Notícias | 17 de março de 2026 | Fonte: G1

Seguradoras passam a oferecer cobertura para erros de inteligência artificial

Apesar da crescente autonomia e capacidade da inteligência artificial, a tecnologia ainda está sujeita a erros. Por isso, segundo reportagem da agência France Press divulgada nesta segunda-feira (16), empresas do setor de seguros começaram a incorporar a IA em suas coberturas.

Tradicionalmente, seguros são desenhados para cobrir falhas humanas — não decisões tomadas por máquinas. Por isso, empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas mais autônomos têm buscado coberturas adicionais.

Segundo Phil Dawson, responsável por IA na empresa seguradora Armilla, a evolução dessas ferramentas desafia a lógica tradicional dos seguros. “A finalidade destas ferramentas avançadas de IA é prescindir da assistência e da supervisão humanas na tomada de decisões, o que questiona parte da lógica fundamental da cobertura de seguros existente”, afirmou.

Seguradoras mudam postura


Até recentemente, os riscos da IA eram muitas vezes cobertos de forma implícita em apólices tradicionais, em um modelo chamado de “cobertura silenciosa”.

Segundo análise de Sonal Madhok e Anat Lior, publicada em 2025 pela corretora Willis Towers Watson, essa situação lembra os primeiros anos da criminalidade cibernética, quando os riscos ainda não eram claramente definidos.

Nos últimos meses, o setor passou de uma postura cautelosa para uma abordagem mais ativa.

De acordo com Jonathan Mitchell, da corretora Founder Shield, muitas apólices padrão passaram a incluir cláusulas de “exclusão absoluta da IA”, retirando esse tipo de risco da cobertura tradicional.

Segundo o jornal Financial Times, seguradoras como a Chubb têm solicitado a reguladores dos Estados Unidos autorização para excluir formalmente responsabilidades ligadas à IA de seus contratos.

Com isso, cresce a oferta de seguros específicos para IA.

Um dos principais produtos é o seguro de erros e omissões (E&O), comum em serviços profissionais, mas agora adaptado para incluir falhas de inteligência artificial.

Esse tipo de apólice pode cobrir situações como:

  • decisões erradas tomadas por sistemas automatizados
  • prejuízos financeiros causados por “alucinações”
  • danos no mundo real, como compras excessivas feitas por um agente virtual
  • Em um exemplo citado por Dawson, uma imobiliária buscou proteger seu agente de IA como se fosse um funcionário e acabou contratando uma apólice específica para a tecnologia.

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