A inclusão social, financeira e o acesso a mecanismos de proteção foram apontados como elementos fundamentais para ampliar a resiliência climática do Brasil durante o painel “El Niño, riscos climáticos e proteção financeira: fortalecendo a cultura da proteção e mitigando perdas”, realizado nesta quinta-feira (6), no World Climate Summit São Paulo. O debate reuniu representantes do governo, setor financeiro, seguros e instituições de desenvolvimento para discutir como transformar informações sobre riscos climáticos em ações de prevenção e adaptação.
Para os especialistas, enfrentar os impactos dos eventos extremos exige uma atuação integrada, com metas, dados, políticas públicas e participação de diferentes setores da sociedade para garantir que as soluções alcancem principalmente as populações mais vulneráveis.
A presidente do SindSegSP e CEO da Porto, Patrícia Chacon, destacou que compromissos públicos, uso de dados e construção de um ecossistema integrado são pilares para avançar na agenda de resiliência climática. “Nossos compromissos são públicos. Quando instituições do mundo corporativo e governos colocam metas e definem a cadência da evolução, conseguimos medir os avanços. Os dados hoje são o principal motor dessa mudança para entender onde estão os riscos e como mitigar impactos nas populações mais vulneráveis”, afirmou.
Patrícia Chacon ressaltou ainda que desafios relacionados às mudanças climáticas precisam ser enfrentados por meio da colaboração entre diferentes agentes. “Resolver um desafio tão complexo depende de um ecossistema. É preciso unir diferentes atores para construir soluções que atendam pessoas físicas, empresas e populações que ainda enfrentam dificuldades para se recuperar depois de eventos climáticos”, destacou.

A presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, chamou atenção para a diferença entre a existência de sistemas de alerta e a capacidade de fazer com que essas informações cheguem a todos.
“Os alertas chegam, mas não chegam a todos. A gente não tem rotas de fuga, não tem alternativas, e isso complica. Toda construção tem que ser inclusiva, principalmente porque muitas populações não entendem por que precisam ser deslocadas de um lugar para outro”, afirmou.
Para Thelma Krug, a adaptação climática exige uma construção conjunta envolvendo cientistas, instituições financeiras, seguradoras, governos e comunidades locais.
O embaixador Antônio da Costa e Silva, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério das Cidades, destacou que a inclusão é um dos principais desafios para ampliar o acesso da população a instrumentos de proteção. “A palavra-chave é inclusão. Já existe um processo de inclusão financeira da população, mas ainda há uma parcela significativa dos brasileiros que não tem endereço, e isso torna essas pessoas invisíveis e, às vezes, inacessíveis”, afirmou.
O embaixador ressaltou que a regularização fundiária também faz parte desse processo, ao permitir que a posse da propriedade possa se transformar em uma garantia para acesso a outros instrumentos financeiros e de proteção.
O diretor Técnico do Sebrae, André Schelin, destacou a importância de incluir os pequenos negócios na agenda de adaptação climática, considerando o papel desse segmento na economia brasileira. “Os pequenos negócios representam 70% da mão de obra do Brasil e 30% do PIB. Pensar em políticas públicas que disseminem essa consciência e essa resiliência climática, principalmente para adaptação, é um desafio que estamos dispostos a enfrentar”, afirmou.
André Schelin reforçou que aumentar essa conscientização exige uma mobilização conjunta para levar a agenda climática a um número maior de empreendedores brasileiros.
O debate reforçou que a resiliência climática depende da combinação entre informação, inclusão e atuação coordenada entre setores público e privado. Para os especialistas, ampliar o acesso à proteção será fundamental para reduzir impactos e preparar a sociedade para um cenário de eventos extremos mais frequentes.

