Obras de arte centenárias, mobiliário histórico, arquitetura preservada e um dos palácios mais tradicionais da Sicília serviram de cenário para a celebração do casamento da cantora Dua Lipa com o ator britânico Callum Turner, realizada entre os dias 5 e 7 de junho, na Villa Valguarnera, em Palermo. O que para o público foi um espetáculo de luxo e exclusividade também ilustra um desafio para o mercado de seguros: como proteger patrimônios de valor inestimável durante eventos que reúnem centenas de convidados, fornecedores e estruturas temporárias?
Embora a gestão de riscos adotada na celebração não tenha sido divulgada, eventos realizados em palácios, museus, casarões históricos e outros imóveis de alto valor exigem planejamento especializado para reduzir a exposição a prejuízos que podem atingir cifras milionárias. É justamente nesse contexto que a atuação do corretor de seguros ganha relevância.
Para o delegado representante da Fenacor, Dorival Alves de Sousa, os chamados danos acidentais figuram entre as ocorrências mais recorrentes nesse tipo de celebração.

“Quebras ou arranhões em móveis históricos e obras de arte podem ser provocados por convidados ou até mesmo por fornecedores durante a montagem e a realização do evento”, alerta.
Segundo Ricardo Minc, diretor de Esportes, Mídia e Entretenimento da Howden Brasil, a análise dos riscos precisa considerar tanto o patrimônio permanente do imóvel quanto todos os bens incorporados à produção do evento.

“Os principais riscos envolvem danos acidentais ao patrimônio permanente do imóvel, como pisos, paredes, escadarias, portas, lustres, tapeçarias, móveis históricos, objetos decorativos e, em alguns casos, obras de arte que integram o acervo do local”, explica.
“Também podem ocorrer danos a bens levados especialmente para a realização do evento, como mobiliário cenográfico, esculturas, quadros, equipamentos de som, iluminação e estruturas temporárias.”
Para o executivo, a complexidade aumenta quando o imóvel abriga peças de elevado valor artístico, histórico ou cultural.
“Um limite de cobertura que seria suficiente para um evento convencional pode não atender ao valor real do patrimônio exposto ao risco”, ressalta.
Além dos danos ao patrimônio, Dorival chama atenção para outro ponto frequentemente subestimado durante o planejamento dessas celebrações.
“Acidentes envolvendo convidados podem resultar em lesões corporais e gerar responsabilidades para os organizadores ou para os responsáveis pelo espaço”, observa.
O delegado representante da Fenacor acrescenta que fatores externos também precisam ser considerados.
“Tempestades e outros fenômenos naturais podem causar danos significativos à estrutura do local e comprometer toda a realização da celebração.”
Diante desse cenário, a escolha das coberturas deve ser feita a partir das características específicas de cada evento. Ricardo Minc explica que a resposta securitária varia conforme a natureza do bem atingido.
“Quando a obra de arte ou a peça histórica pertence ao acervo permanente do imóvel, a cobertura de Responsabilidade Civil para Eventos pode responder pelos danos, desde que tenha sido contratada e não exista exclusão específica prevista na apólice.”
O tratamento, porém, muda quando os objetos integram exclusivamente a cenografia da celebração.
“Dependendo das condições da apólice, esses bens podem não estar cobertos pela Responsabilidade Civil nem pela cobertura patrimonial padrão de Riscos Diversos, exigindo a avaliação de um seguro específico para obras de arte (Fine Art)”, explica.
Para Dorival Alves de Sousa, esse é justamente o momento em que o corretor assume um papel estratégico.
“É fundamental que os organizadores discutam previamente essas coberturas com seus corretores de seguros, garantindo que todos os aspectos do evento estejam contemplados.”
Na avaliação do delegado representante da Fenacor, esse segmento ainda oferece espaço para uma atuação consultiva cada vez mais especializada.
“A realização de eventos em locais exclusivos e patrimônios históricos representa uma oportunidade valiosa para os corretores de seguros.”
Ricardo Minc observa que esse trabalho começa muito antes da contratação da apólice. Segundo ele, é indispensável compreender exatamente quais riscos estarão presentes durante todas as etapas da operação.
“O corretor deve distinguir quais bens pertencem ao imóvel, quais serão levados para o evento, quais são alugados, quais possuem valor artístico ou histórico e quais estarão sujeitos ao transporte, montagem, exposição, desmontagem e retorno.”
O executivo destaca ainda que contratos de locação desses espaços costumam estabelecer exigências específicas de cobertura, tornando indispensável uma análise técnica criteriosa.
“A partir desse mapeamento, o corretor pode estruturar um programa de seguros adequado, combinando, quando necessário, a Responsabilidade Civil para Eventos, a cobertura patrimonial para os bens utilizados na produção e, nos casos que envolvem obras de arte, antiguidades ou objetos de valor cultural, um seguro Fine Art. Essa arquitetura evita lacunas de cobertura e permite que a proteção seja compatível com os riscos efetivamente presentes em cada evento.”
Para Dorival, é justamente essa capacidade de orientar clientes diante de riscos complexos que diferencia o trabalho da corretagem.
“A orientação e a assessoria de um corretor de seguros não podem ser subestimadas. É essa atuação que permite aos organizadores conhecer os riscos envolvidos e tomar decisões mais seguras”, enfatiza.
O casamento de Dua Lipa e Callum Turner ganhou repercussão mundial pelo luxo, pela exclusividade e pelo cenário histórico escolhido para a celebração. Para o mercado de seguros, porém, ele também serve como exemplo de uma realidade cada vez mais presente: à medida que eventos de alto padrão ocupam imóveis de grande valor histórico e cultural, cresce a necessidade de soluções securitárias capazes de proteger patrimônios que muitas vezes são insubstituíveis. Mais do que uma apólice, a gestão de riscos passa a ser parte essencial da preservação desses espaços e da segurança de todos os envolvidos.

