A Região Norte possui a menor participação do Brasil nos mercados de seguro de automóveis e residencial. É o que revela um levantamento inédito da Comissão de Inteligência de Mercado (CIM), da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que aponta diferenças de renda, urbanização e acesso aos serviços financeiros como fatores que ajudam a explicar esse cenário.
De acordo com o estudo, apenas 4% dos seguros de automóveis e 5% dos seguros residenciais do país estão concentrados nos estados da região Norte. Os índices são os menores entre todas as regiões brasileiras e ficam bem abaixo do Sudeste, que reúne mais da metade dos consumidores desses dois segmentos.
Os números também se refletem na arrecadação do setor. Entre 2021 e 2025, o seguro residencial movimentou R$ 581 milhões na Região Norte, o equivalente a cerca de 2% de todo o volume arrecadado nacionalmente nesse ramo. Já o seguro de automóveis arrecadou R$ 5,94 bilhões no mesmo período, representando aproximadamente 2% do mercado brasileiro.
Segundo a CNseg, a menor renda média da população, a menor densidade urbana e características do perfil patrimonial da região contribuem para a baixa adesão aos seguros. Ainda assim, o levantamento aponta um cenário promissor para o setor.
Entre 2016 e 2025, a arrecadação do seguro de automóveis na Região Norte cresceu 112%, passando de R$ 670 milhões para R$ 1,4 bilhão. O desempenho supera a média nacional, que foi de 94% no mesmo período.
Para o diretor Técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, o avanço demonstra que a cultura da proteção financeira vem se expandindo na região.
“O avanço indica uma expansão gradual da cultura de proteção financeira e mostra que o Norte pode representar uma das principais fronteiras de crescimento do mercado segurador nos próximos anos”, afirma.
Baixa cobertura no país
O levantamento também mostra que a cobertura securitária ainda é limitada em todo o Brasil. Atualmente, apenas 29% da frota nacional possui seguro de automóveis e cerca de 17% das residências contam com seguro residencial.
Na avaliação da entidade, esse chamado “gap de proteção” evidencia a vulnerabilidade patrimonial das famílias brasileiras, mas também representa uma oportunidade para ampliar a oferta de produtos mais acessíveis e simplificados, especialmente em regiões historicamente menos atendidas, como o Norte.

