Notícias | 22 de junho de 2026 | Fonte: Otempo

Mercado de seguros se adapta ao público 50+ mais ativo, atento a proteção e segurança financeira

Durante boa parte da vida, a preocupação de Ana Lúcia Martins Albuquerque, de 58 anos, esteve concentrada em construir patrimônio. Foram mais de 30 anos de trabalho como policial militar, o que possibilitou a compra da casa onde mora com os dois filhos. Mas, depois dos 50, a aposentada percebeu que a fase também exigia outro tipo de cuidado: proteger aquilo que levou uma vida inteira para conquistar.

A pergunta que mudou sua relação com o futuro foi simples: o que aconteceria com o patrimônio construído caso algum imprevisto surgisse? “Passei anos trabalhando para conquistar minha casa e dar estabilidade à minha família. Chegou um momento em que pensei: e se acontecer alguma coisa comigo ou com o imóvel? Quem vai arcar com isso?”, recorda.

A reflexão levou Ana Lúcia a contratar um seguro residencial, com coberturas para danos elétricos, incêndio e assistência emergencial. Depois, ela também optou por um seguro de vida. A decisão, segundo ela, não veio de uma preocupação com o fim da vida, mas da vontade de garantir tranquilidade para os filhos e preservar o que foi construído. “Não fiz pensando no pior, mas para reduzir riscos e evitar que minha família tenha problemas financeiros no futuro. Hoje durmo bem mais tranquila”, realça.

A mudança de perspectiva de Ana Lúcia acompanha uma transformação no comportamento de uma parcela crescente da população brasileira: pessoas acima dos 50 anos que seguem ativas, fazem planos, continuam no mercado de trabalho ou chegam à aposentadoria buscando manter autonomia, segurança e qualidade de vida.

De “seguro para a velhice” à proteção para o futuro

Diante desse cenário, o mercado de seguros precisou repensar seus produtos, serviços e até a forma de dialogar com o público 50+. Para a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o avanço da longevidade impõe uma transformação inevitável. André Nunes, diretor de Assuntos Corporativos e Relações Sindicais da entidade, pontua que essa geração rompeu definitivamente com os antigos estereótipos associados ao envelhecimento. “Esse grupo não é mais o vovô de antigamente. É ativo, viaja, tem Instagram e muitos projetos pela frente. Por isso, as seguradoras têm se adaptado a esta realidade”, observa.

Segundo o diretor, a comunicação das seguradoras também mudou. A ideia deixou de ser apresentar o seguro apenas como uma proteção para momentos difíceis e passou a destacar o cuidado durante uma fase mais longa e ativa da vida. “O mercado tem trocado a forma de dialogar com este público. Se antes era: ‘seguro para quando você partir e amparo na melhor idade’, agora mudou para: ‘você cuidou de todo mundo. Agora deixa a gente cuidar de você’. A lógica é que esta nova fase da vida não deva ser de preocupação, mas de proteção”, enfatiza.

Nunes ressalta, porém, que o grupo 50+ não é homogêneo. Parte dessas pessoas permanece no mercado de trabalho e incorporou ferramentas digitais, enquanto outra parcela ainda enfrenta dificuldades de adaptação tecnológica. Por isso, segundo ele, as seguradoras têm buscado combinar tecnologia com facilidade de acesso. “O mercado tem adaptado seus produtos e serviços de forma digital, mas com jornadas de contratação mais simples, com foco em linguagem clara e atendimento ágil. Tenta, assim, conversar com estes dois públicos dentro de uma mesma estratégia”, descreve André.

Personalização das coberturas e foco em necessidades reais

Outra transformação apontada pela CNseg é a personalização das coberturas. Em vez de oferecer apenas seguros tradicionais, o mercado passou a incorporar serviços e benefícios associados ao cotidiano dos consumidores. “Muitas ofertas passaram a incluir pacotes com serviços, benefícios em vida e proteção para necessidades muito concretas, como segurança em transações, assistência funeral, acidentes pessoais e coberturas adaptadas ao orçamento”, explica Nunes.

Para o diretor, “quando bem estruturados, esses produtos ajudam a evitar gastos inesperados e preservar reservas financeiras, o que, do ponto de vista da educação financeira, é muito positivo.”

Planejamento ainda é um desafio entre brasileiros

Apesar do avanço dos produtos e serviços, a CNseg destaca que ainda existe um desafio cultural: a falta de hábito de planejar a proteção financeira. “Infelizmente, o brasileiro não tem o costume de pensar na sua exposição ao risco. Somos uma sociedade habituada a conviver com os perigos acreditando que ‘comigo não vai acontecer nada’”, afirma André.

