A Hapvida informou nesta segunda-feira, 24, que está avaliando contratos coletivos cuja precificação considera “defasada” e que envolvem cerca de 947 mil beneficiários. Segundo a companhia, esses contratos deverão passar por um processo de reajuste ou descontinuação ao longo dos próximos 12 meses.
Na sexta-feira, 21, a diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu as medidas aplicadas contra a Hapvida que vetavam ações da operadora relacionadas a reajustes de dois dígitos em planos deficitários. A agência, contudo, informou que fará um “monitoramento regulatório” para acompanhar de forma preventiva eventuais medidas da companhia que possam afetar os consumidores.
Segundo a ANS, a suspensão das medidas significa que não há, por parte da agência, “qualquer imposição regulatória que implique em proibição de negociação para os reajustes dos contratos coletivos referidos pela Hapvida”. A decisão foi tomada após reunião entre diretores da agência reguladora e representantes da empresa.
As medidas da ANS ocorreram em meio à decisão da Hapvida de avaliar a rescisão de contratos e a aplicação de reajustes de dois dígitos a aproximadamente 947 mil beneficiários.
Alterações nos planos
A Hapvida afirma que os eventuais ajustes “não serão uniformes e dependerão de fatores como região, condições contratuais e negociação com cada cliente”. Além da revisão de preços, as mudanças poderão envolver alterações no tipo de plano e na cobrança de coparticipação. Por isso, a operadora ressalta que não será possível comparar os contratos apenas pelos percentuais de reajuste.
O esclarecimento foi prestado em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que pediu informações sobre declarações feitas pela administração durante a teleconferência de resultados.
A empresa também esclareceu o uso da expressão “duplo dígito forte” durante a teleconferência. Segundo a Hapvida, o termo foi citado “incorretamente” por parte da imprensa como “duplo dígito alto” e não representa uma projeção para os reajustes dos contratos que estão sendo avaliados.
De acordo com a companhia, a expressão fazia referência a reajustes praticados anteriormente, em casos nos quais, apesar de aumentos considerados relevantes, foi possível manter os contratos.
Na teleconferência, a administração afirmou que “alguns desses casos a gente tem conseguido manter os contratos mesmo com um aumento significativo de ticket, na ordem aí de duplo dígito forte em alguns deles”.
A Hapvida ressalta que a revisão dos contratos não implica necessariamente perda de receita, uma vez que a estratégia pode envolver reajustes, mudanças nas condições dos planos ou eventual descontinuação.
No comunicado ao mercado, a operadora afirma estar “convicta” de que as informações divulgadas atendem aos requisitos de consistência, clareza, objetividade e utilidade previstos na regulamentação da CVM.

