A queda de um balão em chamas no dia 23 de abril, sob uma residência na Zona Norte do Rio de Janeiro, reacendeu um alerta importante sobre riscos pouco previsíveis, mas com potencial de gerar prejuízos relevantes. Apesar de não haver feridos, o incidente atingiu um equipamento de ar-condicionado e quase provocou um incêndio de maiores proporções.
O caso chama atenção para um ponto essencial no mercado de seguros: diferentes coberturas podem ser acionadas em uma mesma ocorrência, especialmente quando há danos materiais e possibilidade de responsabilização de terceiros. Além disso, a situação envolve um agravante: a soltura de balões é considerada crime ambiental no Brasil.
De acordo com Sergio Ricardo, sócio-diretor da Gravitas AP – Consultoria e Treinamento, o seguro patrimonial tende a ser o principal mecanismo de proteção nesses casos. “Sempre que há incêndio, independentemente da causa, o evento tende a estar coberto pela apólice. Seja em residência, condomínio, comércio ou indústria, se o imóvel estiver segurado, a cobertura de incêndio responde pelos prejuízos”, explica.
Segundo o especialista, isso vale tanto para danos estruturais quanto para bens atingidos. “O conteúdo do imóvel, como equipamentos, por exemplo, um ar-condicionado danificado pelo calor ou pelas chamas também está incluído na cobertura”, acrescenta.
Além da cobertura do seguro, o episódio também levanta uma discussão sobre responsabilidade civil. Em teoria, a seguradora que indeniza o cliente pode buscar ressarcimento junto ao causador do dano, por meio da chamada ação de regresso.
Na prática, no entanto, esse caminho costuma ser limitado. “Poderia haver uma ação contra o responsável pelo incêndio, mas, nesses casos, é muito difícil identificar quem soltou o balão”, afirma Sergio Ricardo.
A dificuldade de responsabilização reforça o papel do seguro como principal instrumento de proteção financeira diante de riscos externos e imprevisíveis.
Apesar de ser uma prática ilegal, a soltura de balões ainda é recorrente e pode gerar impactos relevantes, não apenas em residências, mas também em prédios comerciais, indústrias e até áreas próximas a aeroportos.
Para o mercado, o episódio reforça a importância de uma proteção adequada e bem estruturada. Mais do que cobrir danos, o seguro se mostra essencial para garantir rapidez na reposição de perdas em situações onde o responsável dificilmente será identificado.
Nesse cenário, o papel do corretor ganha ainda mais relevância, ao orientar o cliente sobre as coberturas necessárias e garantir que o imóvel e seus conteúdos estejam devidamente protegidos contra riscos inesperados, inclusive aqueles que vêm do céu.

