A Casa do Seguro, espaço oficial da CNseg na COP30, recebeu uma série de debates que evidenciaram como o mercado segurador tem ampliado sua atuação diante dos desafios climáticos. Modelagem de risco, ciência aplicada, conservação ambiental, soluções baseadas na natureza e novas metodologias para apoiar subscrição e prevenção foram temas que marcaram as discussões ao longo do dia.
Investimentos em modelagem climática e fechamento do gap de proteção
Pedro Farme d’Amoed, CEO da Guy Carpenter no Brasil, destacou que o mercado de seguros vive um momento decisivo diante da intensificação dos eventos climáticos. Ele explicou que a companhia tem ampliado investimentos em dados e modelagem por meio do Grupo Marsh-McLennan.
“O mercado precisa fechar o gap de proteção e a sociedade precisa de uma economia mais resiliente. Mesmo quem não perde diretamente bens ou vidas já está pagando essa conta, porque o governo arca com grande parte dos prejuízos”, afirmou. Para ele, fomentar o mercado de seguros, fortalecer o capital das seguradoras e ampliar a cobertura contra riscos naturais são passos essenciais para a adaptação climática.
Ciência e tomada de decisão no setor de seguros
Jean Pierre Ometto, pesquisador Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apresentou a plataforma DAPTA Brasil, que calcula riscos de impactos de eventos climáticos extremos sobre diferentes setores da sociedade. Ele reforçou a relevância da conexão entre ciência e mercado segurador.
“A ciência traz informação para que a tomada de decisão seja embasada. Essa conexão é essencial para que o setor de seguros avance em sua capacidade de antecipar, modelar e responder aos riscos climáticos”, explicou.
Conservação ambiental e proteção da biodiversidade
Um dos momentos mais celebrados do dia foi o anúncio da nova parceria entre a Fundação Biodiversitas, Seguros Unimed e empresas de monitoramento e certificação ambiental. Para Jorge Velloso Vianna, superintendente da Fundação Biodiversitas, superintendente da Biodiversitas, o projeto inaugurou uma fase inédita para a conservação privada no Brasil.
“Esperamos por esse apoio há 35 anos. Essa parceria muda a história da conservação privada no Brasil. É muito significativo contar com uma seguradora pioneira no mercado de carbono e na proteção da biodiversidade”, afirmou.
Seguros Unimed lança iniciativa para ampliar RPPNs no país
Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, apresentou um programa que combina monitoramento, certificação e expansão de RPPNs, com foco em viabilizar financeiramente áreas protegidas e facilitar a adesão de pessoas físicas, pequenas empresas e corporações.
“Criamos um modelo replicável, que facilita a manutenção e a criação de novas reservas privadas. São pequenas iniciativas que, juntas, podem gerar grande impacto ambiental”, destacou.
Pedro Nabucco, diretor-executivo da Seguros Unimed, ressaltou o engajamento interno da companhia com a agenda climática. “As reações têm sido extremamente positivas. Existe um orgulho muito grande dentro da empresa por estarmos assinando esse compromisso e alinhando seguros, saúde e proteção ambiental.”
Soluções baseadas na natureza e seleção de riscos mais inclusiva
Rodrigo Curi, superintendente executivo técnico da Brasilseg, explicou que a discussão conduzida pela companhia abordou como a natureza pode atuar como agente de regeneração e mitigação de vulnerabilidades.
“Falamos de soluções baseadas na natureza, de assimetrias de dados e da importância de incluir elementos qualitativos nos modelos de risco. A subscrição deixou de ser excludente e passou a ser inclusiva”, afirmou.
Experiências internacionais e o papel da biodiversidade
Representando a federação colombiana de seguradoras, Mabyr Valderrama, Diretora de Sustentabilidade da Fasecolda, reforçou que a biodiversidade é, na prática, o primeiro nível de proteção contra riscos climáticos.
“Nosso principal seguro é a natureza. Desenvolver produtos, como seguros paramétricos ligados à perda de biodiversidade, é essencial para reduzir riscos que podem comprometer economias inteiras”, disse.
Metodologia inovadora para áreas protegidas
A KPMG também marcou presença no evento. Nelmara Arbex, Head de EGS para as Américas, acompanhou a apresentação da parceria entre Unimed, Biodiversitas e Seis Bios.
“É uma metodologia inovadora para monitorar conservação e restauração em áreas protegidas. A iniciativa chega em um momento muito importante para o país”, afirmou.
Radar de eventos climáticos e novos centros de pesquisa
Encerrando o dia, o IRB(Re) apresentou os modelos climáticos que vem desenvolvendo e reforçou a importância de incluir o mercado segurador no coração da agenda climática brasileira.
Eduarda de La Rocque, diretora de Controles Internos, Riscos e Conformidade, destacou que o setor tem capacidade de precificar, mitigar e diversificar riscos. “O lançamento do Radar de eventos climáticos e seguros no Brasil é fundamental para termos dados e modelos que ajudem a proteger o futuro da sociedade”, afirmou.
Ela also anunciou o lançamento do Centro de Pesquisa de Estudos sobre Riscos Climáticos e Resiliência, previsto para janeiro de 2025. “Convido todos a participarem. Juntos, podemos proteger o futuro da sociedade.”

