As denúncias de violência contra pessoas idosas registradas pelo Disque 100 cresceram 29,85% nos primeiros meses de 2026, totalizando cerca de 75 mil ocorrências. O aumento reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre os diferentes tipos de abuso que atingem a população 60+, especialmente em um cenário de envelhecimento acelerado da sociedade brasileira e de casos que, muitas vezes, acontecem dentro do ambiente familiar.
A discussão ganha destaque durante o Junho Violeta, campanha voltada à conscientização, prevenção e combate à violência contra a pessoa idosa. A mobilização busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre as diversas formas de abuso e incentivar a identificação e a denúncia de situações de violência.
Segundo Antonio Leitão, gerente institucional do Instituto de Longevidade MAG, o crescimento dos registros evidencia a importância de fortalecer os mecanismos de proteção e ampliar a capacidade de reconhecer sinais que frequentemente passam despercebidos.
“A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis. Em muitos casos, ela ocorre de forma silenciosa, por meio da negligência, do abandono, da violência psicológica ou do uso indevido de recursos financeiros. Quanto mais informação a sociedade tiver sobre essas situações, maiores são as chances de prevenção e de intervenção antes que os danos se agravem”, afirma.
Para o especialista, o enfrentamento da violência exige uma atuação conjunta entre famílias, comunidades, instituições e poder público. “O aumento das denúncias mostra que precisamos avançar na construção de uma cultura que valorize o envelhecimento com respeito, autonomia e dignidade. A conscientização é um passo fundamental para romper ciclos de violência que, muitas vezes, permanecem invisíveis”, destaca.
Como parte das ações de orientação e prevenção, o Instituto de Longevidade MAG disponibiliza uma cartilha educativa sobre violência contra a pessoa idosa. O material reúne informações sobre os principais tipos de abuso, formas de prevenção e orientações para familiares, cuidadores e idosos identificarem situações de risco.
Entre os principais sinais de alerta para casos de violência financeira e patrimonial estão mudanças inesperadas nas finanças, saques frequentes, transferências incomuns, contratação de empréstimos sem total compreensão por parte da pessoa idosa e gastos incompatíveis com seu padrão habitual.
Também merecem atenção situações em que familiares, cuidadores ou terceiros pressionam o idoso a assinar documentos, vender bens, conceder procurações ou alterar decisões patrimoniais.
Outro indício relevante é a perda de controle sobre os próprios recursos, quando a pessoa deixa de ter acesso a contas bancárias, cartões, senhas ou desconhece o destino do próprio dinheiro.
Alterações repentinas no padrão de vida, dificuldades para adquirir medicamentos, pagar despesas básicas ou manter hábitos anteriormente consolidados também podem indicar uso indevido da renda ou do patrimônio.
O isolamento associado ao controle financeiro é outro fator de atenção. Situações em que terceiros passam a centralizar decisões, restringem contatos ou evitam conversas sobre dinheiro podem esconder episódios de abuso.
Além disso, mudanças de comportamento ao tratar de questões financeiras, como medo, constrangimento, insegurança ou receio de provocar conflitos familiares, podem dificultar que a vítima relate o que está acontecendo.
Ao identificar qualquer sinal de violência, especialistas orientam que familiares, amigos e a própria pessoa idosa busquem apoio na rede de proteção e acionem os órgãos competentes. Além do Disque 100, que funciona gratuitamente 24 horas por dia, denúncias também podem ser realizadas pelos canais digitais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Combater a violência contra a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva e um passo fundamental para garantir um envelhecimento com respeito, autonomia e dignidade.

