Já o seguro para bens de luxo é estruturado de forma personalizada. Conforme explica Bentes, “são apólices All Risks, desenhadas sob medida”, nas quais “os bens são especificados um a um, com marca, modelo, número de série e valor de mercado acordado”. Além disso, a cobertura acompanha o patrimônio fora da residência, protegendo o segurado durante o uso em eventos, viagens e deslocamentos, característica considerada essencial para quem utiliza regularmente esse tipo de patrimônio.
Na avaliação de Gustavo Bentes, esse cenário também representa uma das maiores oportunidades atuais para os corretores de seguros. Segundo ele, “esse segmento representa uma das maiores oportunidades de diferenciação e rentabilidade”, justamente por ser “um mercado menos suscetível à guerra de preços e que exige um papel consultivo de alto nível”.
O executivo ressalta que “o corretor não deve buscar apenas o comprador de bolsas”. Empresários, médicos, investidores e profissionais de alta renda frequentemente possuem bens valiosos sem perceber que eles exigem uma proteção específica. Muitas vezes, observa, esses clientes já mantêm seguros empresariais, patrimoniais ou de automóveis com o mesmo corretor, mas nunca foram questionados sobre seu patrimônio pessoal.
Para identificar essas oportunidades, Bentes defende a realização de um diagnóstico patrimonial completo, construído a partir da relação de confiança entre corretor e segurado. Segundo ele, “a melhor forma de identificação é através de um diagnóstico patrimonial completo, construído a partir da proximidade que já existe entre corretor e segurado, mas com profundidade e um debate amplo e qualificado sobre o assunto”. Perguntas simples durante a renovação de um seguro residencial, como se o cliente possui relógios de alta relojoaria, joias ou coleções utilizadas em viagens, podem abrir espaço para uma consultoria muito mais abrangente.
Segundo o presidente do Sincor-MG, “muitos desses bens de luxo não são apenas acessórios, mas ativos de valor que passam de geração para geração”. Para ele, quando a proteção desses patrimônios é integrada ao planejamento patrimonial e sucessório, “o corretor se consolida como um verdadeiro consultor de confiança da família”, demonstrando que, em um universo onde o luxo pode valer milhões, proteger esse patrimônio tornou-se tão estratégico quanto construí-lo.

