Notícias | 28 de novembro de 2025 | Fonte: CQCS | Livia Alves

1º Fórum de Longevidade do IBA destaca desafios do envelhecimento e o papel estratégico da atuação atuarial

O Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) promoveu o 1º Fórum de Longevidade, um encontro multidisciplinar voltado a discutir como o envelhecimento da população está remodelando o país em diversas frentes: saúde, previdência, mercado segurador, economia e comportamento. O evento aconteceu na UNINOVE Vergueiro, em São Paulo, e reuniu profissionais, pesquisadores e gestores do setor atuário e correlatos.

O presidente do IBA, Giancarlo Germany, lembrou que o envelhecimento populacional é um fenômeno global que impacta diretamente a estrutura previdenciária e financeira do país. Em sua avaliação, “felizmente estamos vivendo mais e com melhor qualidade de vida, mas isso traz desafios financeiros, individuais e coletivos. A relação entre pessoas ativas e beneficiários deve ficar negativa em algum tempo, e isso inviabiliza o financiamento da previdência”. Para ele, o setor precisa evoluir rapidamente. 

“Precisamos buscar produtos securitários que deem suporte nessa longevidade, garantindo amparo e permitindo que o desenvolvimento econômico continue alinhado às necessidades da população mais idosa”, concluiu, Germany.

Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade MAG, destacou a relevância do protagonismo do IBA na construção de soluções para uma sociedade que envelhece rapidamente. Ele afirmou que “é absolutamente oportuna a presença do IBA na discussão da longevidade, porque os atuários do Brasil têm uma função importantíssima na solução das oportunidades e do futuro dos produtos securitários que vierem a ser desenvolvidos para a terceira idade”. Molina também comentou sua participação no evento. “Foi muito interessante ouvir sobre os impactos médicos da longevidade. O que eu trouxe foi a reflexão sobre os impactos sociais, econômicos e comportamentais dessa mesma realidade”, disse.

Nelson Emiliano Costa, diretor técnico atuarial da MAG Seguros e presidente da Comissão Atuarial da Penaprev, ressaltou a evolução dos estudos sobre melhorias na longevidade e seus impactos nos cálculos atuariais. Ele explicou que “assunto que está muito em voga, longevidade. Fizemos vários encontros para falar sobre o tema, impactos climáticos, impactos de pandemia e hoje estudamos muito as melhorias na longevidade, os conhecidos improvements”. Segundo ele, o trabalho técnico é detalhado e contínuo. “A melhor maneira de calcular e aplicar os improvements altera os valores das rendas dos segurados, e esse trabalho hoje é conduzido pelo Vitor Braga e pelo Vitor Sodré, com participação de profissionais de seguros e entidades fechadas”, completou.

Dinarte Bonetti, diretor de Seguros do IBA, reforçou o papel estratégico da entidade diante desse cenário. Ele afirmou que “longevidade é um tema muito caro para o setor de seguros. O desafio está dado e agora precisamos definir como vamos enfrentá-lo. O fórum permitiu trocar ideias e entender as percepções dos grandes players do tema”. Bonetti também destacou a importância institucional. “Como IBA, temos muito a contribuir para toda a comunidade e para o governo”, disse.

A diretora de Relações Institucionais do IBA, Raquel Marimont, destacou que o país vive uma mudança estrutural inédita. Segundo ela, “o Fórum de Longevidade foi um espaço muito relevante para olhar para o futuro do país e pensar como nos preparamos para essa realidade que já bate à porta. A longevidade impacta seguros, previdência, economia, saúde e até o modelo de consumo”. 

Marimont também chamou atenção para o avanço da população mais idosa. “A população acima de 80 anos cresce significativamente. Essa população tem necessidades específicas, desde preparação financeira até cuidados contínuos. Discutimos isso com especialistas em saúde e com o regulador da saúde suplementar”, completou.

O diretor de Saúde do IBA, Rafael Sobral, reforçou que o aumento da expectativa de vida, embora positivo, exige responsabilidade técnica. Para ele, “é maravilhoso termos uma vida mais longa e mais feliz, mas isso traz consequências para a saúde e para a sustentabilidade dos planos. Precisamos garantir que o mutualismo permita a melhor assistência possível durante toda a continuidade de vida”.

O vice-presidente do IBA, Daniel Conde, explicou que o debate sobre longevidade exige cooperação entre vários setores. Ele afirmou que “quando você fala de longevidade, você fala de cálculo atuarial. É fundamental que saúde, previdência, seguros, médicos, advogados, economistas e atuários discutam o impacto na sociedade”. Conde também explicou as ações internas da entidade. “O IBA conta com um grupo de trabalho intercomitê, ligado ao CT de Previdência e ao CT de Seguros, que há cerca de 20 meses discute temas específicos sobre os impactos da longevidade nesses setores”, relatou.

O atuário Vitor Sodré, gerente executivo da Previ, reforçou a importância da troca de conhecimento no GT de Longevidade. Ele destacou que “o GT é intercomitê e traz um pouco das experiências do mercado para aprofundar estudos acadêmicos. Foi uma experiência muito rica participar do fórum”, disse.

A diretora do IBA, Priscila Portal, aproveitou o encontro para reforçar a continuidade da agenda técnica da entidade. Ela afirmou que “quero convidar todos para participarem do 15º Congresso Brasileiro de Atuária, que vai ocorrer nos dias 13 e 14 de agosto de 2026. Estamos preparando diversas palestras relacionadas à atuária”.

O diretor do IBA, Marco Pontes, celebrou a realização do fórum e a qualidade das discussões. Para ele, “foi uma satisfação participar do primeiro Fórum de Longevidade, um tema tão presente no nosso dia a dia. Tivemos especialistas de várias áreas falando sobre mercado de trabalho, saúde e produtos”. Pontes ainda deixou uma mensagem final ao público. “Desejo a todos um Feliz Natal junto aos seus familiares”, concluiu.

Participaram do evento especialistas como Nilton Molina, Eduardo Lamers, Luiz Roberto Ramos, Martha Oliveira, Mórris Litvak, Hélio Zylberstajn, Clea Klouri e Cátia Mantini, que abordaram temas relacionados a longevidade digna e segura, previdência complementar, envelhecimento humano, mercado de trabalho da população madura, saúde, relações industriais e regulação da saúde suplementar.

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