Notícias | 23 de outubro de 2025 | Fonte: Fonte: CQCS | Gabrielly Marqueton

Igor Mascarenhas fala sobre a trajetória da Pier no podcast Brick by Brick

Pioneira entre as insurtechs brasileiras, a Pier Seguradora nasceu da inquietude e da ambição de três empreendedores que acreditaram ser possível transformar um dos setores mais conservadores da economia: o mercado de seguros. Hoje, quase uma década depois, o CEO e cofundador Igor Mascarenhas reflete sobre o caminho percorrido e o impacto de ter sido o primeiro a romper as barreiras regulatórias e culturais que ainda limitavam o avanço da inovação no setor. No primeiro episódio do podcast Brick by Brick, conduzido por Vinicius Schroeder, Igor falou sobre sua trajetória, de Feira de Santana, na Bahia, à liderança de uma das principais insurtechs do país e sobre os desafios de ser pioneiro. “A resiliência é a única característica presente em 100% dos empreendedores de sucesso”, afirmou.

Formado em Engenharia pela Unicamp, ele iniciou a carreira no ecossistema de startups, atuando na Inventa, Startup Brasil e Startup Farm, até decidir que era hora de construir algo próprio. “Se alguém iria fazer, e se alguém poderia ser, eu.” Foi com essa convicção que deu início ao projeto de criar uma seguradora digital em um mercado que, à época, parecia impenetrável. O ponto de virada veio quando percebeu o poder do Venture Capital como instrumento de transformação. “O Venture Capital é o superpoder das pessoas normais. É inimaginável pensar que alguém sem capital possa criar uma seguradora para competir com quem fatura 10 bilhões por ano, mas,  o Venture Capital permite isso.”

A Pier começou literalmente na varanda do apartamento de um dos sócios, o Lucas. “A varanda do Lucão foi o nosso primeiro escritório. Foi ali que tiramos a Pier do chão.” Com poucos recursos, Igor e os cofundadores se revezavam entre tarefas administrativas, técnicas e comerciais. “Eu mesmo regulei e paguei os primeiros cem sinistros da Pier”, relembra. O modelo de atuação direta, próximo do cliente e dos processos, ajudou a moldar uma cultura de execução e aprendizado rápido, algo que Mascarenhas considera essencial para startups em estágio inicial.

Ser a primeira seguradora digital a entrar no sandbox regulatório da SUSEP trouxe tanto reconhecimento quanto desafios. Igor conta que, no início, o pedido de autorização foi negado. “O parecer dizia que os fundadores não tinham o mais mínimo respaldo financeiro para criar uma seguradora.” A persistência, no entanto, foi decisiva. A Pier não apenas conquistou a licença, como ajudou a educar o regulador e a reformular normas que abriram espaço para novas empresas. “A inovação olha para frente e o regulador olha para trás.” Esse movimento contribuiu para a criação de um ambiente mais competitivo, estimulando produtos mais acessíveis e de maior qualidade para os consumidores.

Hoje, a insurtech mantém sua proposta de colocar o cliente no centro, ampliando a oferta de produtos como seguros de celular, que a Pier foi a primeira a cobrir em casos de furto simples e seguros de automóvel, com processos simplificados e automação na regulação de sinistros. “Quando você é um player que desafia o status quo, você educa o mercado como um todo.”

Para Mascarenhas, o maior diferencial da Pier não está na tecnologia, mas nas pessoas. “Produtos podem ser copiados, talentos podem ser roubados, mas, a cultura é impossível de replicar.” Ele defende que a cultura corporativa é o verdadeiro pilar de uma empresa inovadora, capaz de sustentar a performance e a coesão de um time em crescimento acelerado. “A cultura é a única vantagem competitiva que não pode ser copiada.” Entre os valores da companhia, ele destaca a inquietude, a centralidade no cliente, a tomada de decisão baseada em dados e a comunicação assertiva, mesmo diante de conflitos. “A cultura é o pior comportamento que você permite dentro da companhia.”

Com a mesma objetividade com que encara o mercado, Igor reflete sobre o modelo de trabalho remoto, que se consolidou na Pier. Para ele, o formato exige clareza, disciplina e transparência. “O trabalho remoto não é para toda cultura. Ele exige mais disciplina de gestão e clareza de resultados.” A fala resume a mentalidade que guiou toda a trajetória da Pier: uma combinação de ambição, método e propósito. Em um setor que ainda carrega estruturas tradicionais, a empresa de Igor Mascarenhas segue provando, tijolo por tijolo, que a inovação também é construída sobre cultura.

Confira o podcast na íntegra:

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