O aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil tem ampliado o debate sobre a necessidade de novos mecanismos capazes de expandir a capacidade do setor de seguros para absorver riscos de grande porte. Na avaliação do diretor executivo da Galapagos Capital, Octávio Kurosaka, a Letra de Risco de Seguro (LRS) surge como uma solução estratégica para reduzir o déficit de cobertura existente no país e fortalecer parcerias entre os setores público e privado.
Segundo o executivo, o Brasil já reúne as condições necessárias para utilizar esse instrumento em larga escala. Para ele, o setor de seguros possui maturidade, estrutura regulatória e capacidade técnica suficientes para colocar em prática operações utilizando a LRS, restando avançar na construção de um modelo que amplie a participação do poder público e atraia mais capital privado para esse tipo de iniciativa.
Kurosaka explica que a proposta vai além da cobertura tradicional de seguros para catástrofes. A ideia é utilizar a LRS para aumentar a capacidade disponível no setor, permitindo que investidores do mercado de capitais participem da absorção desses riscos ao lado das seguradoras, resseguradoras e do próprio governo.
“O principal mote do que estamos fazendo na Galapagos Capital é fechar aquele gap de cobertura que sempre vemos em relação às notícias de, por exemplo, eventos catastróficos e o quanto deles foi realmente segurado”, afirma.
De acordo com o executivo, essa estrutura ganha ainda mais relevância diante do novo cenário climático vivido pelo país. Ele observa que, até poucos anos atrás, o Brasil não convivia com a recorrência de eventos extremos que hoje impactam estados e municípios, tornando urgente a ampliação da proteção securitária.
“Até pouco tempo atrás, não falávamos de catástrofes com a recorrência que vemos hoje, principalmente na questão climática”, destaca.
Para Kurosaka, a experiência internacional demonstra que modelos de parceria entre governo e iniciativa privada podem ampliar significativamente a cobertura contra desastres naturais. Países frequentemente afetados por furacões, terremotos e outros eventos extremos já utilizam esse formato para distribuir riscos e aumentar a proteção da população.
“Outros países já adotam esse formato de parceria público-privada, provendo apólices especificamente para riscos catastróficos”, ressalta.
Na avaliação do executivo, o Brasil tem a oportunidade de aproveitar essas referências para desenvolver uma política nacional mais robusta de proteção contra catástrofes, utilizando a LRS como instrumento para ampliar a capacidade do mercado de seguros.
“Acho que é aproveitarmos essas boas práticas ou a experiência de outros países para formar a nossa política de ampliar essa cobertura do seguro”, conclui.

