A margem de rentabilidade do setor deve alcançar 31% em 2026, impulsionada pelos juros elevados, controle de despesas e ausência de grandes catástrofes; cenário eleitoral e possível retorno do El Niño ainda exigem cautela.
A rentabilidade das seguradoras brasileiras segue em trajetória positiva e deve encerrar 2026 no maior patamar da série histórica recente. Segundo a Análise Econômica de Junho, elaborada pelo economista Francisco Galiza, a margem de rentabilidade do setor, medida pela relação entre lucro líquido e patrimônio líquido, deve atingir 31%, superando os 29% registrados em 2025 e consolidando um ciclo de forte geração de resultados.
Os números apresentados no estudo mostram uma recuperação consistente após os impactos enfrentados durante a pandemia. Depois de alcançar 25% em 2019, a rentabilidade caiu para 17% em 2020 e atingiu o menor nível da série, 12% em 2021. A partir de então, iniciou um movimento de recuperação, passando para 20% em 2022, 28% em 2023, mantendo-se nesse mesmo patamar em 2024, avançando para 29% em 2025 e chegando à projeção de 31% para 2026.
De acordo com a análise de Francisco Galiza, esse desempenho é sustentado por uma combinação de fatores econômicos e operacionais. Entre os principais motores da rentabilidade estão o ambiente de taxas de juros ainda favorável às receitas financeiras das seguradoras, a ausência de grandes eventos catastróficos, que reduz a pressão sobre a sinistralidade, e os ganhos de escala obtidos com a melhoria da eficiência administrativa, permitindo maior controle de custos e aumento da produtividade.
O levantamento confirma que as seguradoras continuam operando em um ambiente bastante favorável do ponto de vista financeiro. A rentabilidade agregada do setor permanece próxima de 30%, patamar considerado elevado e que demonstra a capacidade das companhias de transformar crescimento operacional e receitas financeiras em resultados consistentes.
Apesar do momento positivo, a análise também aponta fatores que podem influenciar o desempenho nos próximos meses. Entre eles estão as incertezas típicas de um ano eleitoral, que podem afetar o ambiente econômico e os mercados financeiros, além do risco associado ao fenômeno El Niño, que pode elevar a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos, pressionando os resultados das seguradoras.
Por outro lado, a redução das tensões envolvendo conflitos internacionais diminui parte das preocupações relacionadas aos impactos geopolíticos sobre a economia global, contribuindo para um ambiente relativamente mais estável para o setor.
Na avaliação apresentada na Análise Econômica de Junho, a evolução da rentabilidade reforça o bom momento vivido pelo mercado de seguros brasileiro, que segue combinando crescimento dos negócios, disciplina operacional e um ambiente econômico ainda favorável para manter margens historicamente elevadas. Se o cenário macroeconômico permanecer estável e os riscos climáticos não se intensificarem, a tendência é de continuidade dos bons resultados observados nos últimos anos.