Segundo Nunes, temas como morte e planejamento sucessório ainda são evitados por muitas famílias. “Não fazemos testamento, não falamos de velório. É como se planejamento fosse sinônimo de agouro. E a realidade nua e crua é que uma a cada cinco famílias brasileiras cai para a classe D quando perde o provedor.”

Para mudar esse cenário, o diretor da CNseg defende ampliar a educação financeira relacionada aos seguros. “Isso é vital para que as pessoas compreendam melhor os riscos aos quais estão expostas, invertendo a lógica de que isso é um custo. Os seguros são instrumentos que auxiliam indivíduos a construir um planejamento financeiro sem sobressaltos, reduzir sua exposição ao risco, proteger seus familiares e proporcionar uma melhor qualidade de vida no processo de envelhecimento.”

Como escolher o seguro ideal após os 50 anos

Para quem pretende contratar um seguro após os 50 anos, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e o especialista André Nunes recomendam atenção aos seguintes pontos:

  • Avaliação de riscos: o primeiro passo é entender cuidadosamente as coberturas oferecidas e mapear quais riscos específicos você precisa proteger nesta fase da vida.
  • Análise detalhada do contrato: antes de assinar, o consumidor deve analisar os limites financeiros, o valor das franquias, quais itens estão incluídos e verificar a reputação da seguradora no mercado.
  • O mito do preço baixo: há uma regra financeira crucial para esse momento — pagar menos nem sempre significa economizar. O ideal é buscar uma apólice que equilibre preço justo e proteção real.
  • Perguntas essenciais antes de fechar o negócio: “A que risco pessoal ou patrimonial estou exposto?” “Meu objetivo é mitigar que uma eventualidade se torne um problema financeiro?”
  • Ferramenta de apoio: Para facilitar a escolha, a CNseg disponibiliza o serviço Encontre seu Seguro, uma ferramenta que permite comparar produtos e coberturas do mercado para identificar a opção que melhor atende às necessidades de cada perfil.

Proteção sob medida

Para Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros, não existe uma fórmula única que atenda a todas as pessoas acima dos 50 anos. Ele reforça que, antes de assinar qualquer contrato, é indispensável entender o atual momento de vida do indivíduo, sua profissão, a estrutura familiar e, principalmente, quais riscos ele deseja mitigar.

“A gente tem que fazer uma rápida avaliação e uma segmentação: qual é o perfil do público de que nós estamos falando, o que seria objeto da contratação desses seguros, tentar saber se é um profissional liberal, se é um trabalhador de uma empresa ou se eventualmente é um empresário, porque, em função destas características, coberturas adicionais podem ser necessárias”, explica Marcos.

O tripé da proteção na maturidade

No entanto, na visão do especialista, existem três produtos que ganham protagonismo nessa fase da vida: o seguro de vida, a previdência privada e o seguro-saúde. “Obviamente o primeiro seguro que vem à mente para um profissional 50+ é o seguro de vida, porque algumas dessas pessoas ainda estão numa fase de acumulação financeira, de preparação para a aposentadoria, gerando renda em função da sua capacidade produtiva, e muitos ainda têm família, que também pode depender diretamente deles”, evidencia.

Ferreira destaca que a proteção vai muito além de dar cobertura em caso de morte; trata-se de blindar a continuidade dos projetos familiares. “O seguro de vida é um produto necessário para garantir que os planos e os desejos sejam consolidados se eventualmente esse segurado vier a falecer ou ficar inválido.”

Olhar o amanhã e cuidar do agora

Pensando no futuro em médio e longo prazo, a previdência complementar surge como uma ferramenta estratégica de preparação para o período pós-carreira. “Os planos de previdência privada, afinal, vão colaborar na acumulação financeira que será necessária que esse segurado tenha para o momento em que ele decidir se aposentar ou se lançar para o pós-carreira”, esclarece.

Por fim, o especialista realça os cuidados com a saúde. Com o avanço da idade, a garantia de acesso rápido a médicos, laboratórios e serviços especializados se transforma em uma prioridade diária. “As coberturas de seguro-saúde são extremamente relevantes, dada a necessidade de poder contar com uma rede médica e de assistência que passa a ser cada vez mais importante para um segurado 50+”, conclui Ferreira.

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