O CQCS Inovação realizou, nesta quarta-feira (5), em São Paulo, o evento Roda de Conversa, reunindo lideranças do mercado de seguros e tecnologia para debater inovação, transformação digital e as perspectivas para o setor. O encontro também marcou o lançamento oficial do Selo SuperTech, iniciativa do CQCS Inovação criada para reconhecer empresas e profissionais que impulsionam a transformação tecnológica no mercado de seguros. A abertura foi conduzida pelo fundador do CQCS, Gustavo Doria Filho, e o encontro contou com um painel com a participação de Adilson Lavrador, diretor executivo de Operações, Sinistros e Tecnologia da Tokio Marine Seguradora; Marcos Sirelli, vice-presidente de TI, Atendimento e Dados da Porto; e Bruno Porte, Vice-Presidente de Transformação, Tecnologia, Dados e Operações da AXA no Brasil.
Ao abrir o encontro, o fundador do CQCS, Gustavo Doria Filho, destacou a trajetória do CQCS Inovação e a consolidação do evento como um espaço de conexão entre as principais lideranças do mercado de seguros. Segundo ele, a iniciativa ganhou relevância ao reunir executivos, especialistas e profissionais do setor para discutir transformação, inovação e os novos caminhos da indústria.
“Hoje temos um evento que consegue juntar as lideranças do seguro em um volume incomum. No passado foram 36 CEOs de seguradoras. Nenhum evento de seguros tem esse número de líderes de primeira linha”, afirmou.
Doria ressaltou ainda a importância da Roda de Conversa como um ambiente de troca entre diferentes agentes do ecossistema, aproximando seguradoras, corretores e empresas de tecnologia para debater os desafios e oportunidades do mercado.
“Dentro do evento, painéis têm o selo, Protagonismo Feminino tem o seu selo, Presença Negra no Seguro tem o seu selo, 60+ tem o seu selo. E o que é importante? Este ano, o Selo SuperTech, que significa o seguinte: o evento é sem dúvidas de tecnologia”, afirmou.
O fundador do CQCS destacou ainda outros movimentos estratégicos da edição deste ano, incluindo o fortalecimento da distribuição e a importância de aproximar os corretores das novas soluções tecnológicas. “Esse ano estamos em alguns movimentos que são muito importantes. O primeiro deles é o Selo SuperTech. O segundo é fortalecer a distribuição. E depende que o distribuidor de seguros precise estar mais antenado com as novidades, porque o corretor pega rápido”, ressaltou.
Tecnologia como estratégia para ampliar oportunidades no mercado de seguros
Durante o painel, Adilson Lavrador, diretor executivo de Operações, Sinistros e Tecnologia da Tokio Marine Seguradora, ressaltou que a tecnologia passou a ser um elemento indispensável para a evolução do mercado de seguros e destacou a importância de utilizar as ferramentas digitais para fortalecer o trabalho dos corretores. “O mercado de seguros é um mercado muito tradicional, muito regulado e difícil de inovar. Quando falamos de tecnologia, precisamos pensar em como dar poder ao nosso parceiro corretor para que ele consiga levar produtos e serviços aos clientes”, afirmou.
O executivo da Tokio Marine reforçou também que o corretor continua sendo um personagem fundamental para o desenvolvimento do setor e que a transformação digital deve considerar as necessidades desse canal de distribuição.
“Quando se fala do futuro da tecnologia no mercado de seguros, é preciso pensar no corretor. A tecnologia precisa facilitar o trabalho desse profissional, ajudando-o a chegar mais rápido ao cliente, fazer uma venda mais ágil e estar preparado para um mercado em constante mudança”, destacou
Lavrador também chamou atenção para o uso responsável da inteligência artificial e afirmou que a tecnologia precisa estar associada à melhoria de processos e à geração de valor para seguradoras e consumidores. “Muitas iniciativas de IA acabam não dando certo porque pegam processos ruins e simplesmente colocam inteligência artificial em cima deles. Se você pegar um processo ruim e colocar IA, continuará tendo um processo ruim. O uso responsável é entender como ela pode trabalhar a nosso favor”, afirmou.
Marcos Sirelli, vice-presidente de TI, Atendimento e Dados da Porto, avaliou que tecnologia e seguros já não podem ser tratados como temas separados e destacou que a inovação será fundamental para ampliar o acesso da população aos produtos do setor. “Não dá para falar de como o seguro vai ser difundido e de como o mercado vai crescer sem o uso intensivo da tecnologia junto com o corretor. É uma ótima iniciativa reunir parceiros de tecnologia e conhecer as inovações que acontecem no Brasil e no exterior”, afirmou.
O executivo comparou a evolução tecnológica do setor de seguros com a trajetória do mercado bancário, destacando a importância da colaboração entre empresas para resolver desafios comuns e ampliar a eficiência.
“Os bancos perceberam onde era importante competir e onde era necessário colaborar. O mercado de seguros caminha nessa direção, respeitando o papel fundamental do corretor, que continua sendo essencial, mas também entendendo que a tecnologia está transformando a forma como o setor funciona”, ressaltou.
Sirelli também destacou o potencial de crescimento do mercado de seguros brasileiro e afirmou que a tecnologia será uma das principais ferramentas para ampliar a presença do setor na economia. “O mercado de seguros no Brasil tem um espaço enorme de crescimento. Como o brasileiro adota tecnologia rapidamente, precisamos aproveitar essa característica para apoiar melhor o corretor e permitir que mais pessoas consumam seguros de forma consciente”, explicou.
Bruno Porte, Vice-Presidente de Transformação, Tecnologia, Dados e Operações da AXA no Brasil, destacou que tecnologia e transformação precisam caminhar juntas dentro das estratégias das companhias, com foco em mudança cultural e geração de valor.
“A transformação e a tecnologia caminham juntas. Antes de incluir tecnologia em uma discussão, é fundamental avançar em mudança cultural e mudança de mentalidade. A tecnologia precisa sair do lugar onde é vista apenas como custo e entrar dentro da estratégia da organização”.
O executivo apresentou iniciativas de inovação aberta da AXA Brasil e explicou que a companhia busca estimular a criação de novas soluções a partir da participação dos colaboradores. “A gente criou um ambiente onde qualquer colaborador pode apresentar uma ideia. A partir disso, desenvolvemos o business case, envolvemos os stakeholders e levamos essas iniciativas para avaliação. O objetivo é transformar ideias em produtos, serviços e novas oportunidades de negócio”, destacou Bruno Porte.
Porte também ressaltou o papel da inteligência artificial para aumentar a eficiência operacional e acelerar o desenvolvimento de produtos digitais. “Com IA, conseguimos reduzir etapas e acelerar processos. Estamos utilizando novas ferramentas para criar produtos digitais de forma mais rápida, com equipes menores e maior capacidade de geração de valor para o negócio”, afirmou o Vice-Presidente de Transformação, Tecnologia, Dados e Operações da AXA no Brasil.

