O seguro empresarial tem potencial para ampliar sua presença no Brasil, especialmente em regiões onde a contratação ainda é menos disseminada. Apesar do crescimento de 90% entre 2020 e 2025, frente a uma inflação acumulada de 35% no período, o produto está presente em apenas cerca de 15% das empresas brasileiras. A baixa penetração indica oportunidades de expansão, sobretudo no Nordeste, onde a cultura de contratação é menos consolidada.
Para Francisco Galiza, consultor e responsável pelo Rating de Seguros, a baixa presença do seguro empresarial não é um desafio restrito a uma modalidade específica. O especialista chama a atenção para a penetração reduzida de seguros em diferentes segmentos do mercado brasileiro.
“Em outros ramos, a penetração é de 15%, em média, em todo o Brasil”, observa Galiza, ao destacar que o desafio de ampliar a contratação de seguros vai além do segmento de automóveis.
No Nordeste, o cenário evidencia tanto uma dificuldade quanto uma oportunidade para o setor. Segundo Beto Trindade, presidente da Alba Seguradora, a baixa penetração do seguro empresarial na região está relacionada a fatores como o desconhecimento do produto, a ausência de uma cultura de contratação e a oferta ainda limitada por parte dos corretores.
“Talvez o consumidor não conheça tanto o produto, não exista uma cultura consolidada e os corretores não ofereçam essa modalidade tanto quanto poderiam. São os fatores de sempre”, afirma.
Na avaliação do executivo, a realidade regional representa uma oportunidade de crescimento, justamente porque há espaço para ampliar o alcance da proteção entre as empresas. Ao mesmo tempo, a menor familiaridade com o produto exige iniciativas para aproximar o seguro da rotina dos empresários.
O desafio também envolve ampliar a percepção sobre a importância da proteção patrimonial e financeira dos negócios. Para pequenas e médias empresas, a contratação de um seguro pode contribuir para reduzir os impactos de imprevistos que comprometam instalações, equipamentos e a continuidade das atividades.
O avanço do seguro empresarial depende, portanto, não apenas da disponibilidade de produtos, mas também da disseminação de informações sobre as coberturas e de uma atuação mais próxima dos empresários. Nesse processo, corretores e seguradoras têm papel importante na identificação das necessidades de cada negócio e na apresentação de soluções adequadas.
Com o crescimento registrado nos últimos anos e a baixa penetração ainda observada em diferentes regiões do país, o seguro empresarial reúne condições para ampliar sua participação no mercado. No Nordeste, transformar o potencial identificado em contratações efetivas passa pela combinação de informação, distribuição e fortalecimento da cultura de proteção.

