O crescimento da venda de veículos elétricos e híbridos no Brasil ainda não foi suficiente para reduzir de forma significativa o custo do seguro desses modelos. Apesar do avanço da eletrificação da frota, fatores relacionados ao histórico de sinistros, ao preço das peças e à estrutura de reparação continuam influenciando a formação das apólices.
Para Augusto Esteves, presidente da UCS (União dos Corretores de Seguros) e presidente do Conselho de Administração da Bagueira Corretora de Seguros, um dos principais fatores é justamente a falta de um histórico amplo sobre o comportamento desses veículos.
“O crescimento das vendas é importante, mas ainda estamos falando de uma frota relativamente nova quando comparada à dos veículos a combustão”, explica. Segundo ele, as seguradoras ainda precisam acumular dados sobre frequência e severidade dos sinistros, custos de reparação e comportamento dos diferentes modelos ao longo do tempo.
Além da falta de histórico, a própria composição dos veículos eletrificados influencia o custo. Baterias e sistemas eletrônicos estão entre os componentes de maior valor e, em determinados casos, os reparos exigem profissionais com conhecimento específico.
“Tudo isso pode aumentar o custo de um sinistro e acaba sendo considerado na formação do preço do seguro”, afirma Esteves.
A redução dos preços dos seguros também passa pela evolução do mercado de reparação. Com o aumento da frota, a expectativa é de que haja maior disponibilidade de peças, expansão da rede de oficinas capacitadas e formação de profissionais especializados.
Na avaliação de Esteves, outro movimento importante será ampliar a possibilidade de reparar componentes em vez de substituí-los integralmente, sempre que isso for tecnicamente viável.
“Com mais escala, concorrência e conhecimento técnico na cadeia de reparação, os custos dos sinistros podem diminuir e essa evolução tende a aparecer também na precificação do seguro”, destaca.
Esse processo pode ser especialmente relevante para veículos que possuem componentes de alto valor. Quanto maior a possibilidade de realizar reparos específicos, menor tende a ser o impacto financeiro de determinados sinistros para seguradoras e consumidores.
Mais dados podem mudar a precificação
O aumento da frota eletrificada também deve proporcionar às seguradoras uma base de informações mais robusta para avaliar os riscos. Com mais veículos circulando e mais sinistros registrados, será possível identificar diferenças de comportamento entre modelos e tecnologias.
“Quanto maior a frota, maior será a quantidade de informações disponíveis para uma precificação mais precisa”, afirma o presidente da UCS.
Esse amadurecimento pode levar a uma análise mais segmentada dos veículos elétricos e híbridos. Em vez de tratar toda a frota eletrificada como uma categoria de maior risco, as seguradoras poderão considerar características específicas de cada modelo, como sinistralidade, custos efetivos de reparação e perfil de utilização.
Para Esteves, essa evolução deve ocorrer de forma gradual. “É um processo de amadurecimento”, resume.
A tendência, segundo ele, é que o avanço da eletrificação também leve seguradoras, oficinas, fabricantes e corretores a adquirir maior conhecimento sobre esses riscos e desenvolver soluções mais adequadas ao novo perfil de consumidor. Com a expansão da frota e a consolidação da cadeia de reparação, os custos envolvidos nos sinistros poderão se tornar mais previsíveis, criando condições para uma precificação cada vez mais precisa.

