A escalada do conflito envolvendo o Irã recoloca no centro do debate um tipo de risco que o mercado de seguros conhece bem, mas que nunca havia se manifestado com tanta intensidade como nos últimos anos: o risco geopolítico sistêmico.
Não se trata de um evento isolado. Quando uma região estratégica entra em instabilidade, os efeitos se propagam em cadeia, atingindo energia, transporte, comércio internacional e o próprio funcionamento das economias.
O possível fechamento do Estreito de Ormuz é um dos pontos mais sensíveis. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Qualquer interrupção impacta preços, pressiona a inflação e eleva custos logísticos. Para o seguro, isso significa aumento imediato do risco em carteiras de transporte, energia e grandes riscos, além da elevação dos prêmios de guerra.
No seguro marítimo, a reação é direta: prêmios sobem, rotas são revistas e coberturas passam a ser mais restritas. O que era previsível volta a exigir máxima cautela na subscrição.
Mas o impacto vai além. Ameaças a hubs como Dubai, um dos principais centros de conexão aérea do mundo, afetam cadeias logísticas globais. Isso repercute em seguros de aviação, transporte de cargas e até em coberturas de interrupção de negócios.
O ponto central é a interdependência. Um único conflito passa a gerar efeitos simultâneos em várias linhas, aproximando o risco de um comportamento sistêmico.
Há ainda pressão sobre o resseguro, com tendência de aumento de custos e maior seletividade, em um momento já marcado por eventos climáticos severos.
Para o corretor, o cenário exige leitura de contexto. Cláusulas, limites e disponibilidade de cobertura passam a mudar rapidamente.
“No final do dia”, quando grandes forças entram em choque, os impactos não ficam restritos a elas. E é justamente aí que o seguro deixa de ser custo e se mostra como infraestrutura essencial da economia.

