A Associação Internacional de Direito de Seguros (AIDA Brasil) realizou, nesta quarta-feira (29), o oitavo Encontro de Responsabilidade Civil, na sede da Sompo, em São Paulo. O evento reuniu profissionais do mercado de seguros para discutir temas relacionados à regulação de sinistros, gestão de riscos, inteligência artificial e os impactos da nova Lei do Contrato de Seguro nas relações entre segurados e seguradoras.
A programação contou com três painéis. O primeiro abordou temas atuais de regulação de sinistros e gestão de riscos à luz da nova legislação. O segundo discutiu a relação entre inteligência artificial e responsabilidade civil, enquanto o terceiro tratou dos desafios trazidos pela nova Lei do Contrato de Seguro.
Para Silvia Gadelha, superintendente de Linhas Financeiras e Responsabilidade Civil da Sompo, receber o encontro na companhia contribuiu para ampliar a discussão entre os diferentes agentes do mercado. “Foi um prazer ter recebido o evento na nossa casa, falar sobre a nova lei, sobre os impactos que isso traz para nosso mercado, ter aqui os nossos clientes, corretores e parceiros de negócio, é super importante para disseminação desse assunto no nosso mercado.”
A utilização da inteligência artificial foi um dos assuntos de destaque durante o encontro. Ana Canovas, gerente de RC e Financial Lines da Sompo, ressaltou que a tecnologia amplia possibilidades para empresas, mas também traz exposições que precisam ser consideradas pelo mercado de seguros.
“Tivemos hoje um debate muito interessante sobre responsabilidade civil e as novas exposições trazidas pela IA. É um debate muito rico em entender como o mercado vai se posicionar frente à utilização da IA, os benefícios que ela traz, mas ao mesmo tempo conseguir prever, mitigar exposições involuntárias ou até mesmo não desejadas dentro das apólices”, afirmou.
Segundo a executiva, a velocidade com que a inteligência artificial evolui torna o tema especialmente desafiador para seguradoras, corretores e segurados. “É um assunto muito dinâmico, uma exposição é bastante difícil de se prever, mas que com certeza é uma realidade pro segmento e a gente precisa endereçar.”
Presidente do Grupo Nacional de Trabalho (GNT) de Responsabilidade Civil da AIDA Brasil, Mariana Menescal destacou a diversidade de temas discutidos durante o encontro e a necessidade de aprofundar o debate sobre riscos que ainda estão em processo de compreensão pelo mercado.
Segundo Mariana, a discussão também mostrou que o setor ainda está construindo respostas para questões trazidas pelas novas tecnologias e pela legislação. “No final a gente tá vendo que estamos todos aprendendo, debatendo temas relevantes e que temos mais perguntas do que respostas por enquanto, mas o importante é a gente se informar.”
O diretor acadêmico da AIDA Brasil, Victor Benes, participou do primeiro painel, que tratou da gestão de riscos diante da nova Lei do Contrato de Seguro. A discussão abordou a percepção de risco pelo segurado, a contratação de proteção adequada e a importância dos limites e franquias.
“Trabalhamos a ideia da percepção do risco por parte do segurado, como que ele deve buscar uma proteção adequada ao seu risco em termos de limite, em termos de franquia. Falamos também a respeito da regulação do sinistro e seus impactos na proteção do seguro, numa boa liquidação do sinistro”, explicou.
O painel também buscou reunir diferentes perspectivas sobre a relação entre segurado, corretor e seguradora. “Tivemos a presença de um risk manager que deu a visão do segurado. Tivemos a presença de um corretor de seguros que deu aquela visão entre segurado e seguradora. E a mim coube falar um pouco mais da parte jurídica, dos impactos efetivos da lei nessa relação entre segurada e seguradora.”
A inteligência artificial voltou a aparecer como um dos principais pontos de atenção no debate sobre responsabilidade civil. Angélica Lúcia Carlini, professora da Escola Paulista de Direito e da Escola de Negócios e Seguros (ENS), participou do painel dedicado ao tema.
“Participei do painel sobre inteligência artificial e responsabilidade civil no âmbito dos seguros, que é muito importante porque a responsabilidade civil oriunda da inteligência artificial vai nos trazer cada vez mais debate nos próximos anos”, afirmou.
Para a especialista, a discussão sobre os impactos da IA tende a ganhar espaço no mercado nos próximos anos. “Foi um excelente painel e eu fiquei muito feliz de ter participado.”
Ao avaliar o encontro, Mariana Menescal também destacou a parceria com a Sompo e a Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR) para a realização da programação. “Queria registrar um agradecimento pra Sompo e pra ABGR, que foram parceiras no evento, mas muito especial a Sompo, que nos cedeu esse espaço maravilhoso, que fizemos um evento lindo e de casa cheia.”

