O vídeo a seguir registra um incêndio de grandes proporções que atingiu uma fábrica de mesas de sinuca na região do Brás, no centro de São Paulo:
Segundo informações da imprensa, o fogo teve início durante a noite e se alastrou rapidamente pelos galpões, gerando chamas intensas e grande volume de fumaça. O combate foi complexo e prolongado, exigindo a atuação de dezenas de bombeiros e diversas viaturas, inclusive com apoio de imagens aéreas por drones. As equipes enfrentaram dificuldades significativas para controlar o incêndio, sendo necessárias cerca de 100 horas até a fase de rescaldo. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de feridos, mas os prejuízos materiais foram expressivos.
As causas do incêndio ainda serão apuradas pelo Corpo de Bombeiros e pela perícia da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Esse tipo de evento é um exemplo clássico que evidencia a importância da gestão de riscos industriais, incluindo tanto as medidas de prevenção e resposta quanto a transferência de riscos por meio de seguros e a necessidade de um planejamento estruturado de continuidade de negócios.
Embora haja indícios de que outras atividades no local possam ter contribuído para o início do incêndio, a análise aqui se concentra na operação principal: a fabricação de mesas de sinuca.
Sob a ótica técnica, esse tipo de indústria reúne diversos fatores críticos de risco: edificações antigas; elevada carga de incêndio, tanto na estrutura quanto no conteúdo (madeira, tecidos, espumas, colas e vernizes); possível armazenamento de produtos inflamáveis, como solventes e adesivos; além de processos que geram calor, como corte, lixamento e, eventualmente, soldagem. Soma-se a isso o ambiente fabril fechado, que favorece a rápida propagação do fogo. Como consequência previsível, incêndios nesse contexto tendem a ser intensos, velozes e de difícil controle — exatamente como observado — podendo resultar em perdas severas, paralisação prolongada ou até encerramento definitivo das atividades.
Além desses aspectos, eventos dessa natureza frequentemente envolvem fatores agravantes recorrentes, tais como: instalações elétricas antigas, inadequadas ou sobrecarregadas; ausência de compartimentação eficaz (paredes e portas corta-fogo); falhas no isolamento entre áreas; armazenamento inadequado de materiais inflamáveis ou incompatíveis; inexistência ou deficiência de sistemas de detecção precoce; e ineficiência ou ausência de sistemas de combate, tanto de proteção passiva quanto ativa (extintores, hidrantes, sprinklers e brigadas de incêndio).
É importante destacar que, na maioria das vezes, o incêndio não começa com grandes proporções — ele se torna incontrolável pela ausência de uma resposta inicial eficaz.
No campo da transferência de risco, observa-se que muitas empresas não possuem seguro ou, quando possuem, contam com apólices mal estruturadas, que não refletem adequadamente a exposição real ao risco. Além disso, frequentemente se negligenciam os impactos indiretos, que demandariam um robusto plano de continuidade de negócios. Na prática, muitas empresas não quebram pelo incêndio em si, mas pela incapacidade de retomar suas operações com rapidez, perdendo contratos, clientes e capacidade de honrar compromissos financeiros.
Uma estrutura adequada de seguros, para um risco dessa natureza, deveria contemplar, entre outras coberturas: incêndio, raio e explosão; queda de aeronaves (quando aplicável); danos por fumaça; lucros cessantes (incluindo despesas fixas e lucro líquido); recomposição de documentos; despesas extraordinárias; danos elétricos; cobertura para equipamentos; eventos da natureza (alagamento, inundação, vendaval); e responsabilidade civil.
Em síntese, o incêndio industrial é caracterizado como um risco de baixa frequência e alta severidade. O grande problema surge quando o evento ocorre e se constata que os impactos poderiam ter sido significativamente mitigados por uma estrutura adequada de proteção e transferência de riscos.
A gestão eficaz exige, portanto, uma abordagem integrada que combine gerenciamento de riscos, governança operacional e estruturação de um programa de seguros, com ênfase especial em estratégias de continuidade de negócios.
Quem tiver dúvidas sobre a abordagem aos clientes para convencê-los do que precisam fazer para gerenciar os seus riscos pode fazer contato. Em breve, no mês de maio, divulgarei um curso sobre Gerenciamento de Riscos em Seguros com foco em como o corretor de seguros poderá usar esse conhecimento para atrair e conquistar novos clientes. Será acessível a todos. Quem quiser já pode entrar na lista de espera enviando uma mensagem para [email protected] com o título Curso GR.

