O interesse por seguros nas comunidades brasileiras pode representar uma das maiores oportunidades de crescimento para o setor nos próximos anos. Pesquisa inédita da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revela que 85% dos moradores de favelas demonstram interesse em algum tipo de seguro, indicando que ainda existe um mercado pouco explorado pelos corretores e seguradoras.
Os dados mostram que o desafio não está apenas na oferta de produtos, mas principalmente na forma como eles chegam ao consumidor. Embora mais da metade dos entrevistados já tenha buscado informações sobre seguros, muitos ainda enfrentam dificuldades para compreender as coberturas ou encontrar soluções compatíveis com sua realidade financeira.
Nesse cenário, os microsseguros surgem como uma alternativa para ampliar o acesso à proteção financeira. Desenvolvidos para pessoas de baixa renda, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos negócios, esses produtos oferecem coberturas simplificadas, contratação menos burocrática e mensalidades reduzidas, tornando o seguro mais acessível.
Para Dorival Alves de Sousa, vice-presidente de Representação da Fenacor, os dados da CNseg confirmam que existe uma demanda reprimida que pode ser atendida pelo mercado de seguros.
“Os microsseguros são uma solução viável para muitas famílias que enfrentam incertezas financeiras. Com prêmios reduzidos e coberturas simplificadas, eles democratizam o acesso à proteção financeira. O Brasil possui mais de 12 mil favelas, onde vivem cerca de 17,2 milhões de pessoas, representando um mercado significativo que ainda está sendo subexplorado.”
Segundo o especialista, a proteção vai além da indenização e pode evitar que um imprevisto comprometa completamente a renda familiar.
“A maioria das pessoas de baixa renda nunca teve acesso a um seguro privado. Qualquer doença, acidente ou perda patrimonial acaba sendo absorvida diretamente pelo orçamento da família. Os microsseguros reduzem essa vulnerabilidade e promovem inclusão financeira.”
Entre as modalidades que podem fazer mais sentido para esse público estão seguros de vida, acidentes pessoais, assistência funeral, proteção para pequenos bens, além de coberturas voltadas para microempreendedores e pequenos estabelecimentos comerciais.
Dorival ressalta que o crescimento desse segmento depende não apenas da criação de produtos acessíveis, mas também de uma atuação mais próxima dos consumidores.
“Os corretores precisam entender as particularidades dessas comunidades, adaptar sua linguagem e apresentar soluções que façam sentido para a realidade financeira dessas famílias. Não se trata apenas de vender um seguro, mas de oferecer proteção onde ela nunca chegou.”
Na avaliação do especialista, a atuação do corretor será determinante para ampliar a adesão aos microsseguros. Mais do que comercializar apólices, o profissional passa a exercer um papel de educador financeiro, explicando coberturas, esclarecendo dúvidas e demonstrando como pequenas contribuições mensais podem evitar prejuízos muito maiores no futuro.
A própria regulamentação brasileira já prevê a atuação do Corretor de Microsseguros, profissional habilitado especificamente para comercializar esse tipo de produto. Para Dorival, esse nicho ainda possui amplo potencial de desenvolvimento.
“Os microsseguros representam uma oportunidade de crescimento para o mercado de seguros e, ao mesmo tempo, uma importante ferramenta de inclusão social. Quanto maior for o conhecimento da população sobre esses produtos, maior será a capacidade de proteger famílias, pequenos empreendedores e fortalecer a economia local.”
Com o interesse demonstrado pelos moradores das comunidades e o avanço de produtos mais simples e acessíveis, o setor de seguros passa a enxergar nos microsseguros não apenas um novo mercado, mas uma oportunidade de ampliar a cultura da proteção financeira no país, aproximando milhões de brasileiros de soluções que antes pareciam distantes de sua realidade.

